Polícia

Polícia Civil conclui que menina desaparecida há três anos foi sequestrada e assassinada após morte da mãe

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que o pai de Evellyn Jasmin Machado Acacio, menina que desapareceu aos 8 anos em Sabará, foi o mandante da ação planejada contra a ex-companheira Katlyn Lorrayne Oliveira e que terminou com três mortes. Katlyn foi assassinada durante a tentativa de sequestro, a cabeleireira Ana Raquel Brito Santana também foi morta durante a ação e Evellyn, levada pelos envolvidos depois dos crimes, foi posteriormente assassinada. O corpo da criança ainda não foi localizado.

O inquérito foi concluído nesta quinta-feira (27), depois de aproximadamente três anos de investigação conduzida pela Polícia Civil. O delegado Murillo Ribeiro de Lima apresentou os resultados da apuração e informou que quatro pessoas foram apontadas como envolvidas na sequência de crimes. Três suspeitos permanecem vivos, enquanto um quarto morreu durante o andamento das investigações.

Segundo a Polícia Civil, Sildirley Silva Acacio Machado, conhecido como “Di”, pai de Evellyn e ex-companheiro de Katlyn, é apontado como o mandante da ação. Ele estava preso na Penitenciária de Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais, quando teria participado do planejamento do sequestro da ex-companheira.

A investigação concluiu que o plano inicial tinha Katlyn como alvo. Conforme as informações apresentadas pela Polícia Civil, Sildirley teria determinado que a ex-companheira fosse sequestrada e agredida. A apuração aponta que a intenção era deixá-la cega para impedir que ela continuasse fazendo denúncias contra ele nas redes sociais.

Katlyn publicava acusações contra o ex-companheiro e, segundo a investigação, também o relacionava à morte de um homem com quem ela havia mantido um relacionamento. As publicações e as desavenças entre os dois foram analisadas durante o inquérito para estabelecer os acontecimentos que antecederam o sequestro.

O delegado responsável pelo caso informou ainda que a Polícia Civil apurou um episódio anterior envolvendo Katlyn. Segundo a investigação, meses antes do desaparecimento de Evellyn, Sildirley já teria ordenado agressões contra a ex-companheira. Essa ocorrência passou a integrar a análise sobre o histórico de conflitos entre os dois.

A Polícia Civil identificou também medidas adotadas pelos envolvidos antes da execução do plano. Entre os elementos apurados estão o acompanhamento dos deslocamentos de Katlyn, a utilização de veículos e a preparação de um local que posteriormente serviria como cativeiro para Evellyn. Os investigadores analisaram informações telefônicas, registros de veículos, imagens e depoimentos para reconstruir a sequência dos fatos.

Na noite do crime, em junho de 2023, Katlyn estava em um salão de beleza no bairro General Carneiro, em Sabará, acompanhada da filha. A proprietária do estabelecimento, Ana Raquel Brito Santana, atendia Katlyn quando os homens apontados pela Polícia Civil como executores chegaram ao local.

Segundo a investigação, os suspeitos tinham como objetivo retirar Katlyn do salão e cumprir a ordem relacionada ao sequestro. Ana Raquel tentou impedir a ação e acabou atacada. A Polícia Civil informou que a cabeleireira foi atingida na cabeça com um martelo.

Após o ataque dentro do estabelecimento, Katlyn e Evellyn foram levadas pelos suspeitos. Ana Raquel também foi retirada do local, e o corpo dela foi posteriormente encontrado dentro de um veículo abandonado às margens da BR-040, próximo ao bairro Morada Nova, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Polícia Civil relacionou o automóvel onde o corpo da cabeleireira foi localizado a uma mulher indiciada no caso. Segundo a apuração, ela teria ligação com Sildirley e participado da estrutura utilizada para a execução do plano. O veículo teria sido disponibilizado para os envolvidos durante a sequência de crimes.

Katlyn, por sua vez, tentou escapar durante o deslocamento. Segundo a investigação, ela conseguiu sair do veículo e correu pela rua, mas os suspeitos retornaram e foram atrás dela. Câmeras de segurança registraram parte da movimentação.

As imagens analisadas pela polícia mostram Katlyn correndo antes de ser alcançada por um veículo. Na sequência, foram registrados disparos. Ela foi atingida e morreu. O corpo foi encontrado na região do bairro Nações Unidas, em Sabará.

Depois da morte da mãe, Evellyn permaneceu com os envolvidos. Segundo a conclusão do inquérito, a menina foi transportada até um sítio na região de Ravena, distrito de Sabará, que havia sido utilizado pelo grupo durante a ação.

A criança permaneceu no imóvel durante o dia. A Polícia Civil concluiu que os envolvidos aguardavam novas orientações do pai da menina, apontado como mandante da ação contra Katlyn. Nesse período, entretanto, a comunicação com Sildirley foi interrompida.

Segundo a investigação, agentes penitenciários encontraram um aparelho celular dentro da cela onde Sildirley estava preso. A apreensão ocorreu depois da ação que resultou nas mortes de Katlyn e Ana Raquel e afetou a comunicação do detento com os demais envolvidos.

Sem conseguir contato com o pai de Evellyn, os suspeitos passaram a decidir o destino da criança. De acordo com a Polícia Civil, Evellyn conhecia integrantes do grupo e poderia identificá-los caso fosse libertada.

A investigação concluiu que essa possibilidade levou os envolvidos a decidir pela morte da menina. Evellyn foi retirada do sítio e levada para uma região de mata. O trajeto posteriormente foi reconstruído pelos investigadores a partir das provas reunidas no inquérito.

Segundo a Polícia Civil, a menina foi assassinada nessa área e o corpo foi deixado na vegetação. A corporação não encontrou os restos mortais, mas informou que reuniu elementos suficientes para concluir que Evellyn foi morta após deixar o cativeiro.

Um dos investigados forneceu posteriormente informações sobre o deslocamento realizado naquele dia e apontou a região onde Evellyn teria sido levada. Em julho de 2026, equipes da Polícia Civil realizaram novas buscas na área indicada, mas não localizaram o corpo.

O intervalo de três anos entre o crime e as novas buscas também foi considerado durante os trabalhos. A área indicada passou por diligências, mas nenhum resto mortal da criança foi encontrado. Mesmo sem a localização do corpo, a Polícia Civil encerrou o inquérito com a conclusão de homicídio.

A investigação identificou quatro pessoas como envolvidas. Sildirley foi apontado como mandante; uma mulher foi indicada como participante da preparação da ação; e dois homens foram apontados como executores dos crimes.

Segundo as informações apresentadas pela Polícia Civil, a mulher indiciada tinha ligação com Sildirley e era proprietária de um dos veículos relacionados ao caso. Os investigadores também analisaram a participação dela nos preparativos anteriores ao sequestro.

Os dois homens apontados como executores foram relacionados à invasão do salão, ao sequestro e aos deslocamentos realizados posteriormente. A Polícia Civil individualizou as condutas atribuídas aos investigados no relatório encaminhado ao Ministério Público.

Um dos quatro envolvidos morreu em setembro de 2024 durante o andamento das investigações. Segundo a Polícia Civil, esse homem é apontado como um dos executores e teria participação na morte de Evellyn. A morte dele também passou a ser objeto de apuração separada.

As primeiras prisões relacionadas ao caso ocorreram ainda em julho de 2023, poucas semanas depois do desaparecimento. Naquele período, investigadores cumpriram diligências em Belo Horizonte, Ribeirão das Neves e Ipatinga enquanto as buscas pela menina continuavam.

Durante aproximadamente três anos, a Polícia Civil reuniu informações em diferentes etapas da investigação. Foram analisados aparelhos celulares, registros de comunicação, veículos utilizados pelos suspeitos, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e dados sobre os deslocamentos realizados no período dos crimes.

As diligências também ocorreram fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A investigação avançou por diferentes municípios enquanto as equipes tentavam localizar Evellyn e esclarecer a participação de cada suspeito na ação iniciada contra Katlyn.

O caso passou inicialmente a ser investigado como desaparecimento e sequestro da criança. Com o avanço das diligências, a Polícia Civil reuniu elementos relacionados às mortes da mãe e da cabeleireira e, posteriormente, chegou à conclusão de que Evellyn também havia sido assassinada.

A sequência apresentada pela Polícia Civil estabelece que o plano começou com uma ordem para sequestrar Katlyn; Ana Raquel foi morta ao tentar interferir na ação; Katlyn foi assassinada após tentar fugir; e Evellyn foi levada para o sítio de Ravena antes de ser conduzida para a área de mata onde teria sido morta.

A investigação também concluiu que o crime contra Evellyn não fazia parte do objetivo inicial atribuído ao pai. Segundo o delegado responsável, a decisão de matar a criança teria sido tomada pelos executores depois que perderam contato com Sildirley e consideraram que Evellyn poderia reconhecer os envolvidos.

Esse ponto diferencia a participação atribuída aos investigados. A Polícia Civil aponta Sildirley como mandante da ação contra a ex-companheira, enquanto a decisão posterior de matar Evellyn é atribuída aos homens que estavam com a criança após o sequestro. A responsabilidade de cada acusado será analisada judicialmente.

Ao final do inquérito, os investigados foram relacionados a crimes que incluem triplo homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e outras infrações identificadas durante a apuração, conforme as condutas atribuídas individualmente pela Polícia Civil.

O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público. Segundo as informações divulgadas após a conclusão da investigação, houve apresentação de denúncia à Justiça contra os investigados que permanecem vivos. O recebimento da denúncia e as etapas posteriores definirão o andamento da ação penal.

A conclusão policial não representa condenação. As acusações apresentadas no inquérito e na denúncia serão analisadas pela Justiça, e os investigados terão direito de apresentar defesa durante o processo.

O corpo de Evellyn permanece sem ser localizado. A menina continuou registrada como desaparecida durante os três anos seguintes ao sequestro, até a Polícia Civil anunciar nesta quinta-feira a conclusão de que ela foi assassinada depois das mortes da mãe e da cabeleireira.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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