Homem é flagrado em ato sexual com cadela, dono reage com agressões e os dois acabam presos
Um caso grave de maus-tratos a animais chocou a cidade de Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, na madrugada de quarta-feira (17). Um homem de 33 anos foi surpreendido pelo tutor de uma cadela ao manter ato sexual com o animal. A cena gerou revolta imediata e o dono, de 20 anos, partiu para cima do suspeito, aplicando golpes de capoeira. Ambos foram detidos pela Polícia Militar e conduzidos à delegacia.
De acordo com o boletim de ocorrência, os vizinhos ouviram barulhos estranhos vindos do quintal da residência e acionaram o tutor. Ao chegar, ele flagrou o suspeito cometendo o abuso contra a cadela. O jovem exigiu que o homem interrompesse o ato, mas não foi atendido. Em seguida, iniciou-se a agressão, que resultou em hematomas no corpo e no rosto do suspeito.
A Polícia Militar foi chamada por moradores que presenciaram parte da confusão. Quando chegaram, os militares encontraram o suspeito desorientado e sangrando devido às agressões. O tutor da cadela também apresentava escoriações. Ambos receberam atendimento médico e, logo depois, foram conduzidos à delegacia de plantão para prestar esclarecimentos.
A cadela apresentava inchaço na vulva e corrimento, sinais compatíveis com violência sexual. Segundo os policiais, a equipe tentou encaminhar o animal a um veterinário imediatamente, mas não havia profissional disponível no momento. Outros familiares do tutor se comprometeram a providenciar avaliação clínica para a cadela, garantindo os devidos cuidados.
O suspeito foi autuado pelo crime de maus-tratos a animais, previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e agravado pela Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão para casos de crueldade contra cães e gatos. O tutor do animal, por sua vez, foi preso por lesão corporal, já que admitiu ter agredido o homem flagrado.
Em depoimento, o jovem de 20 anos afirmou que agiu de forma instintiva ao se deparar com a cena. Apesar da indignação, a Polícia Civil destacou que a lei não permite reações violentas, mesmo em casos de flagrante. A função de responsabilizar deve recair exclusivamente sobre as autoridades, motivo pelo qual ambos permaneceram detidos para apuração judicial.
O caso causou forte repercussão na comunidade de Manhuaçu e rapidamente ganhou destaque nas redes sociais. Moradores expressaram revolta diante da violência contra o animal e também dividiram opiniões sobre a atitude do tutor. Organizações de proteção animal manifestaram apoio para acompanhar o tratamento da cadela e cobraram punições rigorosas ao agressor.
Especialistas em direito ambiental ressaltam que, embora a prática de zoofilia ainda não seja tipificada de forma autônoma no Código Penal, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam criminalizar especificamente essa conduta, com penas mais severas. Atualmente, esses casos são enquadrados como maus-tratos, o que limita a punição em alguns cenários.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso e aguarda o laudo veterinário da cadela, que será essencial para comprovar a materialidade do crime. O Ministério Público de Minas Gerais deve ser acionado para analisar a denúncia e oferecer acusação formal contra o suspeito. O tutor também responderá por lesão corporal em processo paralelo.
Para as autoridades, episódios como este reforçam a necessidade de conscientização e denúncia em situações de violência contra animais. A PM orienta que, em casos semelhantes, a população acione imediatamente o 190 para garantir uma resposta rápida e evitar reações que resultem em novos crimes. O caso segue em investigação e ambos os envolvidos permanecem à disposição da Justiça.









