Artrose do joelho: entenda a doença que afeta milhões de brasileiros
A artrose do joelho, também conhecida como osteoartrite, é uma doença musculoesquelética caracterizada pelo desgaste e pela alteração progressiva dos tecidos que formam a articulação. É uma das principais causas de dor e limitação funcional em adultos e idosos e representa um importante problema de saúde pública. Embora a idade seja um dos principais fatores associados, a artrose também pode acometer pessoas mais jovens, especialmente quando existem fatores como excesso de peso, histórico de lesões, alterações biomecânicas, sobrecarga articular e predisposição genética.
Para compreender a doença, é importante conhecer a fisiologia normal do joelho. A articulação é formada principalmente pelo fêmur, pela tíbia e pela patela, sendo revestida por cartilagem articular, um tecido especializado que permite o movimento com baixo atrito e ajuda a distribuir as cargas durante atividades como caminhar, correr e subir escadas. O líquido sinovial também exerce papel importante na lubrificação e na nutrição da cartilagem. Ligamentos, meniscos e músculos contribuem para a estabilidade e para o controle dos movimentos, permitindo que o joelho suporte grandes cargas diariamente.
Na artrose, esse equilíbrio é progressivamente comprometido. A cartilagem sofre alterações na sua estrutura e composição, com perda de componentes importantes da matriz extracelular, como colágeno e proteoglicanos. Inicialmente, podem ocorrer alterações na organização e na capacidade de absorção de cargas da cartilagem. Com a evolução do processo, surgem fissuras, redução da espessura cartilaginosa e, em estágios mais avançados, exposição do osso subcondral. A doença, portanto, não deve ser entendida simplesmente como um “desgaste” mecânico: trata-se de uma alteração de toda a articulação, envolvendo cartilagem, osso, membrana sinovial, músculos e outros tecidos.
Do ponto de vista fisiopatológico, a sobrecarga mecânica e diferentes fatores biológicos podem estimular uma resposta inflamatória dentro da articulação. Células da cartilagem e da membrana sinovial passam a produzir mediadores inflamatórios e enzimas que favorecem a degradação da matriz cartilaginosa. O osso localizado abaixo da cartilagem também sofre modificações, podendo apresentar remodelamento, esclerose e formação de osteófitos, popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”. Essas alterações podem contribuir para dor, rigidez, redução da amplitude de movimento e perda progressiva da função.
A incidência da artrose aumenta significativamente com o envelhecimento populacional, tornando-se particularmente frequente a partir da meia-idade e em pessoas idosas. Entretanto, idade não significa necessariamente que uma pessoa desenvolverá sintomas incapacitantes. Obesidade e excesso de peso estão entre os fatores modificáveis mais importantes, pois aumentam a carga mecânica sobre os joelhos e também estão associados a alterações metabólicas e inflamatórias. Lesões anteriores, como rupturas ligamentares e lesões meniscais, além de determinadas alterações de alinhamento e atividades que submetem a articulação a cargas repetitivas, também podem aumentar o risco.
A fisioterapia preventiva tem papel fundamental antes mesmo do aparecimento de sintomas importantes. O fortalecimento dos músculos que participam do controle do joelho, especialmente quadríceps, glúteos e musculatura do quadril, contribui para melhorar a estabilidade e a distribuição das cargas durante os movimentos. Exercícios de mobilidade, equilíbrio, propriocepção e condicionamento aeróbico também podem ser incorporados ao programa. Além disso, o fisioterapeuta pode orientar sobre ergonomia, controle da carga de treinamento, técnicas adequadas para atividades esportivas e estratégias para reduzir fatores de risco modificáveis.
Quando a artrose já está instalada, a fisioterapia corretiva busca reduzir a dor, recuperar a mobilidade e preservar ou aumentar a capacidade funcional do paciente. O tratamento pode envolver exercícios terapêuticos progressivos, fortalecimento muscular, treinamento funcional, exercícios aeróbicos e estratégias específicas para melhorar a amplitude de movimento e o controle neuromuscular. Recursos analgésicos podem ser utilizados como complemento em determinadas situações, mas o exercício terapêutico e a educação do paciente ocupam posição central no tratamento conservador. A intensidade deve ser individualizada, respeitando sintomas, capacidade física e estágio da doença.
A artrose do joelho não precisa ser encarada como uma sentença de incapacidade. O diagnóstico e o acompanhamento profissional permitem identificar os fatores que estão contribuindo para a progressão dos sintomas e estabelecer um programa adequado para cada pessoa. A combinação entre atividade física orientada, fortalecimento muscular, controle do peso quando necessário, hábitos de vida saudáveis e acompanhamento fisioterapêutico pode contribuir significativamente para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida. Mais do que combater apenas o “desgaste”, o objetivo é manter o joelho funcional e permitir que o indivíduo continue realizando suas atividades com segurança e independência.

Por: Ft. Ronner Miranda
Especialista em Fisioterapia Traumato Ortopédica Desportiva e Terapia Manual
Crefito: 243203-F
Tel/Watts: 37999053770









