Lago de Furnas registra primeira queda de 2026 após sete meses de recuperação no nível do reservatório

O Lago de Furnas registrou em agosto a primeira redução de nível de 2026 depois de uma sequência de recuperação observada desde o início do ano. O reservatório alcançou seu maior nível em 5 de julho, quando chegou a 763,73 metros, e passou a apresentar recuo nas semanas seguintes. No sábado, 8 de agosto, a cota estava em 763,60 metros, correspondente a 66,37% do volume útil, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A diferença entre o maior nível registrado no ano e a medição de 8 de agosto é de aproximadamente 13 centímetros. Apesar de pequena, a redução interrompe uma trajetória de crescimento que vinha sendo observada ao longo dos primeiros meses de 2026, período em que o reservatório recuperou parte do volume após começar o ano em patamar inferior ao registrado atualmente.
No início de 2026, o Lago de Furnas estava abaixo da marca de 758 metros. Com o avanço do período chuvoso, o reservatório apresentou elevação gradual. No fim de março, o nível já havia alcançado aproximadamente 762 metros, mantendo posteriormente uma trajetória de crescimento até atingir 763,73 metros no início de julho.
A marca de 762 metros é uma referência frequentemente utilizada nas discussões envolvendo os usos múltiplos do Lago de Furnas, especialmente por municípios, associações e setores econômicos que dependem diretamente do reservatório. Ela, porém, não deve ser confundida com a menor cota registrada em 2026, já que o lago começou o ano abaixo desse patamar.
Após atingir o ponto mais elevado do ano em julho, o comportamento mudou. Com a redução das chuvas e o avanço do período seco, o nível começou a cair gradualmente. A tendência de diminuição dos reservatórios durante essa época do ano está relacionada ao balanço entre a quantidade de água que chega ao lago, as condições climáticas e a operação do sistema elétrico.
Mesmo com o recuo registrado em agosto, a situação atual de Furnas permanece superior à observada no mesmo período de 2025. Em 7 de agosto do ano passado, o reservatório apresentava aproximadamente 60,67% do volume útil. Agora, o índice está em 66,37%, uma diferença próxima de seis pontos percentuais.
A comparação indica que o Lago de Furnas entrou no período seco de 2026 com uma reserva maior do que a registrada no ano anterior. A evolução ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, do regime de chuvas nas regiões que alimentam o reservatório, das vazões dos rios e das condições definidas para a operação do sistema.
O percentual de 66,37% representa o volume útil, e não a capacidade física total do reservatório. O volume útil corresponde à parcela de água armazenada dentro da faixa operacional considerada para o funcionamento da usina e para a gestão do Sistema Interligado Nacional.
O nível do Lago de Furnas é acompanhado não apenas pelo setor elétrico, mas também pelos municípios localizados às margens do reservatório. Alterações na cota podem interferir na navegação, no funcionamento de marinas, no acesso a propriedades, em atividades turísticas e em diferentes setores que dependem diretamente das águas do lago.
O turismo é uma das atividades que acompanha de perto a situação. O Lago de Furnas possui extensa área banhada em Minas Gerais e concentra empreendimentos ligados a passeios náuticos, hospedagem, restaurantes, pesca, esportes aquáticos e imóveis de lazer. Variações mais acentuadas do nível podem modificar pontos de acesso e condições de navegação em determinadas regiões.
A geração de energia também está diretamente relacionada ao reservatório. Furnas integra o Sistema Interligado Nacional e seu armazenamento é monitorado pelo ONS juntamente com outros reservatórios utilizados na produção hidrelétrica. As condições de armazenamento entram nos cálculos utilizados para o planejamento e a operação do sistema energético brasileiro.
Além da geração de energia, o reservatório possui diferentes usos, como abastecimento, atividades econômicas, turismo e navegação. Por essa razão, o comportamento da cota costuma ser acompanhado por municípios e entidades da região, principalmente durante os meses de estiagem, quando a tendência natural é de redução das entradas de água.
O primeiro semestre de 2026 permitiu uma recuperação significativa em comparação com o nível observado no início do ano. Entre a marca inferior a 758 metros registrada em janeiro e o pico de 763,73 metros alcançado em julho, o lago ganhou mais de cinco metros de nível.
A partir de julho, no entanto, a trajetória mudou e o reservatório começou a perder parte dessa recuperação. Até 8 de agosto, a redução permanecia limitada a cerca de 13 centímetros em relação ao maior nível do ano, mantendo Furnas acima da situação registrada no mesmo período de 2025.
O comportamento do lago continuará sendo acompanhado durante os próximos meses, período tradicionalmente marcado por menor volume de chuvas em Minas Gerais. Novas medições deverão indicar se o recuo permanecerá gradual ou se a redução ganhará intensidade até o retorno do período chuvoso.









