Minas Gerais

O poder do sonho

Ômar Souki

Os desafios brotam pelo caminho a cada instante. Em vez de tentar gerenciar situações difíceis, primeiro temos de administrar a nossa mente. Desistir diante de paredes aparentemente intransponíveis, jamais deverá ser uma opção. Ou perseguimos nossos sonhos agora ou eles aparecerão para nos assombrar no futuro. Aos 12 anos—ao pegar o livro O poder do pensamento positivo de Norman Vincent Peale—eu me perguntei: “Será como ele conseguiu escrever tantas palavras, tantos parágrafos, tantas páginas?”. Abri o livro, aproximei-o do meu rosto e, sentindo o cheirinho gostoso de livro novo, me fiz outra pergunta: “Será que algum dia eu também conseguirei escrever um livro?”. Hoje, aos 74 anos, aquele sonho de criança, em vez de me assombrar, volta para me fortalecer. Por quê? Já publiquei 45 obras em diversas áreas: motivação, marketing, vendas, espiritualidade.  Escrever é um sonho que continuo contemplando diariamente, pois é o alimento de minha alma.

Certa vez, li que Benjamim Franklin, aos 79 anos, confessou que não tinha conseguido atingir a tão almejada perfeição. Porém, o fato de tê-la perseguido durante toda a vida, tinha feito dele uma pessoa melhor e mais feliz do que teria sido se não a tivesse desejado tanto. Sua sabedoria era tal que, com frequência, mesmo em idade avançada, ainda era procurado pelos mais jovens em busca de conselhos. Ao saber disso, eu vislumbrei minha própria maturidade como sendo semelhante à dele, isto é, sendo preenchida pelo convívio com pessoas mais jovens, ávidas de conhecimento. Era, então, apenas um sonho, que agora está se realizando à medida que sou procurado por pessoas bem mais novas em busca de conselhos e ensinamentos.  Isso me dá enorme satisfação, pois, além de ser uma linda oportunidade de ajudar meus semelhantes, também se constitui em forte estímulo para continuar estudando e aprendendo.

O sonho pode ser algo pessoal como o meu ou algo que abranja toda uma nação, como o de Martin Luther King: “Digo a vocês hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e corresponderá ao verdadeiro significado de seu credo: ‘Consideramos essas verdades manifestas: que todos os homens são criados iguais’. Tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da irmandade. Tenho um sonho de que um dia até o estado do Mississippi, um estado desértico que sufoca no calor da injustiça e da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e de justiça. Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter” (Discurso de 28.ago.1963).

O combustível de nossas realizações, sejam elas pessoais ou sociais, é o sonho! Dentro do meu pequeno mundo eu me considero realizado e tenho certeza de que, se Martin Luther King ainda estivesse vivo, estaria exultante de alegria ao ver que a sua poderosa visão—antes considerada apenas um sonho impossível—se tornou realidade.  

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