Polícia

Ex-funcionária de ONG é indiciada pela morte de 10 gatos

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou uma ex-funcionária de uma organização não governamental de proteção animal pela morte de dez gatos em Belo Horizonte. O caso foi registrado em fevereiro deste ano e ganhou repercussão após laudos confirmarem que os animais foram envenenados.

Segundo a investigação, a suspeita, de 34 anos, trabalhou por alguns meses na ONG BastAdotar, no bairro Carlos Prates, Região Noroeste da capital, realizando serviços de limpeza. Mesmo após ser desligada, ela assinou um termo de voluntariado que lhe permitia seguir frequentando o local. A apuração aponta que nesse período ocorreram as mortes dos animais.

De acordo com a presidente da instituição, o episódio foi descoberto quando voluntários chegaram ao abrigo pela manhã e encontraram vários gatos mortos e outros passando mal. Dois animais chegaram a ser resgatados com vida e encaminhados para uma clínica veterinária, mas um deles permaneceu em estado grave.

A perícia coletou restos de alimentos e analisou o ambiente em que os felinos viviam. Os laudos apontaram a presença de uma substância tóxica popularmente conhecida como chumbinho, frequentemente utilizada em casos de envenenamento. Além disso, foram registrados vômitos e sinais compatíveis com intoxicação.

Com base nesses elementos, a ex-funcionária foi indiciada por maus-tratos com resultado morte, conforme o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, podendo haver aumento em caso de morte do animal. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que avaliará o oferecimento da denúncia à Justiça.

A ONG BastAdotar, em nota, lamentou o ocorrido e reforçou que os gatos eram resgatados de situações de abandono e maus-tratos. A instituição informou ainda que ampliou medidas de segurança e acompanhamento dos animais para evitar novos incidentes.

O caso gerou grande mobilização em Belo Horizonte. Protetores independentes, moradores e entidades ligadas à causa animal realizaram manifestações virtuais pedindo punição exemplar à acusada. A comoção também reacendeu o debate sobre a necessidade de fiscalização mais rígida em abrigos e sobre a aplicação de penas efetivas em casos de violência contra animais.

Enquanto o processo tramita, a ONG segue com seu trabalho de acolhimento e adoção responsável de cães e gatos. Voluntários relatam que o episódio abalou a rotina da instituição, mas também fortaleceu o engajamento da comunidade em torno da proteção animal.

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