Região

Ex-prefeito de Guapé é condenado a 9 anos de prisão por usar recursos públicos em empreendimento particular

O ex-prefeito de Guapé Nelson Alves Lara foi condenado a 9 anos, 6 meses e 26 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por crimes de peculato e uso de documento falso. A condenação está relacionada às investigações da Operação Trem da Alegria, que apura irregularidades praticadas durante a administração municipal.

Na mesma ação, o empresário Reginaldo Fernandes Souza foi condenado a 8 anos, 2 meses e 6 dias de reclusão, também em regime inicial fechado. Os dois ainda foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

A investigação apontou que o esquema envolvia uma área rural ligada ao ex-prefeito e a utilização da estrutura pública municipal para beneficiar um empreendimento particular. O imóvel teria permanecido formalmente registrado em nome do empresário enquanto eram adotadas medidas para permitir a implantação de um projeto imobiliário no local.

De acordo com a apuração, documentos relacionados à titularidade do terreno foram utilizados durante o processo. A Justiça reconheceu a prática de uso de documento falso entre os crimes atribuídos aos condenados.

A investigação também identificou a utilização de recursos e equipamentos públicos em benefício do empreendimento privado. Entre os fatos apurados está o emprego de caminhões-pipa pertencentes à Prefeitura de Guapé nas obras realizadas na área.

O terreno, que inicialmente possuía características rurais e valor econômico menor, passou por mudanças que permitiram sua transformação em área urbana. Conforme as informações apresentadas durante o processo, a valorização alcançada pelo imóvel foi estimada em mais de R$ 10 milhões.

A atuação do poder público em benefício do empreendimento particular foi um dos pontos analisados pela Justiça. A utilização de bens e serviços municipais integra a acusação que resultou na condenação por peculato.

Reginaldo Fernandes Souza já se encontra preso. Ele havia sido colocado em liberdade anteriormente, mas voltou a ser detido depois de descumprir uma determinação judicial relacionada à indisponibilidade de bens e realizar a venda de caminhões atingidos pela medida.

A condenação integra uma das ações decorrentes da Operação Trem da Alegria, investigação que começou em fevereiro de 2024 para apurar suspeitas de corrupção e outros crimes relacionados à administração pública de Guapé.

Esta é a segunda condenação de Nelson Alves Lara decorrente das investigações da operação. Em fevereiro de 2026, o ex-prefeito já havia sido condenado em outro processo a 17 anos de prisão, em regime inicial fechado, por crimes relacionados a fatos investigados na mesma operação.

A primeira condenação envolveu acusações de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Outras pessoas também foram responsabilizadas naquela etapa das investigações.

Desde o início da Operação Trem da Alegria, foram realizadas diversas fases de investigação. Na primeira etapa, em fevereiro de 2024, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, seis mandados de prisão preventiva e seis determinações de afastamento de cargos públicos.

As investigações avançaram para apurar suspeitas envolvendo corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, falsidade ideológica, associação criminosa e atos destinados a dificultar as apurações.

As diferentes ações judiciais decorrentes da operação tratam de fatos específicos identificados ao longo das investigações. A condenação agora divulgada está relacionada diretamente ao empreendimento imobiliário e à utilização de recursos públicos municipais em benefício particular.

Nelson Alves Lara recebeu pena de 9 anos, 6 meses e 26 dias, enquanto Reginaldo Fernandes Souza foi condenado a 8 anos, 2 meses e 6 dias. Para ambos, a Justiça estabeleceu inicialmente o regime fechado, além da obrigação solidária de pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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