Polícia

Policiais mortos em queda de avião em Minas Gerais são homenageados durante velório e despedida com honras militares em Belo Horizonte

Os três policiais militares que morreram na queda de um avião da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), na tarde de sexta-feira (9 de outubro), em Santana do Paraíso, no Vale do Aço, receberam homenagens durante as cerimônias de velório e despedida realizadas neste domingo (11), em Belo Horizonte. O tenente-coronel Luís Fernando Silvestre e as primeiras-tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Oliveira Almeida foram homenageados por familiares, amigos, colegas de profissão e representantes do poder público. O velório aconteceu na Academia de Polícia Militar, no bairro Prado, na Região Oeste da capital, e foi seguido por um cortejo até o Cemitério Parque Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, na Região Norte, onde a corporação realizou as últimas homenagens aos três integrantes do Comando de Aviação do Estado (ComAvE).

A cerimônia de velório começou por volta das 11h e se estendeu até as 14h deste domingo. A despedida aconteceu em um espaço reservado da Academia de Polícia Militar, com a participação de familiares, amigos, policiais militares e autoridades estaduais e municipais. O acesso ao ambiente onde estavam os corpos foi restrito, permitindo que os familiares acompanhassem a cerimônia de maneira reservada. Entre as autoridades presentes estavam o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, que participaram das homenagens aos militares mortos durante a atividade aérea realizada na sexta-feira.

Após o encerramento do velório, os corpos foram colocados em veículos do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais para o deslocamento até o cemitério. O cortejo teve início durante a tarde, com os caixões acompanhados de bandeiras do Brasil e coroas de flores. O comboio percorreu vias de Belo Horizonte, incluindo a Avenida Cristiano Machado, em direção ao Cemitério Parque Bosque da Esperança. A operação contou com a participação de militares que acompanharam o transporte dos corpos até o local da despedida final, onde familiares e integrantes da corporação aguardavam a chegada das vítimas.

No Cemitério Bosque da Esperança, localizado na Rua Aldemiro Fernandes Tôrres, nº 1.500, no bairro Jaqueline, a Polícia Militar realizou uma cerimônia de despedida com honras militares. Os três caixões foram posicionados em suportes preparados para a solenidade, enquanto integrantes da corporação executavam uma marcha fúnebre. A homenagem também contou com uma salva de tiros, procedimento realizado em cerimônias militares. Familiares, amigos e colegas acompanharam os atos finais, que marcaram a despedida dos três policiais que integravam a estrutura de aviação da segurança pública de Minas Gerais.

As primeiras-tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Oliveira Almeida foram sepultadas no Cemitério Bosque da Esperança. O corpo do tenente-coronel Luís Fernando Silvestre foi destinado à cremação. As cerimônias ocorreram no fim da tarde deste domingo, encerrando os procedimentos funerários iniciados após a liberação dos corpos pelo Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. Os três militares morreram no mesmo acidente, ocorrido durante uma atividade de treinamento de pilotos da Polícia Militar, e receberam homenagens conjuntas da instituição.

Os corpos das vítimas haviam sido encaminhados ao Instituto Médico Legal Dr. André Roquette, em Belo Horizonte, após o acidente registrado na sexta-feira. A Polícia Civil realizou os procedimentos periciais e de identificação necessários antes da liberação para os serviços funerários. Os militares foram identificados com o auxílio de registros odontológicos, procedimento que utiliza informações da arcada dentária para confirmar a identidade. A liberação ocorreu no sábado (10), permitindo a preparação das cerimônias realizadas no dia seguinte na capital mineira.

O tenente-coronel Luís Fernando Silvestre, de 49 anos, era comandante do Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado e acumulava 24 anos de carreira na Polícia Militar de Minas Gerais. Desse período, aproximadamente 19 anos foram dedicados à aviação de segurança pública. O oficial possuía mais de cinco mil horas de voo e atuava como piloto, instrutor e examinador, exercendo atividades relacionadas à formação, avaliação e qualificação de outros profissionais da aviação. Natural de Belo Horizonte, Silvestre deixou esposa e três filhos. Ele também possuía credenciamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para atividades relacionadas à sua habilitação profissional.

A primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende também integrava o Comando de Aviação do Estado e havia alcançado um marco na história da Polícia Militar mineira ao se tornar a primeira mulher habilitada para pilotar aeronaves de asa fixa na unidade. A oficial havia retornado recentemente da licença-maternidade e era mãe de dois filhos. Gabriela ingressou na Polícia Militar em 2017 e foi declarada oficial em 2019. Antes de integrar a aviação, atuou em unidades operacionais da corporação em Belo Horizonte, incluindo o 34º Batalhão e o Comando Tático Móvel do 41º Batalhão. Sua trajetória profissional passou a incluir atividades de pilotagem de aviões utilizados em operações de segurança pública.

A primeira-tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida era outra integrante do Comando de Aviação do Estado que estava na aeronave no momento do acidente. Nascida em Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, Alice passou parte da infância e da juventude em Caratinga, onde estudou em escolas públicas antes de seguir sua trajetória profissional. Posteriormente, ingressou na Polícia Militar e passou a atuar na aviação da corporação, desempenhando atividades de pilotagem e relacionadas à manutenção de aeronaves. Assim como Gabriela, acumulava aproximadamente 300 horas de voo. Alice integrava a equipe responsável pelas operações aéreas da Polícia Militar quando ocorreu a queda do avião.

Durante o velório, o governador Mateus Simões se manifestou sobre a morte dos três militares e destacou a participação deles nas atividades do Comando de Aviação do Estado. O chefe do Executivo mineiro também lembrou a experiência profissional de Luís Fernando Silvestre, a trajetória de Gabriela Emília como primeira mulher habilitada a pilotar aviões da unidade e o trabalho desenvolvido por Alice Almeida. O governador pediu apoio às famílias e aos integrantes da corporação, além de defender que as investigações sobre as circunstâncias do acidente sejam concluídas antes de qualquer definição sobre suas causas.

O acidente aconteceu na tarde de sexta-feira (9), quando uma aeronave bimotora da Polícia Militar caiu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, localizado no município de Santana do Paraíso, próximo a Ipatinga. O avião era um Beechcraft King Air 300, identificado pelo prefixo PP-EJO e pelo indicativo operacional Pégasus 17. A aeronave havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16, com destino à região do Vale do Aço. Os três militares realizavam uma atividade de rechecagem de habilitação, procedimento periódico destinado à avaliação da proficiência dos pilotos e à manutenção das condições necessárias para a operação de aeronaves.

A queda aconteceu nas proximidades do terminal aeroportuário, em uma área próxima ao km 43 da BR-458. O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais recebeu o chamado para atender à ocorrência por volta das 16h20. O acidente provocou um incêndio que atingiu os destroços da aeronave, produzindo uma coluna de fumaça visível a distância. Equipes de emergência foram mobilizadas para o atendimento, mas os três ocupantes morreram. A operação envolveu profissionais do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e de outros serviços responsáveis pelos procedimentos de atendimento e segurança no local.

A Polícia Militar informou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que a documentação operacional permanecia válida. O avião era utilizado em atividades do Comando de Aviação do Estado, responsável pelo apoio aéreo a operações policiais e outras missões institucionais, incluindo deslocamentos de equipes e transporte de órgãos destinados a transplantes. O treinamento realizado pelos militares fazia parte dos procedimentos periódicos de avaliação técnica dos pilotos. Até o momento, não foi divulgada uma conclusão que explique o que provocou a queda da aeronave.

As circunstâncias do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão responsável pela investigação de ocorrências aeronáuticas no Brasil. A Polícia Civil também realiza os procedimentos relacionados à apuração da ocorrência dentro de suas atribuições. Os trabalhos deverão considerar informações sobre o voo, as condições operacionais da aeronave e os elementos encontrados no local da queda. A investigação ainda não apresentou uma causa definitiva para o acidente que matou os três integrantes da Polícia Militar.

Em razão das mortes, o Governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias. A medida foi adotada após a confirmação do acidente e das identidades dos militares. O caso também ocorreu dois dias antes de se completarem dois anos da queda do helicóptero Arcanjo 04, do Corpo de Bombeiros, em Ouro Preto, registrada em 11 de outubro de 2024, quando seis profissionais morreram. A data foi lembrada durante as manifestações relacionadas à despedida dos policiais militares em Belo Horizonte.

Com as cerimônias realizadas neste domingo, familiares e integrantes da Polícia Militar concluíram as despedidas de Luís Fernando Silvestre, Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Oliveira Almeida. A corporação prestou homenagens aos três profissionais, que atuavam no Comando de Aviação do Estado e morreram durante um voo de treinamento. Enquanto os procedimentos funerários foram encerrados, a investigação sobre a queda do avião em Santana do Paraíso permanece em andamento, sem conclusão divulgada sobre os fatores que provocaram o acidente.

Informação de Divinópolis, da região e de Minas Gerais em tempo real: Fique por dentro de tudo e leia mais notícias em portalg37.com.br ou pelo Instagram @portalg37oficial.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

Leia mais

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.