Polícia

Primeira piloto de avião da Polícia Militar de Minas Gerais está entre as três vítimas de queda no Vale do Aço

A primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 33 anos, primeira mulher da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) habilitada para pilotar aviões do Comando de Aviação do Estado (ComAvE), morreu na tarde desta sexta-feira (9 de outubro), após a queda de uma aeronave da corporação em Santana do Paraíso, no Vale do Aço. A militar havia retornado recentemente da licença-maternidade e recebeu uma homenagem nas redes sociais da instituição na quinta-feira (8), um dia antes do acidente que matou três integrantes da Polícia Militar.

Gabriela entrou para a história da corporação em 23 de fevereiro de 2026, quando conquistou a habilitação para conduzir aeronaves de asas fixas. Até então, nenhuma mulher da Polícia Militar de Minas Gerais havia alcançado essa qualificação no Comando de Aviação do Estado. A formação permitiu que a oficial integrasse as operações realizadas com aviões da instituição, utilizados em diferentes atividades relacionadas à segurança pública.

A tenente ingressou na Polícia Militar em fevereiro de 2017 e se tornou oficial em 2019. Durante sua trajetória profissional, trabalhou no 34º Batalhão da PM, em Belo Horizonte, e passou pelo Comando Tático Móvel do 41º Batalhão, também na capital mineira. Posteriormente, ingressou na aviação policial e participou da formação necessária para se tornar piloto de aeronaves de asas fixas.

Mãe de duas crianças, Gabriela havia dado à luz ao segundo filho recentemente e estava retomando suas atividades profissionais após a licença-maternidade. Na quinta-feira (8), o Comando de Aviação publicou uma homenagem à militar, destacando sua atuação como policial, piloto e mãe. A publicação também mostrou momentos da rotina familiar e profissional da tenente.

Na mensagem divulgada, a corporação destacou: “Ser mãe. Ser piloto. Ser policial militar. Três papéis, uma só mulher — e uma coragem que vai muito além do voo”. A homenagem foi encerrada com a mensagem: “Bem-vinda de volta, Tenente Emília!”.

Um dia depois da publicação, Gabriela estava a bordo do avião Pégasus 17, de prefixo PP-EJO, que realizava uma atividade de rechecagem de habilitação de pilotos. A aeronave havia saído do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16, com destino ao Aeroporto Regional do Vale do Aço, na região de Ipatinga.

O avião caiu nas proximidades do aeroporto de destino, em uma área próxima ao quilômetro 43 da BR-458, no município de Santana do Paraíso. A aeronave pegou fogo após atingir o solo, e equipes de emergência foram mobilizadas para atender à ocorrência.

Além de Gabriela Emília, morreram no acidente o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, e a primeira-tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos. Os três integravam o Comando de Aviação do Estado e participavam da atividade aérea realizada nesta sexta-feira.

Três militares em trajes de voo; mulher sorridente à esquerda, homem sério no centro e mulher sorridente à direita, todos com distintivos no uniforme.

O tenente-coronel Luis Fernando Silvestre comandava o Esquadrão de Aviões da PMMG e acumulava mais de 5 mil horas de voo. Ele atuava como piloto, instrutor e examinador de profissionais da aviação. A primeira-tenente Alice Almeida também exercia atividades na aviação policial e havia trabalhado anteriormente no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

A aeronave envolvida no acidente era um bimotor Beechcraft King Air, utilizado pela Polícia Militar em operações aéreas. O voo fazia parte de um procedimento periódico de avaliação da habilitação dos pilotos, destinado a verificar as condições técnicas e operacionais necessárias para a continuidade das atividades.

A Polícia Militar informou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que os pilotos possuíam as habilitações exigidas. As circunstâncias da queda serão analisadas pelos órgãos responsáveis pela investigação aeronáutica. Até o momento, não há conclusão sobre o que provocou o acidente.

A morte de Gabriela Emília ocorreu menos de oito meses depois de sua habilitação como a primeira mulher piloto de aviões da Polícia Militar de Minas Gerais. A oficial havia retomado recentemente suas funções após a licença-maternidade e recebeu a homenagem institucional um dia antes do acidente.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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