Polícia conclui investigação da morte de mulher que ficou 38 dias sem comer: ‘Pacto’
O caso aconteceu em setembro do ano passado no bairro Bela Vista, em Contagem.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu, nesta quarta-feira (9), o inquérito policial do caso da mulher encontrada morta com sinais de desnutrição em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O caso aconteceu em setembro do ano passado. A vítima, de 32 anos, foi encontrada dentro de casa, ao lado do irmão, de 28, que sobreviveu.
Segundo o delegado Emerson Morais, da Delegacia de Homicídios de Contagem, a mulher faleceu após passar 38 dias sem se alimentar.
A primeira hipótese era que os irmãos haviam parado de comer por orientação de uma mãe de santo.
“Essa mãe de santo disse que eles precisavam passar por uma purificação espiritual. Tanto a Daiane quanto o irmão Denis se autodenominavam médiuns”, diz o delegado.
No entanto, a investigação da Polícia Civil descobriu que a suposta líder espiritual faleceu no ano de 2023.
Os investigadores, então, concluíram que a decisão de passar 40 dias sem nenhum tipo de alimentação foi um pacto feito entre os irmãos, sem intervenção de uma terceira pessoa.
A mulher não resistiu ao jejum e faleceu no 38º dia.
“O relatório de necropsia apontou como causa da morte indeterminada. Os exames laboratoriais complementares levados a efeito no IML deram negativo para consumo de álcool, drogas de abuso (cocaína, maconha), benzodiazepina, medicamentos e praguicidas”.
Delegado Emerson Morais
O inquérito policial concluiu que não ouve intenção criminal e nem indução ao suicídio.
“O inquérito foi finalizado, sugerindo ao Ministério Público o arquivamento, face à ausência de indícios mínimos de intervenção criminosa de terceiros no evento morte”, afirma o delegado.
Casa estava ‘em estado deplorável’
O delegado Emerson Morais detalhou como estava a residência dos irmãos quando o local foi periciado pela Polícia Civil.
“A casa estava em estado deplorável. Muitas fezes de cachorro por todos os cômodos da casa. Praticamente intransitável, inclusive para nós, da equipe de policiais que estivemos lá. Muita urina de cachorro, um odor muito forte, a casa muito desarrumada. Eles colocaram todos os móveis para fora, alguns cômodos isolados. Extremamente precário”.
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