Operação contra o tráfico localiza cerca de 40 mil pés de maconha no Vale do Jequitinhonha

Uma operação conjunta das forças de segurança localizou uma plantação com cerca de 40 mil pés de maconha nesta quinta-feira (20), em Cachoeira de Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A área destinada ao cultivo tinha aproximadamente 1,5 hectare e foi descoberta durante uma ação envolvendo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a Polícia Federal (PF) e forças de segurança da Bahia. Um homem de 57 anos foi preso no local.
A plantação foi encontrada em uma propriedade rural que já vinha sendo acompanhada pelos investigadores. Além das milhares de plantas de Cannabis sativa, as equipes localizaram uma quantidade de maconha já ensacada, além de equipamentos e materiais utilizados para manter o cultivo em funcionamento.
Entre os itens encontrados estavam estruturas de irrigação e fertilizantes utilizados na plantação. A dimensão da área e os materiais encontrados passaram a integrar a investigação destinada a identificar os responsáveis pelo financiamento, cultivo, processamento e posterior distribuição da droga.
Segundo as informações levantadas durante a operação, o homem de 57 anos preso na propriedade é natural de Pernambuco e estaria atuando diretamente no cultivo das plantas. A função atribuída a ele durante as investigações foi descrita como a de “roceiro”, responsável por atividades relacionadas à manutenção da plantação.
A identidade do homem não foi divulgada. Após a prisão, ele ficou à disposição das autoridades responsáveis pelos procedimentos da investigação. As forças de segurança continuam trabalhando para identificar outras pessoas que possam ter ligação com a estrutura encontrada em Cachoeira de Pajeú.
A propriedade já vinha sendo monitorada pela Delegacia Regional da Polícia Civil de Pedra Azul havia pouco mais de um mês. Durante esse período, os investigadores reuniram informações sobre a movimentação no local e sobre a possibilidade de existência de uma grande área destinada ao cultivo de maconha.
Paralelamente ao trabalho desenvolvido pela Polícia Civil mineira, a Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro, na Bahia, também recebeu informações sobre uma plantação localizada em Cachoeira de Pajeú. O cruzamento das informações mostrou que as duas forças investigavam a mesma propriedade.
A partir da identificação dessa ligação, as equipes passaram a atuar de maneira integrada. Policiais da Delegacia Regional de Pedra Azul e de unidades de Araçuaí, Itaobim e Padre Paraíso participaram das diligências realizadas em Minas Gerais, juntamente com integrantes da Polícia Federal e da CIPE-Caatinga, da Bahia.
A descoberta ocorreu dentro da Operação Colheita Proibida, investigação que apura o funcionamento de uma estrutura voltada ao cultivo ilegal de maconha em larga escala. O trabalho das forças de segurança busca identificar desde os responsáveis pela produção até possíveis financiadores e integrantes envolvidos no transporte e na distribuição do entorpecente.
Os aproximadamente 40 mil pés encontrados deverão passar pelos procedimentos adotados pelas autoridades para erradicação da plantação. Parte do material pode ser preservada para perícia e demais procedimentos necessários à comprovação da natureza da substância encontrada.
A quantidade de maconha já ensacada localizada na propriedade também foi apreendida. Até o momento, não foi divulgado um peso oficial desse material nem uma estimativa de quanto poderia ser produzido a partir das aproximadamente 40 mil plantas existentes na área.
Também não há uma estimativa oficial sobre o valor que a droga poderia alcançar depois de processada e colocada em circulação. O rendimento de uma plantação depende de diferentes fatores, entre eles o estágio de desenvolvimento das plantas, motivo pelo qual a operação não divulgou projeções sobre a quantidade final de entorpecente.
A atuação em Cachoeira de Pajeú faz parte de uma investigação que ultrapassa os limites de Minas Gerais. A Operação Colheita Proibida também desencadeou medidas judiciais em estados do Nordeste e busca alcançar diferentes núcleos suspeitos de participação no esquema investigado.
Em outra frente da operação, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Juazeiro, na Bahia.
As investigações apuram a possível existência de uma organização criminosa estruturada para financiar e manter grandes áreas de cultivo ilegal de maconha. A suspeita é de que diferentes pessoas desempenhassem funções específicas dentro do esquema, desde o financiamento das lavouras até a preparação e circulação da droga.
A apuração também alcança o patrimônio relacionado aos investigados. A Justiça determinou o sequestro de cinco imóveis vinculados à investigação, entre eles uma propriedade utilizada para produção de uvas.
Além do sequestro dos imóveis, houve determinação para bloqueio de até R$ 50 milhões em contas e bens. A medida alcança patrimônio relacionado a 36 pessoas físicas e jurídicas investigadas no decorrer da operação.
O bloqueio patrimonial busca preservar recursos que possam ter ligação com as atividades investigadas e impedir eventual movimentação ou ocultação de bens durante o andamento do processo. A origem do dinheiro utilizado para financiar as plantações também é uma das linhas de apuração.
As autoridades investigam possíveis crimes de organização criminosa, financiamento do cultivo ilegal de maconha, tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A eventual responsabilização dependerá da participação atribuída a cada investigado e das provas reunidas ao longo da apuração.
Em Minas Gerais, o trabalho desenvolvido no Vale do Jequitinhonha também busca descobrir se outras propriedades rurais estão sendo utilizadas para plantações semelhantes. As informações recolhidas em Cachoeira de Pajeú deverão ser analisadas em conjunto com dados obtidos em outras etapas da investigação.
A operação desta quinta-feira também integra uma sequência de ações contra plantações de maconha em áreas rurais mineiras. As forças de segurança vêm realizando levantamentos destinados a identificar cultivos em grande escala e possíveis conexões entre as propriedades utilizadas para produção da droga.
Os investigadores deverão analisar documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais eventualmente recolhidos durante as diligências. Esse trabalho poderá auxiliar na identificação dos responsáveis pelo financiamento da plantação e de pessoas envolvidas na destinação da droga produzida na propriedade.
A participação conjunta da Polícia Civil de Minas Gerais, da Polícia Federal e de forças de segurança da Bahia ocorre em razão das possíveis conexões interestaduais identificadas durante as investigações. O objetivo é reunir informações obtidas em diferentes estados para estabelecer a participação de cada investigado.
Cachoeira de Pajeú, onde a plantação foi localizada, fica no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A região passa agora a integrar diretamente uma investigação que também alcança suspeitos, propriedades e movimentações financeiras em outras unidades da Federação.
As equipes continuavam realizando levantamentos para aprofundar as informações sobre o funcionamento da plantação e identificar outros possíveis envolvidos. A investigação busca esclarecer quem financiava a estrutura, quem participava diretamente do cultivo e qual seria o destino da maconha produzida na propriedade.
Com a localização dos aproximadamente 40 mil pés, a prisão do homem de 57 anos e a apreensão dos materiais encontrados na propriedade, as forças de segurança avançam agora na análise das conexões da área de Cachoeira de Pajeú com os demais alvos da Operação Colheita Proibida. As investigações permanecem em andamento.










