Brasil

Horário de verão pode voltar após seis anos de suspensão

O governo federal estuda retomar o horário de verão já a partir de novembro de 2025, após seis anos de suspensão da medida. A possibilidade vem sendo avaliada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do aumento da demanda energética e do risco de sobrecarga no sistema elétrico, conforme relatórios recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Caso aprovado, os relógios deverão ser adiantados em uma hora à zero hora do dia 1º de novembro de 2025, permanecendo assim até 15 de fevereiro de 2026. Em algumas versões de estudo em análise, o encerramento poderia se estender até meados de março, mas ainda não há definição oficial. O objetivo é aliviar a pressão sobre a rede em horários de maior consumo, redistribuindo a carga de energia ao longo do dia.

A discussão leva em conta não apenas o consumo direto de eletricidade, mas também variáveis como o regime de chuvas que abastece as usinas hidrelétricas e a expansão de fontes renováveis, como solar e eólica. Segundo o Plano de Operação Energética (PEN 2025), a medida poderia reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas, que são mais caras e poluentes, garantindo maior estabilidade para os reservatórios.

De acordo com o ONS, o ano de 2025 é considerado climaticamente neutro, sem influência de fenômenos como El Niño ou La Niña. Essa condição, que não ocorria desde 2013, costuma ser seguida por períodos de escassez hídrica, o que reforça a preocupação com a gestão dos recursos energéticos e a busca por alternativas para manter a segurança do sistema.

Historicamente, o horário de verão era adotado em estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, onde a alteração na rotina proporcionava maior economia de energia. Caso seja retomado, devem participar novamente unidades federativas como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

O setor de comércio, turismo e lazer acompanha a possível decisão com expectativa positiva, já que o horário estendido de luz natural costuma atrair mais clientes no fim da tarde e movimentar bares, restaurantes e atividades ao ar livre. Por outro lado, há setores que destacam possíveis transtornos na adaptação da rotina, especialmente em transportes, escolas e serviços que dependem de sincronização nacional.

Especialistas ponderam que os benefícios energéticos podem ser menores do que os registrados em décadas passadas, já que o perfil de consumo mudou com a popularização do ar-condicionado e de equipamentos de maior potência elétrica. Mesmo assim, há consenso de que o deslocamento da curva de pico de consumo para horários mais amenos pode contribuir para reduzir riscos de apagão e custos operacionais.

A decisão final caberá ao governo federal, com base nos relatórios técnicos que vêm sendo elaborados. Até o momento, não há decreto oficial publicado, mas o tema já mobiliza debates entre entidades do setor elétrico, especialistas e a sociedade. Se confirmada, a volta do horário de verão em 2025 marcará a retomada de uma prática tradicional, interrompida em 2019.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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