Polícia

Operação Dubai mira desvios milionários em grupo financeiro da capital

As investigações referentes a uma fraude empresarial, com desvios financeiros na ordem de R$ 35 milhões, resultaram no cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e de outros 17 de busca e apreensão em endereços na cidade de Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A operação, intitulada Dubai, foi desencadeada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), nessa terça-feira (25/6), visando apurar os crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Depois de o representante legal de um grupo empresarial relatar o envolvimento de uma sócia no esquema criminoso, a equipe da 1ª Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra a Ordem Tributária iniciou as investigações.

Cerca de um mês após o início dos levantamentos, inclusive com a coleta de informações em auditoria da empresa, policiais civis identificaram que os valores desviados teriam sido convertidos ou ocultados em bens de luxo, como carros, viagens internacionais, joias e metais preciosos.

Desvios

Conforme apurado pela PCMG, o esquema criminoso tem como alvo um grupo empresarial que atua com a emissão de cartões de benefícios e a antecipação de créditos recebíveis de terceiros. Um funcionário teria descoberto a fraude e encaminhado a denúncia a um dos sócios do grupo empresarial vítima do crime.

As investigações apontam que a mentora intelectual do esquema seria a sócia do grupo. A suspeita teria cooptado funcionários para falsificar documentos, planilhas, informações e saldos bancários, resultando em um desvio de aproximadamente R$35 milhões.

Para isso, a mulher teria contado com a ajuda direta de familiares, quatro empregadas domésticas e comerciantes, que teriam utilizado os valores para a compra de veículos e itens de alto luxo em Dubai, entre eles joias, roupas, relógios, bolsas, óculos e carteiras. Os valores desviados ainda teriam sido empregados na compra de criptomoedas.

Calcula-se que cerca de R$ 15 milhões tenham sido convertidos em bens não rastreáveis pelo sistema bancário.

Modo de agir

De acordo com o apurado, a suspeita teria criado operações financeiras fictícias em empresas do grupo, enviado milhões desviados para outra empresa e redirecionado esses valores para sua própria conta. Esse dinheiro era utilizado, principalmente, na compra de bens e joias de luxo adquiridos em Dubai. Esses produtos eram vendidos para a alta sociedade de Belo Horizonte, por meio de joalherias a quem a suspeita se associou.

Em um primeiro momento, a suspeita teria devolvido ao grupo cerca de R$ 4 milhões de bens de alto valor, além de R$ 800 mil por meio de Pix, após ser confrontada pelas vítimas. Posteriormente, a mulher passou a negar o crime e ocultar o restante desviado, além de coagir testemunhas relacionadas com a investigação.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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