Minas Gerais

Amemos uns aos outros

Ômar Souki

Procuro evitar ouvir ou ler os noticiários pela manhã, pois neles só há desamor. Desde os conflitos bélicos até as brigas políticas e econômicas, passando pelos abusos que os seres humanos cometem uns contra os outros, o que vemos na mídia nos leva a crer que o ser humano se comporta pior do que os animais selvagens, pondo em risco a própria espécie. Todas as manhãs durante a missa suplicamos que a paz esteja conosco, mas, na realidade, ela se torna cada dia mais distante. Somente um milagre de proporções colossais poderá salvar a humanidade. E, esse milagre deve, sem sombra de dúvidas, partir do próprio Criador. Foi ele que, na pessoa de Jesus de Nazaré, chegou até as últimas consequências para que a paz viesse, um dia, reinar sobre a Terra. Ele mesmo condicionou essa paz ao amor que tivermos uns para com os outros.

Está escrito: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus.  Aquele que ama é nascido de Deus e reconhece a Deus, porque Deus é amor (I João 4, 7-8).  Então, o que é o amor? Os gregos têm quatro palavras para definir o amor. Philia é o amor entre dois amigos, desinteressado e honesto. Eros é o romântico, apaixonado e carnal. Storge é o manifestado por membros da família: poderoso, eterno e incondicional. E, o ágape, o amor em seu sentido universal, aquilo que todos desejamos sentir, “amor incondicional para todos os seres vivos, que nos dá o desejo de fazer o bem. Esse sentimento pode nos inspirar a ser voluntários, a salvar o planeta, ou a realizar um simples ato de bondade” (Sílvia Regina Angerami, imom.com.br).

A prática do ágape acontece quando ajudamos de forma desinteressada. Se aplica a pessoas, a animais e até mesmo à própria natureza. Recentemente encontramos uma gatinha de aproximadamente um mês, abandonada em nossa casa de campo. Foi deixada pela mãe debaixo do fogão de lenha do lado de fora e despertou logo o amor ágape de minha esposa, Rejane, que passou a cuidar dela. Todas as vezes que olho para Rejane dando mamadeira para ela, admiro essa ternura que só pode ser traduzida pela palavra ágape.

Há pessoas que rompem os limites das possibilidades na prática do ágape. Tomemos como exemplo a irmã Dulce de Salvador, Bahia. Apenas impelida pela força ágape, a pequena irmã criou o Colégio Santo Antônio e o hospital de mesmo nome. Também instituiu as obras sociais irmã Dulce que atuam nas áreas da saúde e da educação. A ajuda aos pobres era o foco de sua atividade. Em 1949, sem ter onde abrigar cerca de 70 pessoas doentes que tirava das ruas, a santa transformou o galinheiro do convento Santo Antônio em um abrigo, que em 1960 se transformou no Hospital Santo Antônio, um dos maiores do nordeste.    

Enquanto alguns tiranos desequilibram o planeta com suas loucuras, temos, por outro lado, aqueles seres extraordinários que nos trazem de volta a esperança em um mundo melhor. Temos a garantia das Escrituras e dos santos de que um dia o bem triunfará. Enquanto isso, podemos cultivar, sem esmorecer, dia após dia a presença irresistível do ágape em nosso coração.

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