11 de Setembro completa 25 anos e segue vivo na memória: relembre os ataques que mudaram a segurança, a política e a história mundial

Os atentados de 11 de setembro de 2001 completam 25 anos nesta sexta-feira (11). Um quarto de século depois, as imagens dos aviões atingindo as Torres Gêmeas do World Trade Center, do incêndio no Pentágono, do desabamento dos prédios em Nova York e dos trabalhos de resgate continuam entre os registros mais marcantes da história recente. Nesta sexta-feira, familiares das vítimas, sobreviventes e autoridades voltaram a se reunir no Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, para lembrar as 2.977 pessoas mortas nos ataques.
A manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001, começou sem sinais de que os Estados Unidos enfrentariam, poucas horas depois, o ataque terrorista mais letal de sua história. O céu estava praticamente sem nuvens na costa leste norte-americana, milhões de pessoas seguiam para o trabalho e milhares de passageiros embarcavam em aeroportos para viagens domésticas. Entre esses voos estavam quatro aeronaves comerciais que partiriam da costa leste com destino à Califórnia e acabariam sequestradas.
Dezenove integrantes da Al-Qaeda embarcaram nos quatro aviões. O plano previa tomar o controle das aeronaves e transformá-las em armas contra alvos de grande importância política, militar e econômica nos Estados Unidos. As investigações concluíram que a operação havia sido organizada pela rede terrorista liderada por Osama bin Laden, que mantinha estrutura e campos de treinamento no Afeganistão.

O primeiro avião envolvido foi o voo 11 da American Airlines, um Boeing 767 que havia decolado de Boston com destino a Los Angeles. A aeronave deixou o aeroporto às 7h59. Depois de assumir o controle do avião, os sequestradores mudaram sua rota e seguiram em direção a Nova York. Às 8h46, o voo 11 atingiu os andares 93 a 99 da Torre Norte do World Trade Center.
Nos primeiros minutos, ainda havia dúvidas sobre o que havia ocorrido. Autoridades, emissoras de televisão e parte da população chegaram a trabalhar com a possibilidade de um acidente de aviação. O então presidente George W. Bush estava em uma escola em Sarasota, na Flórida, quando recebeu as primeiras informações. A dimensão do que estava acontecendo ainda não era conhecida naquele momento.
A interpretação mudou às 9h03. O voo 175 da United Airlines, também um Boeing 767 que havia partido de Boston em direção a Los Angeles, atingiu a Torre Sul do World Trade Center diante de câmeras que já transmitiam ao vivo o incêndio provocado pelo primeiro avião. O segundo impacto deixou claro que os Estados Unidos estavam diante de uma ação coordenada, e não de um acidente isolado.
Milhares de pessoas começaram a deixar os prédios e as ruas próximas ao complexo. Ao mesmo tempo, bombeiros, policiais, paramédicos e outras equipes de emergência seguiram para o World Trade Center. O Memorial do 11 de Setembro estima que aproximadamente 2 mil policiais e quase mil bombeiros foram mobilizados na resposta aos ataques em Nova York. Muitos entraram nas torres enquanto trabalhadores ainda desciam pelas escadas.
Enquanto Nova York enfrentava os incêndios, um terceiro avião sequestrado avançava em direção à região da capital norte-americana. O voo 77 da American Airlines havia partido do Aeroporto Internacional de Washington Dulles rumo a Los Angeles. Os sequestradores assumiram o controle da aeronave e desligaram o transponder, dificultando seu acompanhamento pelos controladores de tráfego aéreo.
Às 9h37, o voo 77 atingiu a parte oeste do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Arlington, na Virgínia. O ataque matou passageiros e tripulantes do avião e pessoas que estavam trabalhando dentro do complexo militar. O terceiro impacto confirmou que os responsáveis haviam escolhido diferentes símbolos do poder norte-americano como alvos.
Em Nova York, a situação se agravou rapidamente. Às 9h59, 56 minutos depois de ser atingida pelo voo 175, a Torre Sul desabou. Apesar de ter sido atingida depois da Torre Norte, foi a primeira das duas Torres Gêmeas a cair. Uma enorme nuvem de poeira, concreto e outros destroços avançou pelas ruas do sul de Manhattan.
Nesse mesmo período, os passageiros e tripulantes do voo 93 da United Airlines viviam outra parte do ataque. O Boeing 757 havia saído de Newark, em Nova Jersey, com destino a San Francisco, mas decolou cerca de 25 minutos depois do horário previsto. Quatro integrantes da Al-Qaeda estavam no avião e assumiram o controle da aeronave durante o voo.
Telefonemas feitos de dentro do voo 93 permitiram que passageiros soubessem que outros aviões haviam sido sequestrados e utilizados nos ataques. A partir dessas informações, passageiros e integrantes da tripulação decidiram reagir e tentar retomar o controle da aeronave. O avião seguia em direção a Washington; investigações apontaram o Capitólio como provável alvo, embora a Casa Branca também tenha sido considerada entre as possibilidades.

Às 10h03, durante a reação dos passageiros e tripulantes, o voo 93 caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia. Ninguém a bordo sobreviveu. A aeronave não chegou ao alvo planejado pelos sequestradores, e a reação dentro do avião passou a ocupar lugar central na memória dos ataques.
Às 10h28, 102 minutos depois do primeiro impacto, a Torre Norte do World Trade Center também desabou. O complexo ficou coberto por destroços, e edifícios vizinhos sofreram diferentes níveis de danos. A área onde as torres ficavam passou a ser conhecida mundialmente como Ground Zero e se transformou em uma gigantesca operação de busca, resgate e recuperação.
Horas depois, outro prédio do complexo também caiu. O World Trade Center 7, edifício de 47 andares que não havia sido atingido por nenhum avião, desabou às 17h20. Segundo a investigação do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, o prédio enfrentou incêndios descontrolados durante quase sete horas. Os ocupantes haviam sido retirados e não houve mortes nem ferimentos graves provocados pelo desabamento do WTC 7.
Ao todo, 2.977 vítimas morreram nos ataques de 11 de setembro, sem contar os 19 sequestradores. O número inclui 2.753 pessoas mortas em Nova York, vítimas no Pentágono e nos aviões atingidos ou derrubados durante os ataques. Entre os mortos estavam trabalhadores das torres, passageiros, tripulantes, militares, policiais, bombeiros e pessoas de diferentes nacionalidades.
Os quatro voos sequestrados ajudam a mostrar como a operação ocorreu de maneira coordenada naquela manhã:
| Voo | Rota original | Pessoas a bordo* | Sequestradores | O que aconteceu |
|---|---|---|---|---|
| American Airlines 11 | Boston–Los Angeles | 92 | 5 | Atingiu a Torre Norte às 8h46 |
| United Airlines 175 | Boston–Los Angeles | 65 | 5 | Atingiu a Torre Sul às 9h03 |
| American Airlines 77 | Washington–Los Angeles | 64 | 5 | Atingiu o Pentágono às 9h37 |
| United Airlines 93 | Newark–San Francisco | 44 | 4 | Caiu perto de Shanksville às 10h03 |
*Os números de pessoas a bordo incluem os sequestradores. Os quatro aviões transportavam 246 passageiros e tripulantes que foram vítimas dos ataques, além dos 19 terroristas.
O impacto sobre os serviços de emergência de Nova York foi particularmente elevado. O Corpo de Bombeiros de Nova York perdeu 343 integrantes no próprio 11 de setembro. O Departamento de Polícia de Nova York perdeu 23 policiais, enquanto a Polícia da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey perdeu 37 agentes. Outros profissionais de segurança e emergência também morreram durante as operações.
As buscas começaram imediatamente após os desabamentos. Bombeiros, policiais, trabalhadores da construção civil, equipes médicas, voluntários e profissionais de diversas agências permaneceram durante dias e meses na área. No fim de setembro de 2001, as operações passaram progressivamente da procura por sobreviventes para a recuperação de restos mortais, remoção dos escombros e reconstrução da infraestrutura da região. O trabalho no local se prolongou por aproximadamente dez meses.
O 11 de setembro, entretanto, não terminou para milhares de pessoas quando os escombros foram retirados. A poeira liberada pelo colapso continha uma combinação de partículas e contaminantes, e centenas de milhares de moradores, trabalhadores e integrantes das equipes de emergência foram expostos ou potencialmente expostos. Ao longo dos anos, programas de acompanhamento passaram a registrar doenças respiratórias, diferentes tipos de câncer e problemas de saúde mental associados ao desastre.
O impacto sobre os socorristas continua sendo contabilizado 25 anos depois. Em 2026, o Corpo de Bombeiros de Nova York informou que mais de 600 integrantes da corporação morreram, desde os ataques, em decorrência de doenças relacionadas ao World Trade Center. O Departamento de Polícia de Nova York informou neste mês que já perdeu mais de 469 integrantes por doenças relacionadas ao trabalho realizado após o 11 de setembro.
A investigação dos ataques tornou-se a maior da história do FBI. Batizada de PENTTBOM, referência a Pensilvânia, Pentágono e Torres Gêmeas, a apuração mobilizou, em seu ponto máximo, mais da metade dos agentes da instituição. Mais de meio milhão de pistas foram investigadas, enquanto autoridades buscavam identificar os sequestradores, seus contatos, financiadores e possíveis novos planos de ataque.
As investigações atribuíram os atentados à Al-Qaeda, organização comandada por Osama bin Laden. O grupo já havia participado de outras ações contra interesses dos Estados Unidos e mantinha bases no Afeganistão sob proteção do regime Talibã. Os sequestradores passaram meses preparando a operação, e alguns receberam treinamento de pilotagem nos Estados Unidos antes dos ataques.

Em 2002, o Congresso norte-americano criou uma comissão bipartidária independente para investigar os acontecimentos. Conhecida como Comissão do 11 de Setembro, ela analisou documentos, ouviu autoridades e examinou a atuação de órgãos de inteligência, aviação, segurança e defesa. O relatório final concluiu que o país não estava preparado para um ataque daquele tipo e apresentou recomendações para mudanças na segurança nacional.
O relatório apontou falhas de comunicação e de compartilhamento de informações entre diferentes órgãos governamentais antes dos atentados. Também analisou as dificuldades enfrentadas pelas autoridades durante os sequestros, quando informações incompletas e procedimentos desenvolvidos para situações tradicionais de desvio de aeronaves dificultaram uma resposta rápida à utilização dos aviões como armas.
A segurança da aviação civil mudou profundamente. Em novembro de 2001, os Estados Unidos aprovaram uma legislação que criou a Transportation Security Administration, a TSA, responsável pela segurança do sistema de transportes e pelos controles nos aeroportos. Procedimentos de inspeção de passageiros e bagagens, acesso às áreas restritas e segurança das cabines passaram por sucessivas mudanças depois dos ataques.
A resposta norte-americana também teve consequências militares. Em 18 de setembro de 2001, uma semana depois dos ataques, entrou em vigor a Autorização para Uso da Força Militar, que permitiu ao presidente empregar as Forças Armadas contra países, organizações ou pessoas que tivessem planejado, autorizado, cometido ou auxiliado os atentados ou abrigado seus responsáveis.
Em 7 de outubro de 2001, Estados Unidos e aliados iniciaram uma campanha militar no Afeganistão. O objetivo declarado era atingir a Al-Qaeda e o regime Talibã, que havia permitido que Bin Laden e sua organização utilizassem território afegão como base. A ofensiva derrubou o governo Talibã nos meses seguintes, mas iniciou uma guerra que se prolongaria por quase duas décadas.
Outra consequência foi a aprovação, em 26 de outubro de 2001, do USA Patriot Act. A legislação ampliou instrumentos utilizados pelo governo e pelas forças de segurança para investigar terrorismo, movimentações financeiras, comunicações e outras atividades consideradas relacionadas à segurança nacional. Ao mesmo tempo, diferentes dispositivos da lei provocaram debates políticos e jurídicos sobre privacidade, vigilância estatal e liberdades civis.
O governo norte-americano também promoveu uma reorganização institucional. O Homeland Security Act de 2002 criou o Departamento de Segurança Interna, que começou a funcionar em 2003 e reuniu 22 órgãos e estruturas federais. O objetivo era concentrar e coordenar atribuições relacionadas à proteção do território norte-americano, fronteiras, imigração, transporte, emergências e prevenção ao terrorismo.
A Guerra do Iraque, iniciada pelos Estados Unidos em 2003, também passou a integrar os debates políticos do período posterior ao 11 de setembro, mas a Comissão do 11 de Setembro não encontrou evidências de que o governo de Saddam Hussein tivesse participado dos atentados. O relatório registrou contatos anteriores entre integrantes do regime iraquiano e a Al-Qaeda, mas afirmou não ter encontrado provas de uma relação operacional colaborativa ou de cooperação do Iraque na preparação dos ataques contra os Estados Unidos.
Osama bin Laden permaneceu por quase dez anos como o principal procurado pelos Estados Unidos. Em maio de 2011, uma operação militar norte-americana matou o líder da Al-Qaeda em Abbottabad, no Paquistão. O então presidente Barack Obama anunciou a operação e relacionou diretamente Bin Laden aos ataques que haviam matado milhares de pessoas em setembro de 2001.
No mesmo ano em que Bin Laden foi morto, Nova York inaugurou o Memorial Nacional do 11 de Setembro no local das antigas Torres Gêmeas. Duas grandes piscinas ocupam exatamente as áreas onde ficavam as bases das torres, e os nomes das vítimas estão inscritos ao redor delas. O memorial foi inaugurado no décimo aniversário dos ataques, enquanto o museu dedicado à história do atentado abriu ao público em maio de 2014.

O local também preserva elementos ligados à tragédia e ao trabalho de recuperação. O museu foi construído junto às fundações originais do World Trade Center e reúne objetos, gravações, fotografias, depoimentos e estruturas recuperadas dos escombros. A chamada “Árvore Sobrevivente”, encontrada severamente danificada no Ground Zero e posteriormente recuperada, voltou ao local em 2010 e integra atualmente a área do memorial.
Vinte e cinco anos depois, uma nova geração de norte-americanos já nasceu após os ataques e conhece o 11 de setembro apenas por registros históricos, relatos familiares, aulas e imagens de arquivo. Ao mesmo tempo, famílias das vítimas e integrantes das equipes que trabalharam no World Trade Center continuam convivendo com consequências pessoais e de saúde relacionadas àquela manhã e aos meses que se seguiram.
Nesta sexta-feira, o Memorial do 11 de Setembro programou a cerimônia oficial do 25º aniversário a partir das 8h40, no horário de Nova York, com participação reservada principalmente às famílias e à comunidade diretamente ligada aos ataques. A programação mantém os momentos de silêncio associados aos horários em que os aviões atingiram as torres e o Pentágono, ao acidente do voo 93 e aos desabamentos das Torres Gêmeas. À noite, o tradicional Tribute in Light volta a projetar dois feixes de luz sobre o céu de Manhattan, representando as torres que existiam no local.
A cidade de Nova York também estabeleceu, em 2026, o 11 de setembro como um dia municipal de lembrança e serviço, reforçando as homenagens às vítimas e aos profissionais que participaram do resgate. Passados 25 anos, o atentado permanece presente não apenas pelos edifícios destruídos e pelo número de mortos, mas também pelas mudanças que provocou na política externa dos Estados Unidos, na segurança dos aeroportos, na legislação antiterrorismo, na organização das agências de inteligência e na vida de milhares de sobreviventes, familiares e socorristas.






















