Minas Gerais

Empresário que matou gari em Belo Horizonte vira réu e terá júri popular

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, em Belo Horizonte, foi tornado réu pela Justiça de Minas Gerais. A decisão partiu da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, que aceitou integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

O crime aconteceu no dia 11 de agosto de 2025, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital mineira. Laudemir trabalhava na coleta de lixo quando se envolveu em uma discussão de trânsito com o empresário. Segundo testemunhas, a passagem do caminhão de limpeza teria gerado retenção na via, o que irritou o motorista do carro. Durante o desentendimento, Renê atirou contra o gari, que não resistiu aos ferimentos.

A denúncia do MPMG inclui o crime de homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil, por dificultar a defesa da vítima e por colocar em risco pessoas em via pública. Além disso, o empresário responde ainda por porte ilegal de arma de fogo, ameaça à motorista do caminhão de coleta e fraude processual, já que teria tentado ocultar ou substituir a arma usada no crime.

A magistrada também manteve a prisão preventiva do empresário, entendendo que sua liberdade poderia comprometer a ordem pública e a instrução criminal. A defesa terá prazo para apresentar resposta à acusação, mas o caso seguirá para julgamento no Tribunal do Júri.

Além de responsabilizar criminalmente o acusado, o Ministério Público pediu que o empresário seja condenado a pagar indenização mínima de R$ 150 mil à família da vítima, valor que se refere a danos morais e materiais. O pedido será analisado pelo Judiciário no curso do processo.

A tragédia gerou forte comoção em Belo Horizonte e em todo o estado. Colegas de trabalho e familiares destacaram que Laudemir era conhecido pela dedicação ao serviço e pela convivência tranquila com vizinhos e amigos. A morte do gari levantou debates sobre intolerância no trânsito e o aumento de crimes motivados por discussões banais.

Outro ponto que chamou atenção no caso foi o envolvimento da esposa do empresário, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, que é delegada da Polícia Civil de Minas Gerais. Ela foi investigada por supostamente ceder ou emprestar a arma usada no crime e também por prevaricação. No entanto, o processo contra ela foi desmembrado do caso principal e tramita separadamente.

Segundo o Ministério Público, a atitude do empresário representou não apenas um atentado contra a vida de um trabalhador em plena atividade, mas também um risco coletivo, já que o crime ocorreu em via pública e poderia ter vitimado outras pessoas. Para o órgão, a gravidade da conduta justifica a submissão do réu ao Tribunal do Júri.

O caso reforça a importância de políticas públicas de conscientização sobre o convívio social e a resolução pacífica de conflitos. Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltaram que a banalização da violência no trânsito tem levado a situações extremas, em que desentendimentos cotidianos acabam em tragédias irreparáveis.

A expectativa agora é sobre a data em que o julgamento será marcado. Até lá, Renê da Silva Nogueira Júnior permanecerá preso preventivamente. A defesa ainda pode apresentar recursos, mas, conforme decisão judicial, o processo seguirá para o Júri Popular, onde a sociedade terá papel central na definição do veredito.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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