Integrantes da Máfia Azul são condenados a até 48 anos por morte em emboscada contra ônibus de torcedores do Atlético

Três integrantes da torcida organizada Máfia Azul, ligada ao Cruzeiro, foram condenados pelo 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte pela participação em uma emboscada contra um ônibus que transportava torcedores do Atlético. O ataque, registrado em novembro de 2021 na Região do Barreiro, provocou a morte de Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, e deixou outras pessoas feridas.
O julgamento começou na terça-feira, 28 de julho, e terminou na noite de quarta-feira, 29 de julho de 2026. Durante os dois dias de sessão, o Conselho de Sentença analisou as acusações apresentadas contra os três réus, ouviu seis testemunhas e acompanhou os interrogatórios dos acusados.
Riquelme Enderson Ribeiro da Silva recebeu a maior pena. Ele foi condenado a 48 anos e seis meses de prisão pelo homicídio do jovem e pelas tentativas de homicídio contra cinco vítimas que estavam no ônibus no momento do ataque.
Luiz Gustavo da Silva Veloso foi condenado a 24 anos de prisão pelo homicídio. Pedro Henrique Coimbra Braga recebeu uma pena de 20 anos, também pela morte do torcedor atleticano. O cumprimento das condenações deverá ocorrer inicialmente em regime fechado.
Os três acusados respondiam ao processo em liberdade. Após a leitura da sentença, o juiz Bernardo Campos Mitre, que presidiu o julgamento, determinou a expedição imediata dos mandados de prisão. Os condenados foram encaminhados ao sistema prisional.
Um quarto acusado também seria julgado na mesma sessão, mas o processo dele foi separado após o defensor apresentar um problema de saúde. O réu deverá enfrentar um novo julgamento em uma data que ainda será definida pela Justiça.
Durante a sessão, o Ministério Público de Minas Gerais pediu a condenação dos três réus nos termos apresentados na denúncia. Os promotores sustentaram que os integrantes da organizada participaram da preparação e da execução do ataque contra o coletivo.
As defesas contestaram as acusações e afirmaram que não havia provas suficientes da participação dos réus nos crimes. Os advogados pediram a absolvição dos três acusados, mas os jurados acolheram a versão apresentada pela acusação.
Segundo a denúncia, a emboscada aconteceu na noite de 28 de novembro de 2021, depois de uma partida entre Atlético e Fluminense, realizada no Mineirão. O Atlético venceu o jogo, e um grupo de torcedores deixou o estádio utilizando um ônibus do transporte coletivo de Belo Horizonte.
O veículo atacado fazia a linha 6350, que liga a Estação Vilarinho à Estação Barreiro. Conforme a investigação, os acusados sabiam que integrantes de uma torcida organizada do Atlético utilizariam aquele ônibus para retornar à Região do Barreiro.
Os responsáveis pelo ataque teriam seguido em um automóvel para localizar e interceptar o coletivo. Após a aproximação do grupo, o ônibus foi cercado na altura do Bairro das Indústrias, na Região do Barreiro, impedindo a continuidade da viagem.
De acordo com o processo, os agressores utilizaram pedras, pedaços de madeira, barras de ferro, bolas de sinuca e artefatos explosivos durante a ação. Os objetos foram lançados contra o veículo e usados nas agressões aos passageiros.
As vítimas tentaram deixar o coletivo e pediram que idosos, crianças e passageiros que não haviam participado da partida fossem liberados. Segundo a denúncia, o grupo responsável pela emboscada impediu a saída segura das pessoas que estavam no ônibus.
Mateus de Freitas Ferreira não utilizava camisa do Atlético nem uniforme de torcida organizada durante o ataque. Ao tentar deixar o local, o jovem foi perseguido e agredido. Ele recebeu atendimento médico e foi levado ao Hospital João XXIII, mas morreu dois dias depois.
Ao menos nove pessoas ficaram feridas durante a emboscada. No julgamento de Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, cinco dessas ocorrências foram reconhecidas como tentativas de homicídio, além da condenação pela morte de Mateus.
Após o ataque, os envolvidos deixaram o local, mas equipes da Polícia Militar localizaram e prenderam suspeitos. Dentro do veículo utilizado pelo grupo, os policiais encontraram três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, fogos de artifício e um objeto usado em agressões físicas.
A investigação resultou na denúncia dos acusados e no envio do processo ao Tribunal do Júri. A Justiça considerou que havia elementos suficientes para que os réus fossem julgados por jurados, responsáveis por decidir sobre crimes dolosos contra a vida.
Os acusados já haviam sido submetidos anteriormente ao Tribunal do Júri. As condenações daquele julgamento, no entanto, foram anuladas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais após o reconhecimento de irregularidades processuais.
Com a anulação, a Justiça determinou a realização de um novo júri. A decisão não representou a absolvição dos acusados, mas exigiu que o procedimento fosse repetido com o cumprimento das regras processuais estabelecidas pela legislação.
O julgamento realizado nesta semana voltou a analisar a participação individual de cada réu, as provas reunidas durante a investigação e os depoimentos das testemunhas. Ao final dos trabalhos, os jurados reconheceram a responsabilidade dos três acusados.
Além do processo criminal, a morte de Mateus também resultou em ações na área cível. Em decisões divulgadas anteriormente, a Justiça condenou o Cruzeiro Esporte Clube e a Máfia Azul ao pagamento de indenizações aos pais do jovem.
Em uma das decisões, a mãe de Mateus teve reconhecido o direito de receber uma indenização de R$ 100 mil. A Justiça considerou que o ataque foi praticado por integrantes identificados com a torcida organizada e analisou a responsabilidade civil das entidades envolvidas.
Outra decisão determinou o pagamento de indenização ao pai do jovem. Os processos cíveis são independentes do julgamento criminal e discutem a reparação financeira pelos danos provocados pela morte.
As decisões na área cível ainda podem ser questionadas por meio de recursos, conforme cada etapa processual. Já as condenações definidas pelo Tribunal do Júri também podem ser contestadas pelas defesas nas instâncias superiores.
A eventual apresentação de recursos não altera o fato de que os mandados de prisão foram expedidos imediatamente após a sentença. Os três condenados deixaram o tribunal sob custódia e foram levados ao sistema penitenciário.
O processo criminal tramita na Justiça de Minas Gerais sob o número 2306716-89.2021.8.13.0024. O andamento do caso continuará com a análise de possíveis recursos, enquanto o quarto acusado aguardará a definição de uma nova data para ser julgado.









