Divina inspiração
Ômar Souki
Na década de 60, do século passado, em Divinópolis, interior de Minas, eu desfrutava de uma infância feliz povoada de bons exemplos. O principal era o de papai, Acácio, homem trabalhador, amante dos livros e influente na sociedade da época. Havia também o de frei Mariano Gijsen—pároco no Santuário Santo Antônio—vindo da Holanda e possuidor de invejável cultura. E o de Sebastião Milagre autor de vários livros. Papai me levava às missas que frei Mariano celebrava e aos lançamentos dos livros que Sebastião escrevia. Eu me perguntava como poderia uma pessoa chegar a escrever um livro: “Eram tantas as palavras, as frases, os parágrafos, as páginas. Onde será que os autores buscavam inspiração?”. Aquela pergunta, por incrível que pareça, determinou o meu futuro. Hoje, aos 75 anos—e 46 livros depois—o que mais gosto de fazer é de escrever.
Dificilmente deixo passar um dia sem colocar no papel uma reflexão sobre algum aspecto de nossa existência. Além da oração e das missas, a escrita faz parte integrante do cardápio diário que ofereço como alimento de minha alma. A vontade foi instigada pelos poderosos exemplos de minha infância e a inspiração pela presença constante do Espírito Divino em minha vida. Será pura coincidência que fui criado e que—depois de 54 anos—retornei para a terra do Divino? Sinto que aqui a minha criatividade adquire asas e parte para o infinito. As sementes plantadas há décadas se transformaram em frondosos cedros do Líbano debaixo dos quais eu me retiro para descansar e criar.
Mas, nem sempre foi assim. O meu primeiro livro, Genocídio cultural (Edições Paulinas), só veio à luz em 1991, isto é, depois que eu já tinha vivido meus bons 43 anos. Eu só adquiri a confiança necessária para publicar depois que, finalmente, saiu aquele primeiro livro. Públio Siro, escritor romano, disse que ninguém sabe o que é capaz de fazer até tentar. Até aquela idade eu não havia tido a coragem de tentar. Então, só inspiração não basta. É preciso ter a ousadia de fazer até conseguir. Depois vieram outras obras. Algumas eram rejeitadas pelas editoras, mas outras conseguiam aceitação. E, com o tempo, o hábito de escrever se instalou a tal ponto que, o dia que não escrevo, parece que me falta algo. Não importa se a obra será aceita ou não, o importante para mim é escrever. É estar com a mente fervilhando de ideias e os dedos acariciando o teclado. Parece até que sinto cocegas nos dedos, tal a vontade insana de criar.
As crônicas, depois de algum tempo, são organizadas e publicadas em forma de livros. Mas, também há as publicações, como por exemplo, Liderança e genialidade empresarial, Silêncio, plenitude de amor, O voo da borboleta azul, A aventura contemplativa e Vale de Luz, que são livros monotemáticos. Não importa qual seja a forma final de uma obra, o importante para mim é essa oportunidade que Deus me oferece de canalizar o talento que o Divino Espírito faz brotar em mim. Assim é comigo e assim também acontecerá com você, independentemente da sua área de atuação.









