Prefeitura exonera servidor preso por envolvimento com tráfico de drogas em Divinópolis

A Prefeitura de Divinópolis informou que exonerou, de forma imediata, um servidor comissionado detido na noite desta terça-feira (21) no bairro Serra Verde, suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. O decreto de exoneração será publicado no Diário Oficial do Município ainda nesta quarta-feira (22).
Segundo o Registro de Eventos de Defesa Social (REDs), o servidor estava usando o uniforme da Prefeitura no momento da abordagem, embora estivesse fora do horário de expediente. A administração municipal destacou que repudia qualquer prática ilícita, sobretudo quando envolve agentes públicos.
Em nota, o Executivo reforçou seu compromisso com a ética, a legalidade e a transparência em todos os atos da gestão, afirmando que medidas rigorosas continuarão sendo adotadas sempre que houver condutas incompatíveis com os princípios do serviço público.
“A atual administração segue firme em seu propósito de zelar pela integridade do serviço público e pela confiança da população, mantendo uma postura rigorosa diante de qualquer conduta que contrarie os valores de responsabilidade e respeito que norteiam o trabalho da Prefeitura de Divinópolis”, diz o comunicado.
A exoneração imediata faz parte da política de tolerância zero com irregularidades adotada pela administração municipal, que reforçou o compromisso de preservar a credibilidade e a transparência na gestão pública.
ENTENDA O CASO
Servidor do Castramóvel tenta se passar por assessor de vereador e é preso por tráfico de drogas em Divinópolis
Dois homens foram presos na noite de terça-feira (21) durante uma operação da Polícia Militar em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. A ação ocorreu na Rua Madre Tereza de Calcutá, no bairro Nova Fortaleza, após denúncias anônimas informarem sobre um esquema de entrega de drogas por aplicativo de mensagens. Entre os detidos está um servidor comissionado da Prefeitura Municipal de Divinópolis, que trabalhava na Vigilância Sanitária, vinculado ao programa Castramóvel, unidade itinerante de castração de animais.
De acordo com o boletim de ocorrência, as equipes da 7ª Companhia de Polícia Militar Independente de Policiamento Especializado iniciaram o monitoramento do endereço citado, onde um homem de 31 anos, morador da residência, foi abordado. Durante a busca pessoal, os militares localizaram um pino de cocaína usado. Questionado, ele confessou que havia solicitado mais drogas por mensagem e aguardava a entrega no local. A denúncia indicava que o fornecimento era feito por meio de um sistema de delivery de entorpecentes, com pagamento via Pix.
Os militares permaneceram no local à espera do suposto entregador. Minutos depois, um veículo Fiat Pálio prata se aproximou da residência. O condutor, identificado como homem de 36 anos, foi abordado ao tentar fugir e dispensar dois pinos de cocaína no chão. Durante busca minuciosa no automóvel, foram encontrados 40 pinos de cocaína no porta-luvas, além de R$ 400 em dinheiro e três aparelhos celulares. O veículo também foi apreendido e removido para o pátio credenciado.
O suspeito, que trajava camisa da Prefeitura de Divinópolis, tentou intimidar os policiais, afirmando ser assessor do vereador Flávio Marra e dizendo que “isso não iria ficar assim”. A declaração, porém, foi desmentida pelo parlamentar citado, que negou qualquer vínculo profissional com o homem. O vereador esclareceu que o suspeito nunca trabalhou em seu gabinete e que não possui qualquer tipo de ligação com ele.
Após ser detido, o servidor municipal confessou a propriedade da droga e afirmou que atuava na revenda de entorpecentes sob orientação de outro traficante, ficando com parte da cocaína a cada grupo de vendas concluído. O homem alegou que realizava as entregas por conta própria, utilizando o veículo particular e mantendo o contato com usuários através de aplicativos de mensagens. O outro preso, de 31 anos, foi autuado por uso e consumo de drogas.
A apreensão chamou atenção pela quantidade de entorpecentes e pela forma como o tráfico era executado — simulando um sistema de entrega rápida, semelhante aos serviços de transporte e alimentação. Segundo a PM, o modelo tem sido adotado por criminosos como estratégia para evitar abordagens diretas em pontos fixos de tráfico. Os dois suspeitos foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com o material apreendido, e permaneceram à disposição da Justiça.
A Prefeitura de Divinópolis confirmou, em nota oficial, que o homem preso ocupava cargo comissionado e atuava junto ao Castramóvel. O Executivo informou ainda que a exoneração foi efetivada na noite de terça-feira, logo após a confirmação da prisão. No comunicado, a administração municipal afirmou que repudia qualquer envolvimento de servidores com práticas ilícitas e reforçou o compromisso com a ética, a legalidade e a transparência no serviço público.
O caso gerou grande repercussão na cidade, especialmente pelo fato de o suspeito integrar o quadro funcional do município. O episódio reacendeu o debate sobre os critérios de nomeação para cargos comissionados e a necessidade de maior fiscalização e controle interno sobre as indicações políticas realizadas por gabinetes parlamentares.
A Polícia Civil assumiu a continuidade das investigações e trabalha para identificar a origem da droga e possíveis ligações do servidor com outras pessoas envolvidas no tráfico local. Também serão apurados os vínculos entre o esquema de entrega e grupos que atuam na distribuição de entorpecentes em bairros de maior vulnerabilidade social.
Os dois homens seguem presos, e o material recolhido — entre drogas, dinheiro, celulares e veículo — permanece sob custódia da Polícia Civil. O caso será encaminhado ao Ministério Público, que deve oferecer denúncia formal contra o servidor e o outro envolvido. A investigação deve ainda esclarecer se o crime tinha conexões com uma rede mais ampla de comercialização de drogas em Divinópolis.









