Policial Militar é preso em Formiga após condenação por vazar informações de operações contra o tráfico

Um policial militar foi preso na manhã desta sexta-feira, 15 de maio, em Formiga, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, após ser denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por vazar informações sigilosas de operações realizadas em conjunto com as Polícias Civil e Militar. O caso está ligado à Operação Tropa de Elite, que apurou a suspeita de repasse de dados de ações contra o tráfico de drogas na região. Segundo o Ministério Público, o militar recebeu condenação por crimes relacionados ao caso, incluindo associação para o tráfico e descumprimento de missão.
De acordo com as investigações, as informações repassadas pelo policial teriam prejudicado operações contra grupos ligados ao tráfico de drogas. O Ministério Público informou que o vazamento teria sido recompensado com 25 gramas de crack e que o acusado vazou conteúdos das operações Snowblind e Leão de Nemeia. A apuração aponta que a divulgação antecipada de informações impediu a apreensão de mais drogas e o cumprimento de mandados de prisão.
Com base nesses fatos, o militar foi denunciado e condenado por dois crimes de corrupção. O Ministério Público também requereu o desarquivamento da investigação chamada Alma à Venda. Com as provas reunidas nas apurações, foi possível oferecer nova denúncia contra o policial pelo crime de associação para o tráfico.
O policial também foi denunciado por descumprimento de missão. Conforme a apuração, durante uma operação da Polícia Militar, ele ficou responsável por vigiar uma residência enquanto outros militares realizavam buscas no local. No entanto, segundo o Ministério Público, o militar não cumpriu a função determinada e permitiu que uma mulher entrasse no imóvel, situação que comprometeu a ação policial.
O caso teve desdobramentos desde 2023, quando o Ministério Público informou que investigava um sargento da Polícia Militar suspeito de vazar informações sigilosas sobre operações contra o tráfico de drogas no Centro-Oeste de Minas Gerais. Na época, a Justiça Militar determinou a transferência do investigado para outro município, a mais de 300 quilômetros de Formiga, além de medidas cautelares que o proibiam de manter contato com policiais do 63º Batalhão da Polícia Militar e de acessar bancos de dados da corporação.
A Operação Snowblind, uma das ações citadas nas investigações, foi deflagrada em julho de 2022 para combater crimes de tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico em Formiga e Arcos. A investigação durou cerca de dez meses e resultou na expedição de 14 mandados de prisão temporária, seis medidas cautelares diversas da prisão e 35 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, foram apreendidas drogas como cocaína, maconha e crack.
Já a Operação Leão de Nemeia, deflagrada em abril de 2021, teve como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Formiga e região. A ação ocorreu em Formiga, Arcos, Córrego Fundo, Pimenta e Campos Altos, com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e prisão de 13 pessoas. Na época, foram apreendidos mais de 16 quilos de drogas, veículos, munições, cheques, dinheiro, celulares, balanças de precisão, cofres e máquinas de cartão.
Ainda conforme a investigação da Operação Leão de Nemeia, o grupo criminoso era apontado como o principal fornecedor de drogas para a região, responsável por grande parte do abastecimento de entorpecentes em Formiga. A apuração também indicou movimentação de cerca de R$ 40 milhões em dois anos por meio de lavagem de dinheiro, com uso de empresas ligadas a turismo e veículos de luxo.
Com a prisão desta sexta-feira, o caso avança para uma nova fase de cumprimento da decisão judicial. O Ministério Público afirma que a atuação do policial comprometeu operações contra o tráfico de drogas, prejudicou a apreensão de materiais ilícitos e afetou o cumprimento de mandados contra investigados.









