Minas Gerais

A divina revelação da abundância

Ômar Souki

Alexandre Crof, em sua obra Eu era a sua estrada, relata como, através de viagens pelo Brasil—convivendo com os mais pobres dos pobres—encontrou o Cristo Vivo e chegou a seguinte conclusão: “Quando uma pessoa acha que não tem a necessidade existencial em buscar ou admitir que Jesus é Deus, imperceptivelmente tal pessoa engana-se a si mesma, sacando de si a chance de vida pungente, ou como Jesus disse, da vida em abundância. Só na perspectiva de Cristo como o Deus Eterno que se fez homem, morreu na cruz e ressuscitou é que se pode mergulhar e amar nas camadas mais profundas da própria existência” (p. 202).

Nesse magnífico livro observei algo aparentemente paradoxal. Foi justamente no convívio com moradores de rua nas capitais e com “boias frias” no interior, que Alexandre conseguiu vislumbrar a verdadeira riqueza, isto é, a Divina Presença do Deus Incarnado: Jesus Cristo.

Filho de uma família de classe média no Rio de Janeiro, após a morte dos pais, decidiu percorrer este vasto território em busca de experiências radicalmente opostas às que tinha vivido até então. Buscava, assim, encontrar um significado mais profundo para a sua vida. Ao visitar a vida difícil de certas regiões do país—às vezes retratada pela televisão—ele esperava ter a experiência de coisas que não existiam em seu entorno: “Algo me dizia que eu precisava escutar de perto a humildade, que precisava tocá-la, pois, a valer, nem os livros de história e de histórias, nem as biografias dos artistas e dos grandes homens, e muito menos meu próprio coração poderiam fazer a humildade nascer em mim” (p. 33).

“A fé dos mais simples foi a pregação que faltava à minha conversão, foi a razão que carecia minha adesão a Cristo, foi a homilia que minha vida inteira precisava ouvir para me direcionar do silêncio à Palavra e da Palavra ao ápice da sabedoria humana. O amor deles por Cristo, com Cristo e em Cristo se tornou para mim nada menos que a verdadeira liberdade” (p. 166). Alexandre sentiu em sua alma a vibração e o impacto profundo das seguintes palavras: “Eu lhe bendigo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque você escondeu essas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos pequeninos. Sim, Pai, eu lhe bendigo, porque assim foi do seu agrado” (Mateus 11, 25-26).  

Após a leitura das vivências e das sábias colocações desse inspirado autor, comecei a refletir sobre as minhas experiências com aqueles que são os mais “mansos e humildes de coração”. Além de os encontrar perambulando pelas ruas ou trabalhando nas fazendas, eu, com toda a certeza, os acho todos os dias na missa das 7h00 no Santuário de Santo Antônio, em minha cidade, Divinópolis, Minas Gerais. Ali estão, misturados com a classe média, em adoração a Jesus, o Deus feito homem, que se oferece diariamente na Eucaristia, o Pão que veio do Céu; que humildemente abre para todos a oportunidade de descobrir uma nova vida: a vida em abundância!  

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