Polícia

Ítalo Jefersson é condenado a 65 anos e oito meses por feminicídio, estupro e ocultação do corpo de Vanessa Lara

Ítalo Jefersson da Silva foi condenado nesta quarta-feira, 30 de setembro, a 65 anos e oito meses de prisão pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação do cadáver da estudante de Psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da Comarca de Juatuba, sete meses depois dos crimes que resultaram na morte da jovem, que morava em Pará de Minas e havia saído do trabalho para retornar para casa quando desapareceu.

A sessão do Tribunal do Júri começou às 9h40 e terminou às 19h26, depois de aproximadamente dez horas de trabalhos. Ao longo do julgamento, foram analisadas as acusações relacionadas à morte de Vanessa, ouvidas seis testemunhas e realizado o interrogatório do réu antes de o Conselho de Sentença decidir sobre os crimes atribuídos a Ítalo Jefersson.

Retrato de um homem com expressão séria usando uma camiseta preta escrita 'HUMANITARIAN'.

O Conselho de Sentença foi formado por seis mulheres e um homem. A sessão foi presidida pela juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo, da Vara Única da Comarca de Juatuba. Após a votação dos quesitos, os jurados reconheceram a responsabilidade criminal do réu pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver.

A pena total estabelecida chegou a 65 anos e oito meses de reclusão, além de 23 dias-multa. A sentença determinou o cumprimento inicialmente em regime fechado e estabeleceu que Ítalo Jefersson não poderá recorrer em liberdade, permanecendo preso durante a tramitação de eventuais recursos apresentados pela defesa.

Também foi determinado o pagamento de R$ 100 mil por danos morais à família de Vanessa. O valor foi fixado na própria sentença criminal após pedido apresentado durante o processo e integra as consequências estabelecidas após a condenação pelo Tribunal do Júri.

Vanessa Lara de Oliveira Silva tinha 23 anos e estudava Psicologia. A jovem morava com a família em Pará de Minas e conciliava a formação acadêmica com o trabalho, realizando deslocamentos para Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O crime aconteceu em 9 de fevereiro de 2026. Naquele dia, Vanessa estava trabalhando em Juatuba e, depois de encerrar suas atividades, iniciou o caminho que faria até um ponto de ônibus para retornar a Pará de Minas. A estudante, porém, não conseguiu completar o trajeto e não chegou à residência da família.

Depois de deixar o trabalho, Vanessa seguiu a pé em direção à região da BR-262, onde pretendia pegar o transporte coletivo. O caminho percorrido pela jovem passou a ser fundamental para a investigação depois que familiares perceberam seu desaparecimento e começaram a procurar informações sobre onde ela poderia estar.

Com Vanessa sem retornar para casa e sem estabelecer contato, familiares iniciaram as buscas. A preocupação aumentou à medida que as horas passaram e não havia informações sobre a estudante. O desaparecimento mobilizou diferentes pessoas e posteriormente passou a ser investigado pelas autoridades.

Imagens registradas por câmeras de segurança ajudaram a reconstruir parte do percurso feito pela jovem após deixar o trabalho. Os registros possibilitaram identificar pontos pelos quais Vanessa havia passado e direcionaram as buscas para a região situada entre o local onde trabalhava e o ponto onde pretendia embarcar.

No dia seguinte ao desaparecimento, 10 de fevereiro, o corpo de Vanessa foi localizado em uma área de vegetação em Juatuba. O ponto ficava próximo ao trajeto que a estudante utilizaria para chegar ao transporte coletivo que faria o retorno para casa.

Um drone empregado durante os trabalhos de busca auxiliou na localização do corpo em meio à vegetação. A partir da descoberta, o local foi preservado para a realização dos procedimentos periciais e para a coleta de elementos que pudessem auxiliar na identificação do responsável pelo crime.

As investigações passaram a reconstruir os últimos momentos da estudante e apontaram que Vanessa foi seguida enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus. Os elementos reunidos posteriormente passaram a sustentar a acusação apresentada à Justiça contra Ítalo Jefersson.

A acusação apontou que Vanessa foi abordada em uma área de vegetação durante o trajeto. O processo reconheceu que a estudante foi submetida a violência sexual e posteriormente morta por asfixia, circunstâncias que integraram as acusações submetidas ao Conselho de Sentença durante o julgamento.

Depois da morte, o corpo da estudante foi ocultado na área onde acabou localizado durante as buscas realizadas no dia seguinte. A ocultação do cadáver constituiu um dos crimes pelos quais Ítalo Jefersson foi levado a julgamento e condenado nesta quarta-feira.

Vanessa e Ítalo Jefersson não mantinham relacionamento afetivo e não possuíam vínculo anterior conhecido. As investigações não apontaram que fossem companheiros, ex-companheiros ou que mantivessem convivência anterior. A abordagem ocorreu enquanto a estudante realizava o trajeto após deixar o trabalho.

Após a localização do corpo, as equipes responsáveis pela investigação passaram a concentrar esforços na identificação do responsável e na reconstrução detalhada do que havia ocorrido entre o desaparecimento e a localização da jovem.

As diligências realizadas nos dias seguintes levaram à identificação de Ítalo Jefersson. Ele foi localizado em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, três dias depois do crime, em 12 de fevereiro de 2026.

Depois de ser localizado, Ítalo passou a responder pelas acusações relacionadas à morte da estudante. Durante as investigações, ele admitiu ter causado a morte de Vanessa, mas apresentou versões diferentes sobre determinados pontos da ocorrência.

Em uma das versões apresentadas durante a apuração, Ítalo negou ter cometido violência sexual e afirmou que teria agido em legítima defesa. A versão foi confrontada com os elementos reunidos durante a investigação e não foi acolhida pelo Conselho de Sentença no julgamento.

Com o avanço da apuração, o caso seguiu para a Justiça e Ítalo passou a responder formalmente pelos crimes posteriormente submetidos ao Tribunal do Júri. O processo percorreu as etapas judiciais necessárias até que fosse marcado o julgamento realizado nesta quarta-feira.

Após a prisão, Ítalo Jefersson foi encaminhado ao Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele permaneceu sob custódia enquanto o processo relacionado à morte de Vanessa avançava.

O histórico criminal do condenado passou a ganhar atenção durante os desdobramentos do caso. Antes dos crimes contra Vanessa, Ítalo já possuía várias condenações e havia permanecido por longo período no sistema prisional.

Entre os antecedentes estavam quatro condenações por roubo e três condenações por estupro, além de registros relacionados a furto e resistência. Ítalo estava inserido no sistema prisional desde 2003 e havia cumprido parte das penas decorrentes dos processos anteriores.

A situação prisional do condenado havia passado por alterações antes da morte de Vanessa. Uma decisão judicial relacionada a uma condenação por tráfico de drogas repercutiu no cálculo da pena que ele cumpria e contribuiu para uma mudança no regime.

Ítalo estava fora do regime fechado desde 20 de dezembro de 2025. A mudança ocorreu menos de dois meses antes do crime praticado contra Vanessa, em fevereiro de 2026, circunstância que passou a integrar a repercussão do caso após a prisão.

A decisão que modificou sua situação ocorreu após uma alteração judicial referente ao crime de tráfico de drogas, com reflexos sobre o cálculo das penas. Com a nova situação jurídica, houve progressão e consequente cumprimento da pena fora do regime fechado.

Também havia previsão de monitoramento eletrônico dentro das condições relacionadas ao cumprimento da pena. A situação anterior do condenado passou a ser examinada publicamente após o novo crime em razão de seu histórico de condenações e do período transcorrido desde a progressão.

Após a prisão por envolvimento na morte de Vanessa, Ítalo permaneceu no sistema prisional e acompanhou o avanço do novo processo. As acusações foram submetidas às etapas previstas pela legislação até que o caso chegasse ao Tribunal do Júri.

A denúncia envolvendo a morte de Vanessa incluiu feminicídio qualificado por asfixia, estupro e ocultação de cadáver. Os fatos foram analisados durante a instrução e chegaram ao julgamento com base nos elementos reunidos durante a investigação e nas fases posteriores do processo.

O caso tramita em segredo de justiça, condição que restringe o acesso público a determinados documentos, depoimentos, laudos e outros elementos do processo. Por essa razão, nem todas as informações discutidas durante a investigação e o julgamento estão disponíveis para divulgação.

Durante a sessão desta quarta-feira, as seis testemunhas convocadas foram ouvidas antes do interrogatório de Ítalo Jefersson. Depois dessa etapa e das manifestações previstas durante o júri, os sete integrantes do Conselho de Sentença responderam aos quesitos relacionados às acusações.

A decisão dos jurados resultou na condenação pelos três crimes submetidos ao julgamento. A soma das penas estabelecidas chegou a 65 anos e oito meses de reclusão, com determinação para que o condenado permaneça preso e comece o cumprimento da sentença em regime fechado.

A morte de Vanessa teve forte repercussão em Pará de Minas, município onde ela residia e mantinha vínculos familiares e acadêmicos. A estudante cursava Psicologia e o caso provocou mobilizações após a confirmação de sua morte e a prisão do responsável.

Um dos desdobramentos ocorridos posteriormente em Pará de Minas foi a criação de uma iniciativa que recebeu o nome da estudante. A chamada Lei Vanessa Lara estabeleceu medidas relacionadas à implantação de ações de defesa pessoal e prevenção da violência contra mulheres.

A proposta prevê atividades voltadas à autoproteção, orientação e fortalecimento das mulheres diante de situações de violência, além da possibilidade de integração com outras políticas municipais de proteção e prevenção.

O caso também provocou desdobramentos em outras áreas do Judiciário. Uma ação separada passou a discutir questões relacionadas às condições do trecho próximo à BR-262 e ao caminho utilizado por Vanessa durante o deslocamento para o ponto de ônibus.

Esse processo possui natureza diferente da ação criminal que resultou na condenação de Ítalo Jefersson e segue procedimentos próprios. A condenação desta quarta-feira se refere diretamente aos crimes cometidos contra Vanessa e julgados pelo Tribunal do Júri.

Entre o desaparecimento da estudante e o julgamento transcorreram aproximadamente sete meses. Nesse período, o caso passou pelas buscas, localização do corpo, investigação policial, identificação e prisão do suspeito, apresentação da denúncia, desenvolvimento do processo e realização da sessão do júri.

A condenação anunciada nesta quarta-feira representa uma das principais etapas judiciais do caso. Ítalo Jefersson da Silva foi responsabilizado criminalmente pelo feminicídio qualificado, estupro e ocultação do cadáver de Vanessa Lara de Oliveira Silva e deverá permanecer no sistema prisional.

Embora a defesa possa utilizar os recursos previstos pela legislação, a sentença estabelece que o condenado não poderá recorrer em liberdade. Dessa forma, Ítalo seguirá preso enquanto eventuais questionamentos sobre a decisão forem apreciados.

O Portal G37 acompanha os desdobramentos do caso desde as informações relacionadas à morte da estudante e seguirá atualizando a situação caso ocorram novas decisões judiciais. Com o resultado do julgamento realizado nesta quarta-feira, Ítalo Jefersson recebeu pena de 65 anos e oito meses de reclusão pelos crimes cometidos contra Vanessa Lara.

Fotos – TJMG

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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