Morre piloto de helicóptero que caiu em fazenda no Sul de Minas e quatro pessoas continuam hospitalizadas

O piloto Rafael Grossi Teixeira, de 43 anos, morreu na madrugada deste domingo (8 de novembro), após sofrer ferimentos na queda de um helicóptero na zona rural de Passos, no Sul de Minas Gerais. O acidente aconteceu na tarde de sábado (7), em uma fazenda próxima à rodovia MG-050, onde a aeronave caiu durante uma tentativa de aproximação para pouso. Rafael estava entre os cinco ocupantes do helicóptero e foi socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos. A morte ocorreu por volta das 3h, na Santa Casa de Misericórdia de Passos. Os outros quatro ocupantes continuam hospitalizados, sendo um na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e três em leitos de enfermaria.
O acidente aconteceu por volta das 13h40, nas proximidades da Fazenda Tiodoro, localizada na região do pedágio da MG-050, no sentido de Furnas. A aeronave envolvida era um helicóptero Robinson R66 Turbine, de matrícula PP-MYO, que transportava o piloto e quatro passageiros. O grupo havia saído da região de Belo Horizonte com destino à propriedade rural, onde seria realizado um casamento. A queda ocorreu quando o helicóptero sobrevoava uma área de plantação de milho, nas proximidades do local previsto para o desembarque.
Conforme os primeiros levantamentos realizados durante o atendimento, o piloto fazia um voo de reconhecimento sobre o terreno para avaliar as condições de pouso. Quando a aeronave estava a aproximadamente 20 metros de altura, apresentou uma perda de estabilidade e caiu na área de plantação. O impacto provocou danos à estrutura do helicóptero, que ficou parcialmente destruído. A dinâmica relatada inicialmente ainda depende de avaliação técnica para determinar os fatores que contribuíram para o acidente, não sendo possível estabelecer uma causa definitiva apenas com as informações obtidas no momento do resgate.
Os cinco ocupantes foram encontrados com vida após a queda. O primeiro atendimento contou com a participação de pessoas que estavam na propriedade, incluindo dois bombeiros que se encontravam de folga, sendo um de Minas Gerais e outro do interior de São Paulo. Eles prestaram os primeiros socorros até a chegada das equipes mobilizadas para a ocorrência. Duas viaturas do Corpo de Bombeiros Militar de Passos e unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) participaram da operação, realizando a avaliação e o transporte das vítimas para atendimento hospitalar.
Rafael Grossi Teixeira foi encaminhado à Santa Casa de Misericórdia de Passos, onde recebeu atendimento médico. Apesar dos procedimentos realizados, morreu durante a madrugada de domingo. A confirmação da morte foi divulgada pelo diretor técnico da unidade hospitalar, José Ronaldo Alves. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Passos para os procedimentos necessários. Também foi informada a previsão de transferência do corpo para o Rio de Janeiro, sem confirmação sobre a data em que esse procedimento seria realizado.
Os outros quatro ocupantes permaneceram internados na Santa Casa de Passos após o acidente. Conforme a atualização divulgada neste domingo, todos apresentavam quadro clínico estável, embora um deles necessitasse de acompanhamento na UTI. Esse paciente apresentava fraturas ortopédicas e trauma torácico, permanecendo sob monitoramento médico. Os três demais passageiros estavam em leitos de enfermaria, sem necessidade de cuidados intensivos naquele momento. As identidades dos sobreviventes não foram divulgadas.
Nascido em 6 de abril de 1983, Rafael tinha uma trajetória profissional de aproximadamente duas décadas na aviação civil. Ele era piloto de helicóptero havia 20 anos e atuava também na formação e qualificação de profissionais do setor aeronáutico. Residente em São Paulo, estava em Minas Gerais durante um período de atividades profissionais. Sua experiência incluía operações aéreas, treinamento de pilotos, gestão de instituições de ensino aeronáutico e participação em atividades relacionadas à regulamentação da aviação brasileira.
O comandante era sócio-fundador da AR Aviation School, instituição sediada em São Paulo e voltada à capacitação de profissionais da aviação. A escola desenvolve atividades de treinamento teórico e prático, incluindo cursos relacionados à operação de aeronaves da família King Air. Rafael integrava o quadro de instrutores e participava das atividades de formação oferecidas pela instituição. Sua trajetória reunia a experiência adquirida na condução de helicópteros e conhecimentos relacionados aos procedimentos técnicos e administrativos do setor.
Antes de atuar na iniciativa privada, Rafael também trabalhou na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), onde exerceu a função de gerente de Escolas de Aviação Civil, Centros de Treinamento e Exames. Nessa área, esteve ligado a atividades relacionadas à formação de profissionais, ao acompanhamento de instituições de ensino e aos procedimentos regulatórios aplicáveis ao setor aeronáutico. Registros administrativos da agência também identificam sua participação em atividades de fiscalização e acompanhamento de operações de empresas aéreas durante o período em que integrou a instituição.
O piloto também esteve ligado à RGT Consultoria, conhecida como RGT Aviation, voltada à prestação de serviços especializados no setor de aviação civil. Entre as atividades desenvolvidas estavam a assessoria em processos administrativos envolvendo infrações e multas aeronáuticas, o apoio à certificação e homologação de empresas, a elaboração de estudos operacionais e a orientação sobre procedimentos regulatórios. A atuação profissional incluía ainda iniciativas relacionadas à aviação executiva, à gestão operacional e à segurança de voo.
A aeronave envolvida no acidente foi fabricada em 2013 e possuía capacidade para cinco ocupantes, incluindo o piloto. O Robinson R66 é um helicóptero equipado com motor turboeixo e utilizado em operações privadas. Conforme os dados cadastrais disponíveis, o aparelho apresentava situação regular na Agência Nacional de Aviação Civil e possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até 3 de fevereiro de 2027. A regularidade documental, entretanto, não determina as circunstâncias que provocaram a queda, que deverão ser analisadas pelos responsáveis pela investigação.
A Polícia Civil de Minas Gerais realizou procedimentos periciais no local do acidente e acompanha a apuração das circunstâncias da queda. A Força Aérea Brasileira (FAB) também acionou investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III), sediado no Rio de Janeiro, para realizar a ação inicial de investigação. O trabalho envolve a coleta de vestígios, o levantamento de informações operacionais, a análise dos danos à aeronave e a verificação de elementos que possam ter contribuído para o acidente.
Os procedimentos conduzidos pelos investigadores aeronáuticos têm como finalidade identificar fatores relacionados à ocorrência e produzir informações que possam contribuir para a prevenção de novos acidentes. A apuração poderá considerar as condições da aeronave, os procedimentos de voo, as características do local e outros elementos técnicos identificados durante os levantamentos. Até a última atualização, não havia sido divulgada uma conclusão oficial sobre as causas da queda do helicóptero na zona rural de Passos.
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