Saúde

Células-tronco podem tratar o Alzheimer. Estudo mostra resultados promissores

Pesquisa com 49 pessoas identificou menor perda de volume cerebral após 39 semanas, mas ainda não demonstrou que a terapia melhora de forma significativa a vida dos pacientes.

Uma pesquisa recente reacendeu o debate sobre o potencial das células-tronco no tratamento da doença de Alzheimer. O estudo avaliou uma terapia experimental chamada laromestrocel, desenvolvida a partir de células-tronco mesenquimais obtidas da medula óssea de doadores. Os resultados foram considerados promissores, mas ainda não permitem afirmar que a técnica seja capaz de tratar ou interromper a progressão da doença.

A proposta da terapia está relacionada à possibilidade de as células atuarem sobre processos envolvidos no Alzheimer, especialmente a inflamação e a saúde dos vasos sanguíneos. Essas alterações fazem parte do conjunto de mudanças observadas no cérebro de pessoas que desenvolvem a doença.

A pesquisa envolveu 49 pessoas com Alzheimer em estágio leve, atendidas em dez centros nos Estados Unidos. Os participantes foram divididos em quatro grupos: um recebeu placebo e os demais receberam diferentes quantidades e números de aplicações da terapia experimental. O tratamento foi administrado por meio de infusão intravenosa.

O principal objetivo inicial do estudo foi avaliar a segurança da terapia. Nas semanas próximas às aplicações, a frequência de eventos adversos graves foi semelhante entre os grupos. Apesar desse resultado, o número reduzido de participantes ainda não permite identificar todos os possíveis riscos relacionados ao tratamento.

Após 39 semanas, exames de ressonância magnética indicaram que, entre os participantes que receberam laromestrocel, a perda de volume cerebral foi 48,4% mais lenta em comparação com o grupo que recebeu placebo. Os pesquisadores também observaram resultados favoráveis em algumas avaliações relacionadas à cognição e às atividades do dia a dia.

O número de 48,4%, porém, precisa ser interpretado com cautela. O resultado não significa que os pacientes tenham recuperado 48,4% da memória ou que a doença tenha sido interrompida. O percentual representa uma diferença observada nos exames de imagem entre grupos relativamente pequenos durante o período analisado.

Ainda não é possível afirmar que a terapia proporcione uma melhora perceptível e duradoura na rotina das pessoas que vivem com Alzheimer. Para esclarecer essa questão, serão necessários estudos maiores, com um número mais elevado de participantes e períodos mais longos de acompanhamento.

Por enquanto, a laromestrocel continua sendo uma terapia experimental e não pode ser considerada um tratamento comprovado para o Alzheimer. O estudo abre uma possibilidade de investigação importante, mas novas pesquisas serão necessárias para confirmar os resultados e, principalmente, verificar se a redução das alterações observadas nos exames realmente se traduz em benefícios para os pacientes e suas famílias.

A person wearing a white lab coat with a medical logo, striking a confident pose in an indoor setting.

Camila Domingues Moura | Acadêmica do 3º ano de Medicina na UNIFENAS BH

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