Declaração de vereador sobre suposto desvio milionário reacende crise política entre aliados em São Gonçalo do Pará

Uma declaração feita em plenário pelo vereador Éder Múcio reacendeu o cenário de tensão institucional em São Gonçalo do Pará e expôs um ambiente de desgaste interno na administração municipal, com possíveis reflexos no cenário político local, sobretudo por envolver um parlamentar que integra a base do governo e que trouxe à tona, de forma pública, apontamentos relacionados a um suposto desvio de recursos superior a R$ 1 milhão, referente ao ano de 2024.
Durante sessão da Câmara Municipal realizada na segunda-feira, 30 de março de 2026, Éder Múcio utilizou a tribuna para afirmar que registros em ata indicariam irregularidades em contratos e compras públicas, citando indícios de superfaturamento em aquisições feitas pela Prefeitura, com exemplos de valores que, segundo ele, estariam muito acima do praticado no mercado, o que ampliou a repercussão da fala no meio político local.
A declaração ganhou ainda mais relevância por mencionar diretamente a gestão do prefeito Osvaldo Maia, conhecido como “Zaquinha”, evidenciando um cenário de desgaste interno entre aliados, já que o vereador, mesmo pertencendo à base do governo, demonstrou insatisfação com a condução política da administração e afirmou não ter suas demandas atendidas.
Ao contextualizar suas falas, Éder Múcio fez referência à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em junho de 2024 pela Câmara Municipal de São Gonçalo do Pará, que teve como objetivo apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos, especialmente em contratos administrativos e compras realizadas ao longo daquele ano, incluindo áreas como obras, serviços urbanos e fornecimento de materiais.
Segundo o vereador, os dados apresentados em plenário têm como base documentos oficiais produzidos no âmbito dessa comissão, incluindo atas e relatórios finais, que indicariam possíveis inconsistências em processos licitatórios e contratuais, além de indícios de prejuízo ao erário municipal durante o período analisado.
A CPI investigou uma série de contratos e despesas, abrangendo pagamentos de diárias e horas extras, contratações sem licitação, fornecimento de materiais de construção, serviços de limpeza urbana, utilização de máquinas públicas e fornecimento de refeições a servidores, reunindo documentos, depoimentos e registros administrativos que subsidiaram as conclusões do relatório final.
Apesar dos apontamentos apresentados ao longo de 2024, o processo acabou sendo arquivado pela Câmara Municipal, não resultando em sanções políticas imediatas ao prefeito Osvaldo Maia, o que, segundo interlocutores, contribuiu para encerrar formalmente o caso naquele momento, mas não eliminou questionamentos nos bastidores.
Durante a sessão do dia 30 de março de 2026, ao retomar o tema, Éder Múcio também destacou sua atuação na comissão processante relacionada ao caso, afirmando que participou diretamente das discussões que poderiam ter levado à cassação do prefeito, indicando que, na avaliação dele, havia elementos suficientes para um desfecho mais rigoroso, embora o processo não tenha avançado nesse sentido.
A nova manifestação do vereador, ao trazer novamente à pauta questões já investigadas, reacende o debate político no município e amplia a pressão sobre a gestão de Osvaldo Maia, especialmente em um contexto de reorganização de forças políticas e aproximação de novos ciclos eleitorais, o que aumenta a sensibilidade de declarações públicas desse tipo.
Nos bastidores, a fala foi interpretada como um sinal claro de fissura dentro da base governista, evidenciando divergências internas que podem impactar a governabilidade e a articulação política do Executivo municipal, além de gerar novos desdobramentos institucionais.
Até o momento, a Prefeitura de São Gonçalo do Pará, sob comando de Osvaldo Maia, não se manifestou oficialmente sobre as declarações feitas em plenário no dia 30 de março de 2026, mantendo silêncio diante das acusações levantadas pelo vereador.
A Câmara Municipal também não informou se pretende reabrir discussões sobre o caso investigado em 2024 ou adotar novas medidas a partir das declarações recentes, o que mantém o cenário em aberto e sujeito a novos desdobramentos.
O episódio reforça a importância da transparência na gestão pública e da atuação dos órgãos de controle na apuração de possíveis irregularidades, além de evidenciar como conflitos internos podem ganhar dimensão pública e impactar diretamente o ambiente político local.
A situação segue em acompanhamento e pode evoluir conforme novas manifestações, posicionamentos oficiais ou iniciativas institucionais sejam adotadas nos próximos dias.









