Guarani de Divinópolis assina manifesto contra concentração de R$ 32 milhões em patrocínios do Governo de Minas a clubes da capital

O Guarani de Divinópolis aderiu ao manifesto divulgado por clubes do interior de Minas Gerais que questiona a concentração dos patrocínios anunciados pelo Governo do Estado para Atlético, Cruzeiro e América. O movimento ganhou repercussão nesta quinta-feira, 1º de outubro, depois que equipes de diferentes regiões mineiras passaram a divulgar o documento e a reivindicar critérios mais amplos para a distribuição de recursos de empresas estatais destinados ao futebol. O Guarani integra um grupo formado pelo clube de Divinópolis e outras 32 equipes envolvidas na mobilização.
O manifesto surgiu após o anúncio, feito em 29 de setembro, de R$ 32 milhões em patrocínios para os três clubes de Belo Horizonte. Do total anunciado, Atlético e Cruzeiro terão R$ 15 milhões cada, enquanto o América terá R$ 2 milhões. Os contratos utilizarão recursos destinados pelas empresas estatais a ações de publicidade e patrocínio e foram apresentados após mudanças que atingiram os contratos mantidos pelos clubes com empresas de apostas esportivas.
A participação do Guarani coloca Divinópolis diretamente entre os municípios envolvidos na mobilização. O documento argumenta que o futebol mineiro não está concentrado apenas em Belo Horizonte e pede que equipes localizadas em outras regiões também sejam consideradas nas políticas de patrocínio. Além do Guarani, clubes como Athletic, Villa Nova, Aymorés, Betim, Mamoré, Boa Esporte, Ipatinga e Itabirito estão entre as equipes que divulgaram o manifesto.
Entre as reivindicações apresentadas está a realização de uma audiência com o Governo de Minas e representantes das empresas estatais, com participação da Federação Mineira de Futebol (FMF) na interlocução. Os clubes também pedem a inclusão de equipes do Módulo I, Módulo II, Segunda Divisão e do futebol feminino nas ações de patrocínio, além da criação de critérios objetivos e públicos para eventual distribuição dos valores entre as diferentes categorias.
Outro ponto defendido pelo grupo é a criação de cotas de acordo com as divisões disputadas pelos clubes. O manifesto também solicita que eventuais investimentos alcancem categorias de base e equipes femininas. Entre os argumentos apresentados pelos signatários estão a participação dos clubes do interior na formação de jogadores, a manutenção de empregos relacionados ao futebol e a movimentação econômica provocada pelas equipes em seus municípios. Essas afirmações fazem parte da justificativa apresentada pelos próprios clubes no documento.
O Guarani tem relação direta com uma das categorias mencionadas na reivindicação. Em 2026, o clube de Divinópolis participou do Campeonato Mineiro do Módulo II, competição que reuniu 12 equipes. A inclusão dos participantes dessa divisão entre os possíveis beneficiários de futuros projetos de patrocínio aparece expressamente entre os pedidos apresentados no manifesto.
O anúncio realizado pelo Governo de Minas prevê que as empresas estaduais tenham exposição de suas marcas nos clubes contemplados. As posições das marcas nos uniformes e outras condições comerciais deverão ser definidas de acordo com os contratos firmados com cada equipe. O governo também anunciou contrapartidas relacionadas a ações no futebol feminino e à disponibilização de ingressos para estudantes de baixa renda em partidas determinadas pelos acordos.
Em relação à origem dos R$ 32 milhões, a informação divulgada pelo Governo de Minas é de que o dinheiro integra recursos destinados pelas empresas a publicidade e patrocínio de suas marcas. A justificativa apresentada pelo Executivo estadual é de que a iniciativa pretende oferecer apoio financeiro aos clubes durante a mudança provocada pelo fim dos contratos publicitários mantidos com empresas de apostas esportivas.
O programa anunciado inicialmente não deverá ficar restrito aos três clubes de Belo Horizonte. O Governo de Minas informou que mantém conversas com o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia para possíveis contratos de patrocínio. Os valores destinados às duas equipes não haviam sido definidos na última atualização divulgada. Athletic e Uberlândia também estão entre os clubes do interior envolvidos nas discussões sobre a distribuição dos investimentos.
Apesar das negociações com essas duas equipes, o manifesto pede que uma eventual ampliação não fique limitada a determinados clubes. A proposta apresentada pelos signatários prevê a definição de regras públicas que permitam contemplar equipes de diferentes regiões e níveis do futebol mineiro. Até esta quinta-feira, 1º de outubro, não havia sido anunciado um modelo de distribuição dos recursos para todos os participantes do movimento.
A mobilização ocorre enquanto os contratos anunciados com Atlético, Cruzeiro e América ainda passam pelas etapas necessárias para implementação. O Governo de Minas informou que as condições serão discutidas individualmente com cada clube, considerando também os contratos comerciais já mantidos pelas equipes e os espaços disponíveis para exposição das marcas das empresas estaduais.
Para o Portal G37, a adesão do Guarani amplia a participação de Divinópolis na discussão sobre os investimentos destinados ao futebol profissional de Minas Gerais. O clube se junta às demais equipes que solicitaram diálogo com o Governo do Estado e defendem a definição de critérios para que futuras ações de patrocínio possam alcançar outras divisões, clubes do interior, categorias de base e o futebol feminino. Até o momento, não foi divulgado um acordo que estabeleça repasses aos demais signatários do manifesto.









