Centenário de Antônio Martins é tema de exposição na Câmara de Divinópolis

Quarenta anos já se passaram da sua última gestão como Prefeito de Divinópolis em 1976, e o nome de Antônio Martins Guimarães, é sempre lembrado como um homem visionário, que trouxe desenvolvimento e infraestrutura para a cidade. Foi pensando nesse contexto histórico que os familiares do ex-prefeito organizaram uma exposição sobre o seu centenário na Câmara Municipal de Divinópolis.
O Presidente do Legislativo, Israel da Farmácia (Progressistas) mais uma vez abre as portas da Câmara Municipal para receber uma exposição daquele que foi mais do que um político, foi um homem visionário para o desenvolvimento de Divinópolis. “Falar do ex-prefeito Antônio Martins é uma honra para mim, pois foi através de sua gestão que Divinópolis conheceu um modelo de prefeito visionário, um gestor que trabalhou com obras de drenagem e trouxe infraestrutura e desenvolvimento para inúmeros pontos da cidade”, pontuou Israel da Farmácia.
Para os familiares e visitantes presentes na abertura da exposição, o maior mérito de Antônio Martins foi de entender que era necessário dar continuidade no trabalho dos gestores anteriores para levar desenvolvimento para um município. Um ponto lembrado pelo vereador Israel da Farmácia foi a chegada da Copasa em Divinópolis que foi instalada na cidade durante a gestão de Antônio Martins que trabalhou assiduamente para levar infraestrutura e saneamento básico para a população.
MEMÓRIAS
O jornalista Evandro Araújo em contato com os familiares, amigos e admiradores do ex-prefeito Antônio Martins ajudou na organização da exposição realizada na Câmara de Divinópolis, e uma das figuras que lembrou grandes momentos deste homem público, foi Oneida Pedrosa, “o senhor Antônio foi um homem que fez muita coisa boa para Divinópolis, me lembro que meu pai era líder comunitário de Amadeu Lacerda na época, e Antônio Martins ajudou na construção do Centro Comunitário de lá. Ele era um homem simples, ajudava muitas pessoas da comunidade. Ele foi um homem rico em servir aos pobres”, relembrou a cidadã.
Pai de quatro filhos, Antônio Martins deixou para sua família um legado que vai além da política, emocionada com todas as homenagens, a filha Patrícia Pires Guimarães destacou que seu pai tinha visão de empresário e foi assim que ele administrou Divinópolis de uma forma tão visionária, deixando seu legado marcado na cidade mesmo depois de tanto anos. “Estou muito emocionada em ouvir tantos relatos positivos do meu pai mesmo depois de 40 anos da gestão dele. Esse é o sinal de que ele fez um bom trabalho e fez história no desenvolvimento da cidade”, disse Patrícia Pires.
A jornalista divinopolitana Marcela Mesquita que é neta de Antônio Martins, destacou sobre a importância da história do ex-prefeito ser transmitida para gerações futuras. “É interessante, porque eu estudava sobre a história da cidade, e via as professoras contando a história do meu avó. Acho que além do lado político, essa exposição foi criada para resgatar a essência dele como homem, a pessoa que gostava de reunir a família, gostava de pescar, e principalmente um ser humano que pensava no outro”, refletiu a jornalista.
OBRAS
A exposição propõe uma oportunidade de revisitar a trajetória de Antônio Martins Guimarães, compreender suas contribuições para o desenvolvimento de Divinópolis e preservar a memória de um período importante da história política e administrativa do município. Por meio de documentos, recortes de jornais, fotografias e outros registros históricos, a iniciativa busca aproximar o público das ideias, decisões e realizações que marcaram sua passagem pela Prefeitura. Um exemplo de uma das conquistas de Antônio Martins está impressa em uma das fotos que mostra a instalação do primeiro orelhão de Divinópolis em 1970, na praça Candidés no bairro Niterói.
A artista plástica Regina Moraes, é autora de um dos quadros que retratam Antônio Martins na exposição, e aproveitou a oportunidade para contar como começou a amizade com a família Martins. “O que me motivou a fazer essa pintura do senhor Antônio, foi realmente a amizade que cultivei ao longo dos anos, eu era vizinha dele, e me lembro que na época de escola ia até a sua casa buscar poster dele para apresentar trabalhos na escola. Ele sempre foi essa pessoa muito simples, humilde, honesto, carinhoso e uma referência como prefeito. Fiz esse quadro no ano de 2000 de presente para a Patrícia filha dele que se tornou uma grande amiga e também para a mãe dela, dona Elza guardar de lembrança após a morte do senhor Antônio”, finalizou Regina Moraes.
A abertura da exposição realizada nesta terça-feira, 3 de novembro, também contou com a participação dos vereadores Josafá Anderson (PSB) e Matheus Dias (Avante). A exposição “Centenário de Antônio Martins 1926 – 2026” estará aberta ao público até o dia 13 de novembro, de 12h às 18 horas, no Espaço GTO que fica no segundo andar da Câmara Municipal de Divinópolis.
HISTÓRIA
Antônio Martins nasceu em 21 de novembro de 1926, em Nova Serrana. Mas mudou-se ainda criança para Divinópolis, onde estudou na Escola Padre matias Lobato. Terminou os estudos em Belo Horizonte, onde também começou a vida de empresário, principalmente na área de fundição. Chegou a ser presidente da Associação dos Fundidores do Centro Oeste. Também foi sócio -fundador do Lions Pioneiro e presidente da APAE e do Instituo Helena Antipoff. Faleceu em um acidente de carro no dia 6 de junho de 1994, na MG 050, próximo a Itaúna.
Mais do que homenagear uma personalidade pública, a mostra pretende estimular a reflexão sobre o papel do planejamento, da continuidade administrativa e da visão de futuro na construção de uma cidade. O centenário também representa uma oportunidade de compartilhar com as novas gerações a história de uma liderança cuja atuação deixou marcas na organização urbana e na infraestrutura de Divinópolis.
Divinópolis para o futuro
Antônio Martins Guimarães é lembrado como uma das figuras marcantes da história política de Divinópolis. Sua administração se destacou por uma concepção moderna de gestão pública para a época, quando o município contava com aproximadamente 80 mil habitantes e enfrentava desafios relacionados ao crescimento urbano, à infraestrutura e à organização dos serviços públicos.
Um dos aspectos mais significativos de sua atuação foi a compreensão de que o desenvolvimento de uma cidade não começa nem termina em um único mandato. Em vez de desconsiderar iniciativas de administrações anteriores, Antônio Martins procurou aproveitar estudos e projetos já existentes, aperfeiçoando propostas e transformando planejamentos em ações concretas. Essa postura demonstrava uma visão de interesse público que valorizava a continuidade administrativa e reconhecia a contribuição de diferentes pessoas para a construção da cidade.
Essa forma de governar se refletiu especialmente no planejamento urbano. Em um período no qual muitos municípios produziam planos e estudos que nem sempre se convertiam em resultados práticos, Divinópolis avançou na adoção de medidas voltadas à organização do território, à regulamentação das construções e à estruturação da administração municipal. A atualização de instrumentos como o Código de Obras, o Código de Posturas e o Código Tributário, além da implantação do Cadastro Técnico Municipal, contribuiu para estabelecer bases mais consistentes para o ordenamento urbano e a gestão das receitas públicas.
Infraestrutura e saneamento: bases para a expansão da cidade
Entre os marcos associados à administração de Antônio Martins está a adesão ao Plano Nacional de Saneamento (Planasa), iniciativa que ampliou as possibilidades de investimento em saneamento básico e infraestrutura. A articulação com os governos estadual e federal foi importante para abrir caminhos para projetos estruturantes, em uma época em que Divinópolis precisava criar condições para sustentar seu crescimento nas décadas seguintes.
As intervenções urbanas também alcançaram a abertura e o prolongamento de vias, a ligação de áreas da cidade ao sistema rodoviário, a pavimentação de ruas, a implantação de iluminação pública, a arborização e a construção de praças. Entre as obras de destaque está a ponte ou o viaduto do bairro Porto Velho, lembrado como uma intervenção relevante para a infraestrutura urbana daquele período.
Os trabalhos de drenagem pluvial e a implantação de galerias também integraram esse esforço de preparação da cidade para a expansão. Em conjunto com as medidas de planejamento e organização territorial, essas iniciativas ajudaram a estabelecer condições para o crescimento urbano e para as transformações que Divinópolis experimentaria ao longo das décadas seguintes.
Uma visão de administração baseada em planejamento e articulação
A atuação de Antônio Martins também se caracterizou pela busca de conhecimento técnico e pela articulação política para viabilizar projetos. Sua administração reuniu profissionais e assessores com experiência em planejamento e gestão pública, além de estabelecer relações com lideranças estaduais e federais para ampliar as oportunidades de investimento no município.
Relatos de pessoas que acompanharam sua gestão destacam o rigor na tomada de decisões. Nas reuniões com a equipe, o prefeito ouvia os argumentos e as propostas apresentados antes de definir os encaminhamentos. Era uma liderança firme e exigente, que mantinha a responsabilidade pela decisão final, mas reconhecia a importância da análise técnica e da discussão de alternativas.
Sua atuação também alcançou áreas como educação, saúde e desenvolvimento rural, em diálogo com propostas e iniciativas que vinham sendo construídas ao longo de diferentes administrações. A valorização dessas contribuições reforça uma das características mais lembradas de sua trajetória: a disposição de dar continuidade ao que considerava importante para o município, independentemente de sua origem política.
O catavento: símbolo de uma administração em movimento
Um dos elementos mais emblemáticos da gestão de Antônio Martins foi o catavento, escolhido como símbolo de sua administração. A imagem representava, segundo a explicação atribuída ao próprio ex-prefeito, a capacidade de produzir movimento e energia a partir de uma força disponível: o vento.
A metáfora sintetiza uma concepção de gestão orientada para o aproveitamento de oportunidades, a mobilização de recursos e a transformação de ideias em resultados. Assim como o catavento depende do vento para girar, a administração pública precisa reconhecer as possibilidades existentes e criar condições para que elas contribuam para o desenvolvimento coletivo.
O símbolo também permanece como referência visual e afetiva da memória de sua gestão. Na exposição, ele se conecta à proposta de recuperar não apenas as obras realizadas, mas também os princípios, as escolhas e a maneira de pensar a cidade que marcaram aquele período.
Um convite à memória e à história de Divinópolis
Ao celebrar os cem anos do nascimento de Antônio Martins Guimarães, a exposição convida a população a olhar para a história de Divinópolis como resultado de um processo construído por diferentes gerações. Conhecer a trajetória de seus administradores, compreender os desafios de cada época e preservar os registros históricos são formas de reconhecer as transformações do município e refletir sobre seu futuro.
A mostra é, assim, uma homenagem à memória de Antônio Martins e uma oportunidade de ampliar o acesso a documentos e relatos sobre uma etapa importante do desenvolvimento local. Ao reunir passado e presente, a iniciativa busca valorizar a história da cidade e manter vivo o debate sobre o papel do planejamento, da responsabilidade pública e da continuidade das políticas voltadas ao interesse coletivo.
Fotos: Kauaan Andrade- Comunicação Câmara de Divinópolis






















