O acaso que deu certo

Ainda em comemoração à semana do livro infantil, o Portal G37, tem a honra de trazer um pouquinho para falar de uma personalidade muito importante na literatura divinopolitana.
Não há uma criança aluno da rede municipal de Divinópolis, que não tenha ouvido falar de uma das maiores contadoras de história da cidade. Quem já viu, sabe tanto do que estou falando que virou uma tradição de família. Seus livros, seus escritos e suas histórias contadas em sala de aula há anos atrás, hoje são replicados para os filhos das crianças que um dia conheceram Terezinha Fonseca.
Nascida as margens do Rio Pará, em um local chamado Cercado, e depois de ser registrada em São Gonçalo do Pará, seus pais se mudaram para Divinópolis, a professora aposentada se tornou referência na literatura infantil em toda cidade. Autora de mais de nove livros publicados, diz que tudo começou de forma completamente despretensiosa.
“Minha filha, ainda pequena, quando estava aprendendo os números, tinha uma dificuldade enorme de dizer o número vinte…. ela contava até o dezenove direitinho, e quando chegava no vinte, ela travava, cheguei a decorar a casa toda com o número vinte, mas nada adiantou… então em uma brincadeira com ela, nasceu meu primeiro livro, ‘A menina que não falava o vinte’”.
Hoje aos 73 anos, mãe de três filhos e avó de cinco netos, Terezinha diz que está na sua melhor fase, “gosto de mim, das minhas rugas, dos meus cabelos brancos, não tenho medo de nada… o que vier a gente acolhe”. Entre suas publicações, estão “Papinho D’água”, “A menor menina do mundo ou grão de mostarda”, “O sono perdido”, “Muito prazer, Tatu Totonho”, “Comigo ninguém pode”, “A estrelinha que virou gente” e “O monstro raspador”.
Terezinha em toda sua trajetória participou de inúmeros eventos literários, mas um deles que a marcou, foi a sua participação na Primeira Bienal do Livro de Minas Gerais.
“Eu gosto desse contato com o livro, desse contato com o papel, com o cheiro; o cheiro dessas crianças que vem e quer abraçar e quer pedir autografo num papelzinho ou numa folha arrancada do caderno, eu fico pasma de ver isso acontecendo” e deseja “tomara que essas crianças recebam um mundo melhor, porque estamos precisando disso.”
Para a autora e contadora de história, estimular a leitura e a imaginação das crianças, é mostrar para cada uma delas que o mundo melhor pode se tornar real, “Eu vejo na literatura uma chave e ao escrever eu vejo uma porta. A palavra bem dita, palavra que salva e eu creio num mundo melhor através da palavra”.
Por Gusttavo Majory
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