Saúde

Casos de vírus respiratórios apresentam tendência de aumento no Brasil e crescimento de infecções preocupa entre crianças e adolescentes

O Brasil apresenta sinais de crescimento na circulação de vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente entre crianças e adolescentes. O cenário foi identificado no boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (8 de outubro de 2026). O levantamento aponta tendência de aumento dos casos relacionados ao rinovírus, ao metapneumovírus e ao coronavírus Sars-CoV-2 em diferentes regiões do país. Apesar da elevação observada na tendência da covid-19, a quantidade de novos casos graves provocados pela doença permanece em níveis baixos no Brasil. Os dados reforçam a necessidade de acompanhamento da situação epidemiológica, principalmente entre os grupos mais vulneráveis às complicações respiratórias.

O monitoramento nacional identificou uma retomada discreta do crescimento dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Nas demais faixas etárias, os indicadores apresentam estabilidade. O comportamento dos vírus respiratórios, entretanto, não é uniforme em todo o território brasileiro, com diferenças entre estados, municípios e grupos populacionais. As informações são obtidas a partir dos registros de atendimentos e hospitalizações por quadros respiratórios graves, permitindo identificar alterações na circulação dos agentes responsáveis pelas infecções.

Entre os vírus que apresentam tendência de crescimento está o rinovírus, frequentemente associado a infecções respiratórias. Embora muitos casos provoquem manifestações leves, a infecção pode apresentar complicações em determinadas pessoas, especialmente quando existem condições de saúde que aumentam o risco de agravamento. O metapneumovírus também aparece entre os agentes com tendência de aumento e pode provocar infecções respiratórias que exigem atendimento hospitalar, principalmente em crianças pequenas e pessoas com maior vulnerabilidade clínica.

A covid-19 também integra o grupo de doenças que apresentam tendência de elevação nos registros de SRAG. Entretanto, o boletim destaca que os novos casos semanais de síndrome respiratória grave associados ao coronavírus permanecem baixos em nível nacional. Esse cenário indica que, embora exista sinal de crescimento na tendência, o volume atual de registros não corresponde aos níveis mais elevados observados em outros períodos de circulação da doença. A recomendação é que as pessoas pertencentes aos grupos prioritários verifiquem se a vacinação contra a covid-19 está atualizada.

Em relação a outros agentes respiratórios, o levantamento apresenta um comportamento diferente. Os registros de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) e à influenza B estão em queda no país. Já as hospitalizações relacionadas à influenza A permanecem estáveis, com baixa incidência. As diferenças entre os indicadores mostram que determinados vírus apresentam redução na circulação associada a quadros graves, enquanto outros registram sinais de crescimento, exigindo acompanhamento individualizado de cada agente.

A análise regional identificou três estados com indicadores que exigem maior atenção. Alagoas, Roraima e Sergipe apresentam níveis de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave classificados nas faixas de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, acompanhados por sinais de crescimento ao longo das seis semanas anteriores. Nesses estados, o aumento está concentrado principalmente entre crianças e adolescentes, grupo que também apresenta sinais de elevação dos registros no cenário nacional.

Em Alagoas e Sergipe, o crescimento dos casos graves está relacionado à circulação do metapneumovírus. Em Roraima, os dados disponíveis ainda não permitem identificar com segurança qual agente respiratório é responsável pelo aumento observado. A ausência dessa definição exige a continuidade do acompanhamento epidemiológico, considerando que diferentes vírus podem provocar sintomas semelhantes e apresentar comportamentos distintos ao longo do ano.

Outros cinco estados também apresentam indicadores de incidência de SRAG nas faixas de alerta, risco ou alto risco: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entretanto, diferentemente dos estados com crescimento identificado, essas unidades da Federação não apresentam sinais de elevação na tendência de longo prazo. A classificação de risco considera a intensidade dos registros em cada localidade e não significa, necessariamente, que o número de casos esteja aumentando continuamente.

Entre as capitais brasileiras, cinco municípios apresentam níveis de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave nas faixas de alerta, risco ou alto risco durante as duas semanas mais recentes analisadas. São eles Aracaju, em Sergipe; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; Rio Branco, no Acre; São Luís, no Maranhão; e Vitória, no Espírito Santo. A identificação dessas localidades permite acompanhar a situação dos atendimentos por doenças respiratórias e observar possíveis mudanças na demanda por serviços de saúde.

O levantamento também apresenta diferenças importantes entre os grupos etários mais afetados. Nas últimas oito semanas epidemiológicas, a maior incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave ocorreu entre crianças de até 2 anos. Já os indicadores de mortalidade mostram maior impacto entre pessoas com 65 anos ou mais. Esses dados apontam que crianças pequenas e idosos continuam entre os grupos que exigem atenção específica no acompanhamento das infecções respiratórias graves.

A vacinação permanece entre as principais medidas de prevenção de complicações provocadas por doenças respiratórias. A orientação para os grupos prioritários é verificar a situação vacinal contra a covid-19 e procurar os serviços de saúde quando houver necessidade de atualização. Para as gestantes, também é recomendada a vacinação contra o vírus sincicial respiratório, conforme as indicações estabelecidas para esse público. A imunização busca reduzir o risco de complicações e contribuir para a proteção das pessoas mais vulneráveis.

Além da vacinação, medidas como higienizar frequentemente as mãos, manter ambientes ventilados e evitar contato próximo com outras pessoas durante episódios de infecção respiratória ajudam a reduzir a transmissão de agentes infecciosos. Pessoas com sintomas persistentes, dificuldade para respirar ou sinais de agravamento devem procurar avaliação médica. Em crianças pequenas, alterações respiratórias e dificuldades para alimentação também exigem atenção dos responsáveis.

O monitoramento dos vírus respiratórios permite acompanhar a evolução das doenças ao longo das semanas e identificar localidades que necessitam de maior atenção dos serviços públicos de saúde. Os resultados divulgados em outubro mostram que o rinovírus, o metapneumovírus e o Sars-CoV-2 apresentam tendência de crescimento em nível nacional, embora os casos graves semanais de covid-19 permaneçam baixos. O acompanhamento continuará sendo necessário para avaliar a evolução dos registros entre crianças, adolescentes e idosos, além das diferenças observadas entre as regiões brasileiras.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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