Vídeo registra Senador Cleitinho confrontando juiz de Divinópolis em restaurante e critica salário pago mesmo fora das funções

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece confrontando um juiz em Divinópolis e criticando o pagamento de remuneração mesmo após o afastamento das funções. O fato aconteceu no Restaurante e Pizzaria Skema, em Divinópolis, e repercutiu nesta segunda-feira (15), reacendendo o debate sobre a aposentadoria compulsória de magistrados.
No vídeo, Cleitinho aborda o magistrado no estabelecimento e questiona o fato de ele continuar recebendo remuneração mesmo sem exercer a função. O senador afirma que a situação representa um privilégio pago pelos contribuintes e critica o modelo que permite que autoridades punidas administrativamente sigam recebendo valores após deixarem de atuar.
O magistrado citado no vídeo atuava na 1ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias de Divinópolis. Ele foi afastado preventivamente em 2023 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais após denúncias de possíveis desvios funcionais envolvendo acusações de assédio moral, assédio sexual e violência de gênero contra servidoras, estagiárias e ex-funcionárias da comarca.
O caso já havia gerado repercussão em Divinópolis e no meio jurídico. Em setembro de 2024, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais definiu a aposentadoria compulsória do magistrado. Antes disso, ele estava afastado desde junho de 2023, enquanto respondia a um Processo Administrativo Disciplinar.
A crítica feita por Cleitinho se concentra justamente no modelo de punição aplicado a magistrados. A aposentadoria compulsória, historicamente considerada a penalidade administrativa mais grave no Judiciário, afastava o juiz das funções, mas mantinha o pagamento de proventos proporcionais ao tempo de serviço.
Por esse motivo, a medida passou a ser chamada por críticos de “aposentadoria-prêmio”, especialmente em casos envolvendo acusações graves. No vídeo, o senador questiona a diferença de tratamento entre trabalhadores comuns e integrantes de carreiras públicas que, mesmo após punições administrativas, continuam recebendo remuneração.
A discussão ganhou ainda mais força após decisões recentes que passaram a questionar a manutenção da aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima para magistrados. O entendimento reacendeu o debate sobre responsabilização de agentes públicos, transparência no Judiciário e fim de privilégios pagos com dinheiro público.
A publicação de Cleitinho colocou novamente Divinópolis no centro de uma discussão nacional sobre privilégios, punições administrativas e igualdade de tratamento no serviço público. O vídeo segue repercutindo nas redes sociais e deve alimentar novos debates políticos e jurídicos sobre a forma como magistrados são responsabilizados em casos de infrações graves.









