Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado, em transferências via Pix para casas de apostas, segundo boletim divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.
O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. No mesmo período considerado pelo estudo, de outubro de 2024 a março de 2026, isso deu uma média de R$ 4,7 bilhões por mês e equivalia a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias.
O dinheiro saiu pelo Pix e chegou às casas de apostas
As perdas levam em conta as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. Nesse intervalo, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.
O Boletim Fiscal dos Estados também mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação. Para o Comsefaz, essa mudança indica maior comprometimento da renda das famílias com as apostas.
A trava prevista na lei não estaria funcionando
A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, isso não tem ocorrido.
“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”
Desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, o boletim aponta desaceleração no ritmo das transações. Para o Comsefaz, o resultado mostra efeitos concretos sobre o volume agregado de transações e sugere que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.









