Minas Gerais

Júri popular de acusado de feminicídio em Carmópolis acontecerá em Divinópolis em julho

O acuso de um feminicídio ocorrido em Carmópolis de Minas, em setembro de 2023, que terminou com a morte da jovem Maria Vitória Lara Almeida, irá a júri popular pelo crime no próximo dia 08 de julho de 2025, na cidade de Divinópolis. João Vitor de Sousa foi acusado pelo Ministério Público de matar a sua namorada Maria Vitória, de 20 anos à época, com um tiro no queixo, no interior de sua residência.
A defesa de João Vitor conseguiu uma decisão judicial que autorizou o desaforamento do júri, alegando que o julgamento em Carmópolis poderia comprometer a ordem pública, a segurança local e a imparcialidade do júri. O pedido foi acatado pela 9ª Câmara Criminal Especializada, do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), mesma turma que negou um habeas corpus com pedido de liberdade ao acusado até o julgamento do caso. Para os advogados de acusação, os elementos juntados no pedido que autorizou o desaforamento não são suficientes para tal, mas citam que acreditam na justiça. “Ao meu pensar, a documentação juntada pela defesa não trouxe elementos concretos no sentido de comprometimento da ordem pública, ou intranquilidade social se o julgamento do denunciado se realizar aqui na cidade, nem dúvida sobre a imparcialidade dos jurados. Contudo, devemos acreditar na lei, no sistema, pois é o que temos ao nosso alcance para requerer a punição do autor do crime. Vamos acreditar na justiça”, afirma Dr. Wagner Rufino Borges, advogado de acusação. A família de Maria Vitória recebeu com estranheza e revolta a notícia da mudança do julgamento para a cidade de Divinópolis. “Meu sentimento é de injustiça com nós, familiares. O que esteve ao nosso alcance, nós corremos atrás e vamos continuar acompanhando, pois acreditamos na justiça”, disse Marly Lara, irmã da vítima. O réu vai a júri popular após ser indiciado pelo crime de homicídio qualificado – sem possibilidades de defesa da vítima e feminicídio. Se for condenado por homicídio qualificado com as qualificadoras de feminicídio e impossibilidade de defesa da vítima, o acusado poderá receber pena de reclusão entre 12 e 30 anos, conforme previsto no Código Penal. Considerado crime hediondo, o feminicídio impede a concessão de benefícios penais mais brandos e dificulta a progressão de regime. Em 29 setembro de 2023, no interior da residência do acusado, João Vitor de Sousa atingiu Maria Vitória com um tiro de revólver 38, que atingiu o queixo e se alojou na cervical da vítima. A mãe de João Vitor, que estava na residência, ao perceber o barulho, entrou no quarto onde encontrou Maria Vitória deitada na cama, ensanguentada e tentando se comunicar. A vítima foi socorrida pelo SAMU e levada para o hospital de Carmópolis, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. João Vitor se entregou a pedido das irmãs mais velhas, conforme informado. Segundo a polícia, ele estaria sob o efeito de cocaína e alegou que estaria brincando com a arma e teria disparado por acidente. A arma do crime não foi localizada. Ele foi preso em flagrante e indiciado por homicídio qualificado (sem possibilidades de defesa da vítima e feminicídio).

Fonte – Fatoslocais.com.br

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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