Sargento da PMMG confessa ter matado conselheira tutelar e polícia analisa mensagens e registros do relacionamento amoroso

O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, confessou ter matado a conselheira tutelar trans Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, e ocultado o corpo em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas, no Sul do estado. A Polícia Civil investiga o caso e passou a analisar mensagens, fotografias, agendas e outros registros encontrados pela família da vítima, que indicariam a existência de um relacionamento entre os dois. O militar teve a prisão convertida em preventiva e permanece custodiado no 20º Batalhão da PMMG, em Pouso Alegre.
Maryna desapareceu na sexta-feira (21), depois de sair da casa dos pais. Durante as buscas, familiares reuniram informações sobre os últimos contatos mantidos por ela e localizaram diários, agendas, fotografias e conversas que posteriormente foram entregues às autoridades. Segundo informações registradas na ocorrência, parte desse material indicaria que Maryna e o sargento mantinham um relacionamento havia vários anos.
As mensagens também passaram a integrar a investigação sobre os acontecimentos que antecederam a morte. Conforme os registros apresentados às autoridades, algumas conversas mencionariam cobranças relacionadas ao relacionamento, pedidos de dinheiro e referências à possibilidade de tornar a relação pública. A Polícia Civil analisa o conteúdo juntamente com depoimentos, laudos e demais elementos reunidos no inquérito.
Em depoimento, José Sérgio afirmou que encontrou Maryna no dia do desaparecimento. Segundo a versão apresentada pelo militar, houve uma discussão relacionada ao relacionamento. Ele declarou que Maryna teria cobrado que deixasse a família e assumisse publicamente a relação, além de mencionar que poderia revelar o envolvimento à esposa dele, a moradores de Jacuí e à própria Polícia Militar.
Ainda conforme o relato do sargento, os dois seguiram em uma caminhonete para uma área rural onde já teriam se encontrado anteriormente. O policial afirmou que uma nova discussão ocorreu no local e disse que Maryna teria pegado uma faca e tentado atacá-lo. Essa versão apresentada pelo investigado ainda é confrontada pela Polícia Civil com os vestígios recolhidos e os resultados dos exames periciais.
O militar declarou que utilizou uma arma de fogo e efetuou disparos contra Maryna. A quantidade exata de tiros ainda depende das conclusões da perícia. Depois da morte, segundo a confissão apresentada às autoridades, José Sérgio colocou o corpo da vítima na caminhonete, seguiu até uma área de mata e o enterrou.
O corpo foi localizado na terça-feira (25) em uma região rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas. O ponto onde Maryna estava enterrada foi indicado pelo próprio sargento durante a investigação. Uma faca também foi encontrada na região e recolhida para análise, enquanto a caminhonete utilizada pelo militar foi apreendida para realização de perícia.
Antes da localização do corpo, familiares já realizavam buscas em áreas rurais com base em informações relacionadas ao celular de Maryna. Registros de localização do aparelho apontavam para uma região próxima a um açude entre os municípios de Jacuí e Fortaleza de Minas. Após ser encontrado, o corpo foi encaminhado ao Posto Médico-Legal de São Sebastião do Paraíso.
Outro elemento analisado pelas autoridades está relacionado ao atendimento inicial do desaparecimento. Informações constantes do processo indicam que José Sérgio chegou a aparecer no boletim de ocorrência registrado após Maryna desaparecer. Com o avanço dos levantamentos, a investigação passou a concentrar atenção nos últimos contatos mantidos pela vítima e no relacionamento apontado pelos documentos apresentados pela família.
O sargento foi preso durante a investigação e, inicialmente, a ocorrência também envolveu a suspeita de ocultação de cadáver. Na quarta-feira (26), durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva. O militar também é investigado por feminicídio.
A defesa pediu a concessão de liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares, mas o pedido foi negado. José Sérgio permanece detido em uma unidade da Polícia Militar em Pouso Alegre enquanto o inquérito segue em andamento.
A Polícia Civil deverá confrontar a versão apresentada pelo militar com os resultados da necropsia, exames realizados na caminhonete, análise da arma de fogo, da faca encontrada, das mensagens trocadas entre os envolvidos e dos depoimentos colhidos durante a investigação.
A possível motivação do crime também continua sendo investigada. As declarações relacionadas a discussões sobre o relacionamento foram apresentadas pelo próprio suspeito e integram o conjunto de informações que ainda será analisado pela Polícia Civil antes da conclusão do inquérito.
A defesa do militar informou que ele está colaborando com as investigações e aguarda a conclusão da apuração. A Polícia Civil permanece responsável pelo esclarecimento da dinâmica, das circunstâncias e da motivação da morte de Maryna Colucci de Jesus.









