Minas Gerais

No princípio era o Verbo…

Ômar Souki

“No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreendem” (João 1, 1-5). “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam férteis e multipliquem-se’! Encham e subjuguem a Terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela Terra” (Gênesis 1, 27-28).

Essas duas passagens apontam para a incrível responsabilidade que o Criador colocou em nossas mãos. Temos a capacidade de verbalizar as coisas, mas nem todos sabemos do poder que as nossas palavras têm. Em geral, falamos sem pensar muito e, nem de longe, vislumbramos o poder que cada pensamento e cada palavra carrega consigo. Por termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, assim como ele, temos em nossa mente e em nossa língua a capacidade de criar o nosso mundo. Se falarmos para alguém que ele é quem cria a sua realidade, essa pessoa talvez não acredite em nós. Isso acontece porque a grande maioria vive por viver, sem sonhos, sem planejamento, sem metas.

O sonho de Santa Teresinha era entrar no Carmelo. Mas estava ainda com quatorze anos e não sabia como revelar esse desejo ao pai. Relatou em seu livro História de uma alma: “Escolhido o dia de Pentecostes para esta importantíssima entrevista, passei-o todo a implorar as luzes do Espírito Santo e a suplicar aos Apóstolos que intercedessem por mim e me inspirassem as palavras que havia de dizer ao papai” (p. 89). Ela conseguiu abrir-se para o pai e revelar que desejava entrar para a vida religiosa o quanto antes. E, mesmo o pai lhe explicando que era ainda muito nova para tomar uma decisão tão importante, ela conseguiu convencê-lo a dar-lhe a almeja permissão. Teve de vencer a oposição das autoridades, mas garantiu que “…estava certa de que força nenhuma seria capaz de me afastar do objeto divino que me roubara o coração…” (p. 94).

O desejo da santa estava definido e, com determinação, ela levou a sua causa até o papa Leão XIII que lhe disse que sim, ela entraria no Carmelo, se essa fosse a vontade de Deus. E, de fato, aos 15 anos, realizou o que havia solicitado ao Criador. Apesar da oposição dos superiores, Teresinha, jamais esmoreceu. Uma vez estabelecida uma meta, é importante comunicá-la a quem pode nos ajudar e persistir até conquistá-la. Deus nos fez à sua imagem e semelhança, portanto, os nossos pedidos—desde que sejam construtivos—serão atendidos.

Basta que você “entre no seu quarto interior, ore ao seu Pai em segredo, e, o seu Pai, que está em segredo, recompensará você” (Mateus 6, 6). À medida que aumentamos a nossa fé e a nossa intimidade com o Criador, também cresce a força criativa de nossas palavras.

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