Três militares morrem em queda de avião da Polícia Militar de Minas Gerais no Vale do Aço; saiba quem são as vítimas

Três militares da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) morreram na tarde desta sexta-feira (9 de outubro), após a queda de uma aeronave da corporação nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, localizado em Santana do Paraíso, na região de Ipatinga. As vítimas foram identificadas como o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, a primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 33 anos, e a primeira-tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos. Os três integravam o Comando de Aviação do Estado (ComAvE) e participavam de uma atividade aérea de rechecagem de habilitação de pilotos.
O avião, identificado como Pégasus 17, de prefixo PP-EJO, era um Beechcraft B300 Super King Air utilizado pela Polícia Militar em operações aéreas. A aeronave havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16, com destino ao Vale do Aço. O acidente aconteceu por volta das 16h10, em uma área próxima à cabeceira da pista do aeroporto, nas imediações do quilômetro 43 da BR-458. Após atingir o solo, o avião pegou fogo, provocando a morte dos três ocupantes.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas para atender à ocorrência. O chamado aos bombeiros aconteceu por volta das 16h20. Imagens registradas por pessoas que estavam nas proximidades mostraram uma coluna de fumaça escura e as chamas que atingiram a aeronave. O incêndio comprometeu a estrutura do avião, que ficou destruído após a queda.
O tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, era comandante do Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado. Integrante da Polícia Militar desde 2004, ele acumulava mais de 5 mil horas de voo e aproximadamente 19 anos de experiência na aviação de segurança pública. Ao longo da carreira, atuou como piloto, instrutor de voo e examinador credenciado, além de exercer funções relacionadas ao treinamento de tripulações, operações aéreas, manutenção de aeronaves e coordenação de equipes.
Silvestre também participava da formação e da avaliação de pilotos da corporação. Sua trajetória profissional incluía atividades de instrução, capacitação operacional e acompanhamento de procedimentos utilizados pela aviação policial. No momento do acidente, ele estava a bordo da aeronave que realizava o voo de rechecagem, procedimento destinado à avaliação periódica das condições técnicas e operacionais dos pilotos.
A primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 33 anos, havia retornado recentemente às atividades profissionais após o período de licença-maternidade. Ela entrou para a história da Polícia Militar de Minas Gerais ao se tornar a primeira mulher da corporação habilitada para pilotar aeronaves de asas fixas do Comando de Aviação do Estado. Gabriela ingressou na instituição em 2017 e se tornou oficial em 2019, seguindo posteriormente para a área de aviação policial.
A trajetória da militar incluía a preparação técnica necessária para operar aviões utilizados nas atividades da corporação. Na quinta-feira (8), um dia antes do acidente, o Comando de Aviação havia divulgado uma homenagem relacionada ao retorno de Gabriela às atividades de voo após a licença-maternidade. A militar estava entre os três ocupantes do Pégasus 17 e morreu no local da queda.
A primeira-tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos, também integrava a equipe de pilotos do Comando de Aviação do Estado. Natural de Governador Valadares e criada em Caratinga, no Leste de Minas Gerais, ela iniciou sua trajetória na segurança pública no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, onde trabalhou durante sete anos. Posteriormente, ingressou no oficialato da Polícia Militar e passou a desenvolver sua carreira na instituição.
Depois de entrar para a PMMG, Alice participou do processo seletivo para integrar o Comando de Aviação do Estado e passou a atuar como piloto. A militar exercia atividades relacionadas às operações aéreas da corporação e estava entre os ocupantes do avião no momento do acidente. Assim como os outros dois militares, ela não resistiu à queda.
A aeronave realizava um voo de rechecagem de habilitação, procedimento periódico que permite avaliar a capacidade técnica dos pilotos para continuar exercendo determinadas atividades de aviação. Durante essas operações, são realizados procedimentos de voo e avaliações conduzidas por profissionais habilitados. A atividade faz parte dos requisitos de manutenção das qualificações necessárias para operar aeronaves.
A Polícia Militar informou que o avião estava com a manutenção em dia e que os pilotos possuíam as habilitações necessárias para a atividade. A aeronave também havia passado por um processo de modernização, com intervenções técnicas e substituição de equipamentos. Apesar dessas informações, ainda não foi possível determinar o que provocou a queda. Também não havia confirmação sobre a fase exata do voo em que ocorreu o acidente.
A investigação das causas ficará sob responsabilidade dos órgãos especializados em acidentes aeronáuticos, com atuação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O trabalho deverá analisar as condições da aeronave, os procedimentos realizados durante o voo e outros elementos que possam contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos.
A administração do Aeroporto Regional do Vale do Aço informou que as operações aeroportuárias continuaram normalmente após o acidente. A área da queda recebeu atendimento das equipes de emergência e passou a integrar os procedimentos de investigação.
A Polícia Militar de Minas Gerais confirmou oficialmente as três mortes e manifestou pesar pela perda dos integrantes do Comando de Aviação do Estado. As circunstâncias do acidente permanecem sob investigação, sem conclusão sobre a causa da queda até a noite desta sexta-feira (9).
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