Operação da PCMG desmonta centro de distribuição de falsificados em Pará de Minas

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou uma grande operação em Pará de Minas, na região Centro-Oeste do estado, e apreendeu cerca de sete toneladas de produtos falsificados. A ação ocorreu na manhã desta terça-feira (28) e revelou um esquema de distribuição que atuava em todo o país, utilizando tanto o comércio físico quanto vendas online, no modelo conhecido como dropshipping.
Os policiais localizaram um galpão utilizado para o armazenamento das mercadorias, onde encontraram uma grande quantidade de roupas, calçados e acessórios que reproduziam indevidamente símbolos e logotipos de marcas registradas. Segundo as autoridades, o espaço funcionava como centro de distribuição para diversos estados brasileiros.
Durante a operação, foram apreendidos 214 bags contendo itens variados, entre calças, camisas de clubes de futebol, polos, cuecas, calçados e perfumes, todos ostentando marcas conhecidas e registradas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Além disso, os investigadores recolheram três notebooks e seis aparelhos celulares, que serão periciados para identificação de contatos e movimentações comerciais.
As investigações tiveram início há cerca de um mês, após a representação criminal apresentada por um escritório de advocacia que representa algumas das marcas lesadas. As denúncias apontavam a existência de um grande depósito em Pará de Minas, responsável por abastecer lojistas e revendedores em várias regiões do país.
O principal suspeito é um homem de 24 anos, apontado como o responsável pela logística e distribuição das mercadorias falsificadas. Ele é investigado por crime contra a propriedade industrial, cuja pena pode chegar a quatro anos de prisão, além de multa. Outros indivíduos estão sendo monitorados pela PCMG por suposta participação no esquema.
Segundo o delegado responsável pela investigação, o material apreendido representa uma perda significativa para o grupo criminoso. “Estamos falando de um prejuízo milionário para o comércio ilegal, que afeta diretamente as marcas originais e a economia formal. Além disso, esses produtos não passam por controle de qualidade, oferecendo risco ao consumidor”, destacou.
Os policiais também apuram indícios de que o grupo operava por meio de redes sociais e plataformas digitais, onde realizava vendas disfarçadas de produtos importados originais. Em alguns casos, os itens eram enviados diretamente de Pará de Minas para clientes de outros estados, utilizando transportadoras e empresas de entrega expressa.
O esquema seguia o modelo de dropshipping nacional, em que os criminosos anunciavam produtos em sites e marketplaces e, após o pagamento, despachavam os falsificados diretamente do galpão, sem qualquer vínculo formal de origem. O formato dificultava o rastreamento das transações, exigindo um trabalho minucioso da equipe de investigação.
Durante a operação, a Polícia Civil contou com o apoio técnico da 3ª Delegacia de Investigação a Fraudes, vinculada ao Departamento Estadual de Combate à Corrupção e Fraudes (Deccof). A ação foi resultado de semanas de monitoramento e cruzamento de informações obtidas em parcerias com órgãos de defesa de marcas e com a Receita Federal.
A PCMG informou que todo o material apreendido passará por perícia e catalogação. Após o encerramento do inquérito, as mercadorias serão encaminhadas para destruição, conforme determina a legislação vigente sobre produtos falsificados.
O delegado reforçou ainda a importância da denúncia e da conscientização da população. “Comprar produtos falsificados financia o crime, prejudica a indústria legal e coloca em risco a saúde e a segurança dos consumidores. É essencial que a população compre apenas de canais oficiais”, alertou.
A operação em Pará de Minas é considerada uma das maiores apreensões de produtos falsificados do estado em 2025. O volume de mercadorias apreendidas chamou a atenção pelo nível de organização da estrutura e pela diversidade de itens.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema e rastrear o destino dos lucros obtidos com as vendas ilegais. A instituição reforça que denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181, de forma sigilosa.









