Polícia

Golpistas se passam por funcionários do Boticário e Mercado Livre e usam reconhecimento facial para aplicar golpes de até R$ 80 mil em Formiga

Cinco homens foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por envolvimento em uma série de golpes praticados contra moradores de Formiga, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O grupo se apresentava como representante de empresas conhecidas, como O Boticário e Mercado Livre, e procurava pessoas em suas residências com a informação de que elas haviam ganhado brindes. Durante a suposta entrega, os envolvidos utilizavam o reconhecimento facial das vítimas para abrir contas bancárias e contratar empréstimos sem autorização. O prejuízo estimado chega a R$ 80 mil, e aproximadamente dez pessoas podem ter sido alvo da ação criminosa.

O caso foi detalhado pelo promotor de Justiça Ângelo Ansanelli Júnior, que atua em Formiga. As investigações apontam que os cinco homens vieram de São Paulo e se hospedaram em um hotel da cidade antes de iniciar as abordagens. A partir do local onde estavam instalados, passaram a procurar moradores em diferentes endereços, utilizando a promessa de entrega de brindes como forma de conseguir acesso às vítimas.

Segundo as informações apresentadas pelo promotor, os envolvidos já possuíam dados pessoais de algumas das pessoas abordadas. Ao chegar às residências, afirmavam representar empresas conhecidas e informavam que o morador havia sido contemplado com um presente. A abordagem buscava transmitir confiança e convencer a pessoa de que se tratava de uma entrega legítima.

Depois de apresentar o suposto brinde, os homens pediam autorização para fotografar o morador. A justificativa era de que a imagem seria necessária para comprovar que o produto havia sido entregue corretamente. Entretanto, o procedimento era realizado por meio de um aplicativo de reconhecimento facial, permitindo a utilização da imagem da vítima em operações financeiras.

Com os dados pessoais e o reconhecimento facial, os envolvidos conseguiam abrir contas bancárias em nome das pessoas abordadas. As investigações também identificaram a contratação de empréstimos sem o conhecimento ou a autorização dos titulares. As movimentações financeiras provocaram prejuízos estimados entre R$ 70 mil e R$ 80 mil.

O nome de empresas como O Boticário e Mercado Livre era utilizado pelos integrantes do grupo durante as abordagens. A utilização dessas marcas fazia parte da estratégia para convencer os moradores a aceitar os brindes e permitir a realização das fotografias. Não há indicação de participação das empresas nas fraudes investigadas.

Uma das situações relatadas pelo promotor envolveu uma pessoa que se recusou a permitir que o homem responsável pela entrega tirasse sua fotografia. Diante da negativa, o indivíduo pediu um copo de água. Quando a moradora entrou na residência para buscar a bebida, ele aproveitou o momento em que ela retornou para registrar sua imagem sem autorização.

A fotografia obtida nessa circunstância teria sido utilizada para realizar o reconhecimento facial da vítima, mesmo depois de ela ter recusado expressamente o procedimento. O episódio foi apresentado durante a apuração como uma das formas utilizadas pelos envolvidos para obter imagens de pessoas que demonstravam resistência à abordagem.

As investigações apontam que aproximadamente dez pessoas podem ter sido abordadas pelos integrantes do grupo em Formiga. Em alguns casos, os envolvidos conseguiram realizar as operações financeiras. Em outros, a ação não chegou a ser concluída porque os moradores recusaram o procedimento ou houve intervenção policial antes da concretização da fraude.

A atuação policial contribuiu para interromper parte das abordagens realizadas na cidade. As informações reunidas durante a investigação permitiram identificar os envolvidos e os procedimentos utilizados para obter os dados das vítimas.

Com o avanço da apuração, o Ministério Público apresentou denúncia contra cinco homens por participação nos golpes. O procedimento foi conduzido pela Promotoria de Justiça de Formiga, com atuação do promotor Ângelo Ansanelli Júnior, que apresentou detalhes sobre a forma de atuação do grupo e os prejuízos financeiros identificados.

Os cinco denunciados respondem ao processo em liberdade. A investigação reuniu informações sobre as abordagens, a utilização de dados pessoais e a abertura de contas bancárias em nome das vítimas, além das operações financeiras realizadas sem autorização.

O caso também chama a atenção para a utilização de ferramentas de reconhecimento facial em golpes financeiros. Aplicativos que utilizam a imagem do rosto para confirmar a identidade de uma pessoa são empregados em diferentes serviços digitais. No esquema investigado em Formiga, os envolvidos teriam utilizado esse recurso para realizar procedimentos bancários em nome de terceiros.

A estratégia adotada pelo grupo envolvia uma abordagem presencial, sem a necessidade de que as vítimas acessassem links enviados por mensagens ou realizassem transferências bancárias diretamente. A fraude começava com a promessa de um presente e avançava a partir da obtenção da fotografia e dos dados pessoais.

As informações apresentadas durante a investigação indicam que os criminosos procuravam pessoas em suas próprias residências. Essa característica diferenciava a abordagem de outros golpes realizados exclusivamente pela internet ou por telefone, já que os envolvidos estabeleciam contato direto com os moradores.

Diante da situação, o Ministério Público orienta a população a verificar a procedência de entregas inesperadas e a não permitir que desconhecidos realizem fotografias ou procedimentos de reconhecimento facial sem confirmação da legitimidade do serviço. A recomendação também é evitar o fornecimento de CPF e outros dados pessoais durante abordagens suspeitas.

Moradores que receberem visitas de pessoas oferecendo brindes em nome de empresas devem procurar os canais oficiais das marcas para confirmar a existência da promoção. Em situações que apresentem indícios de fraude, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

O caso registrado em Formiga resultou na denúncia de cinco homens e na identificação de prejuízos financeiros estimados em até R$ 80 mil. A responsabilização dos envolvidos dependerá do andamento do processo judicial, que analisará as provas reunidas sobre as abordagens e as operações bancárias realizadas em nome das vítimas.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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