Divinópolis

O trem de ferro…

Sempre fui apaixonado pelas viagens de trem. Na minha infância, esse tipo de transporte era comum na nossa região e era algo simplesmente fantástico.

Lembro-me de uma viagem já na transição da adolescência para a vida adulta, rumo ao Rio de Janeiro, no poderoso trem Vera Cruz. Foi uma experiência lúdica, com saída de Belo Horizonte em direção à então capital fluminense. Para embarcar, havia todo um ritual: todos iam vestidos a rigor, chiquérrimos. As mulheres usavam vestidos longos, e os homens, ternos e gravatas.

Já ao entrar no trem, o clima era antigo, como se tivéssemos voltado no tempo. O que não faltava eram belos chapéus. O vagão mais concorrido era o restaurante. Praticamente viajávamos ali, com muitas doses de drinks elaborados. Parecia que estávamos dentro de um filme, e a chegada ao lindo Rio de Janeiro era de tirar o fôlego.

Quando eu era criança, aqui na terra do Divino, existia uma deliciosa viagem de trem de Divinópolis para Carmo do Cajuru. Eu tinha uma tia especial, minha tia Adma, superanimada e muito alegre, que reunia os sobrinhos durante o período das férias para fazer essa viagem.

O intuito era visitar um primo que estava preso na cidade de Cajuru. Para nós, crianças, era uma aventura incrível, cheia de detalhes e paradas nas estações, que nos davam a sensação de estar indo para um lugar muito distante.

A chegada em Cajuru era fascinante. A estação já era, por si só, uma grande aventura, com muita gente chegando e saindo. Dali, partíamos para a delegacia, que ficava quase em frente.

Era muito engraçada essa viagem, pois a cela do primo ficava aberta e era toda equipada. Para a época, um verdadeiro luxo: tinha televisão, geladeira e, quando chegávamos, ele mandava o guarda buscar picolés e sorvetes para nós.

A visita ao primo preso não ficava só nisso. Depois de um tempo, íamos fazer um tour pela cidade. Lembro-me de subirmos uma ladeira para visitar uma grande praça com uma igreja antiga. Dali, sempre passávamos na casa de alguns parentes e, então, vinha o melhor momento: o lanche na sorveteria da esquina da igreja matriz, que tinha um delicioso sabor de felicidade.

Assim, passávamos o dia e voltávamos para a terrinha mortos de cansaço, mas felizes pela aventura criada pela querida tia Adma. Éramos felizes e sabíamos disso.

Amnysinho Rachid
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