Santa Casa de Bom Despacho acumula dívida trabalhista: falta de FGTS pode gerar rescisão indireta e prejudicar atendimento

A diretoria da Santa Casa de Bom Despacho está sendo denunciada por não pagar o FGTS dos seus trabalhadores. A denúncia foi feita pelo ex-prefeito, Fernando Cabral, que reuniu mais de 20 extratos que comprovam a ausência dos depósitos.
A situação, segundo Cabral, é grave. O não pagamento do FGTS e de outros encargos pode gerar rescisão indireta — quando o trabalhador pede judicialmente a saída do emprego por falta grave do empregador e ainda tem direito a receber todas as verbas como se fosse demitido.
Funcionários relatam medo de denunciar por receio de perder o emprego. Mas Cabral alerta: a omissão pode custar caro, pois os valores prescrevem após 5 anos. “Cada mês que passa pode significar um direito perdido”, afirma.
Além disso, o atendimento à população pode ser diretamente afetado. A insegurança e a desmotivação prejudicam o ambiente de trabalho. “Temos profissionais qualificados, que cuidam da população com dedicação. Mas quando a diretoria da instituição falha, isso atinge a todos — inclusive os pacientes”, diz Cabral.
Ele reforça que a Santa Casa é fundamental para o município e merece ser bem gerida. “É um patrimônio da cidade. Por isso mesmo, exige transparência, responsabilidade e respeito com os trabalhadores.”
Cabral recomenda que os funcionários procurem um advogado trabalhista com urgência, para resguardar seus direitos antes que prescrevam.
Documento apresentado pelo vice-presidente do hospital não comprova regularidade do FGTS
Ontem, durante participação em um podcast local, o vice-presidente da Santa Casa, Denilson Diniz, afirmou que a situação do FGTS estaria regular e apresentou um documento que, segundo ele, provaria isso. No entanto, o conteúdo apresentado não serve como prova de regularidade dos depósitos. Segundo especialistas, o único documento válido para isso é o extrato do FGTS emitido em nome do trabalhador, disponível no aplicativo do FGTS ou fornecido pela Caixa Econômica Federal.
E é justamente esse documento que Fernando Cabral tem em mãos: até o momento, ele já recebeu mais de 20 extratos de funcionários que comprovam que os depósitos não foram feitos.









