Corretor de imóveis é preso por aplicar golpes que ultrapassam R$ 500 mil e atingir pelo menos 25 vítimas no Sul de Minas

Um corretor de imóveis de 26 anos foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais, na terça-feira (6 de outubro), em São Sebastião do Paraíso, no Sul do estado, suspeito de envolvimento em uma série de fraudes imobiliárias que podem ter causado prejuízos superiores a R$ 500 mil. As investigações apontam a existência de pelo menos 25 possíveis vítimas, que teriam realizado pagamentos relacionados à compra, venda ou locação de imóveis negociados de maneira irregular. O suspeito já era investigado desde o início de 2026 por ocorrências semelhantes e acabou preso em flagrante durante uma negociação envolvendo um terreno que não estava disponível para venda. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, mantendo o investigado detido enquanto os procedimentos legais continuam.
O homem foi identificado como Álvaro Antônio Camilo Cardeal Marquezini, de 26 anos. Conforme os levantamentos da Polícia Civil, ele utilizava o nome de uma imobiliária de São Sebastião do Paraíso para realizar negociações e atrair pessoas interessadas na aquisição de terrenos e outros imóveis. A investigação aponta que determinadas propriedades anunciadas pelo suspeito não estavam disponíveis para comercialização, embora fossem apresentadas aos compradores como oportunidades de negócio. Em algumas situações, os interessados teriam realizado pagamentos antecipados, acreditando que os valores seriam utilizados para garantir a aquisição dos imóveis. Os contratos e demais documentos relacionados às negociações estão entre os elementos analisados pelos investigadores.
A prisão aconteceu durante uma negociação em que uma pessoa havia repassado R$ 9 mil como entrada para a suposta compra de um terreno. Após realizar o pagamento e desconfiar das condições apresentadas, a vítima procurou a Polícia Civil e relatou a possibilidade de estar sendo enganada. Os investigadores se deslocaram até o local onde a negociação estava sendo realizada e encontraram o suspeito durante os procedimentos relacionados à transação financeira. Conforme a apuração, ele providenciava documentos e assinaturas contratuais referentes à comercialização de um lote que não estava à venda. Diante das circunstâncias verificadas, os policiais realizaram a abordagem e efetuaram a prisão em flagrante.
Inicialmente, as investigações apontavam prejuízos superiores a R$ 200 mil, relacionados a diferentes ocorrências de estelionato registradas na região. Entretanto, com o avanço dos levantamentos e o aparecimento de novos relatos, o valor estimado passou a ultrapassar R$ 500 mil. O número de possíveis vítimas também aumentou, chegando a pelo menos 25 pessoas. Os valores ainda estão sujeitos à análise dos documentos e das informações apresentadas pelos envolvidos, uma vez que cada negociação precisa ser examinada individualmente para determinar a existência de irregularidades, os pagamentos realizados e os prejuízos efetivamente registrados.
O delegado Rafael Souza Gomes, responsável pelas informações divulgadas sobre o andamento da investigação, confirmou que o homem já era investigado desde o início do ano por suspeitas relacionadas à comercialização fraudulenta de imóveis. Após a prisão, mais de 20 pessoas procuraram a Polícia Civil para relatar situações semelhantes. Os novos registros passaram a integrar os procedimentos de apuração, ampliando o conjunto de negociações analisadas. A investigação busca esclarecer como os imóveis eram apresentados aos interessados, quais valores foram recebidos e se os proprietários tinham conhecimento ou haviam autorizado as transações realizadas pelo investigado.
Entre os casos que passaram a ser analisados está uma situação envolvendo a locação de um imóvel residencial sem o conhecimento de seu proprietário. Conforme os levantamentos, uma pessoa teria alugado a residência e realizado pagamentos mensais ao investigado, acreditando que a negociação estava regularizada. Entretanto, o dono do imóvel não teria autorizado a intermediação e desconhecia o recebimento dos valores. O episódio passou a integrar as investigações por apresentar uma modalidade diferente das suspeitas relacionadas à venda de terrenos. A Polícia Civil também apura a possibilidade de utilização de documentos falsificados em algumas das negociações.
Com o aumento do número de denúncias, os investigadores passaram a reunir contratos, comprovantes de transferências bancárias, recibos e outros documentos apresentados pelas possíveis vítimas. A apuração envolve procedimentos individualizados para esclarecer as circunstâncias de cada negociação. As pessoas que registraram ocorrências deverão prestar depoimentos e apresentar os materiais que possam contribuir para a identificação dos valores transferidos e dos imóveis utilizados nas transações. Dependendo das conclusões, o investigado poderá responder por mais de 20 crimes de estelionato, além de eventuais infrações relacionadas à documentação utilizada. A definição das responsabilidades dependerá do resultado das investigações e da análise judicial.
Outro ponto esclarecido após a prisão diz respeito à situação profissional do investigado. Embora as primeiras informações tenham apresentado o homem como um falso corretor, a defesa informou que Álvaro possui registro profissional ativo no Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG). A existência do registro foi confirmada pelo conselho, que também informou não haver, até aquele momento, denúncias contra o profissional em seus registros. Dessa forma, as suspeitas investigadas estão relacionadas às negociações imobiliárias realizadas pelo homem, e não à ausência de habilitação para exercer a profissão. A existência de registro profissional não impede a investigação de eventuais irregularidades praticadas durante o exercício da atividade.
A defesa do investigado informou que acompanha os procedimentos e que está à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários. Os advogados destacaram a importância de analisar cada negociação separadamente, considerando os contratos, os pagamentos e as circunstâncias apresentadas pelos envolvidos. Também afirmaram que existem iniciativas de acordo destinadas a buscar soluções para questões financeiras relacionadas às operações investigadas. Entretanto, não foram confirmados valores efetivamente devolvidos às pessoas que relataram prejuízos. A defesa também ressaltou o direito do investigado à ampla defesa e à presunção de inocência durante o andamento do processo.
Após a prisão em flagrante, a Polícia Civil solicitou à Justiça a conversão da medida em prisão preventiva, considerando os elementos reunidos nas investigações. O pedido foi acolhido, e o suspeito permaneceu preso por determinação judicial. A prisão preventiva não representa condenação e pode ser revista conforme o andamento do processo e os requisitos legais. As investigações continuam para identificar todas as possíveis vítimas, verificar a extensão dos prejuízos financeiros e esclarecer a participação do investigado nas negociações. Até a última atualização, o caso envolvia pelo menos 25 possíveis vítimas e prejuízos estimados em mais de R$ 500 mil, valores que ainda poderão ser alterados conforme a conclusão dos levantamentos.
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