Polícia

‘Lázaro de Ermida’ teria contado com ajuda de amigos e parentes nos 363 dias em que ficou foragido

Juares Marques dos Santos, de 51 anos, conhecido como “Lázaro de Ermida”, teria recebido ajuda de pessoas próximas durante os 363 dias em que permaneceu foragido após ser investigado pelo feminicídio da companheira, Lucélia Batista Silva, de 39 anos, em Divinópolis. A informação foi detalhada pelas forças de segurança nesta quinta-feira, 13 de agosto, após a prisão do investigado em Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A Polícia Civil mantém aberta a apuração para identificar quem eventualmente prestou auxílio ao homem durante o período em que ele se escondeu.

O delegado Vivaldi Levilesse informou que existem suspeitas de que familiares, amigos ou outras pessoas próximas possam ter contribuído para que Juares permanecesse escondido durante quase um ano. A investigação deverá apurar de que maneira essa possível ajuda ocorreu e quem participou. Pessoas que tenham auxiliado conscientemente um foragido a evitar a ação das autoridades poderão ter a conduta analisada dentro do crime de favorecimento pessoal, conforme as circunstâncias verificadas durante o inquérito.

Juares foi localizado na manhã desta quinta-feira em Santo Antônio do Monte durante uma operação conjunta das polícias Militar e Civil. O ponto onde ele foi encontrado fica nas proximidades de uma linha férrea. Informações apresentadas após a prisão indicam que o homem havia sido visto caminhando pela região antes de ser localizado pelas equipes que realizavam as diligências. O mandado de prisão preventiva contra ele havia sido expedido pela Justiça após representação da Polícia Civil.

Durante o período de fuga, o investigado teria mudado de esconderijo com frequência. As buscas se concentraram principalmente em áreas de mata, propriedades rurais e comunidades de Divinópolis e municípios próximos. Moradores repassaram diversas informações sobre possíveis aparições, e as equipes policiais realizaram diligências em diferentes pontos sempre que surgiam novos indícios sobre o paradeiro do homem.

Comunidades como Ermida, Lopes, Branquinhos e outras áreas rurais estiveram entre os locais onde foram relatadas possíveis passagens do foragido. Também surgiram relatos de invasões a propriedades, desaparecimento de alimentos e estruturas improvisadas encontradas em meio à vegetação. A eventual relação de Juares com esses episódios ainda depende de apuração individual, já que nem todas as ocorrências registradas durante o período de buscas foram formalmente atribuídas a ele.

As forças de segurança também localizaram ao longo das buscas barracos e abrigos improvisados em áreas de mata que poderiam ter servido como esconderijo. A estratégia atribuída ao investigado era permanecer por períodos curtos em determinados pontos e mudar de local para dificultar sua localização. A prisão ocorreu depois de quase um ano de levantamentos, denúncias, patrulhamentos e operações realizadas em áreas rurais da região.

Juares era procurado desde o crime cometido contra Lucélia Batista Silva, em 15 de agosto de 2025, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis. Conforme a investigação, o casal havia mantido um relacionamento por aproximadamente 15 anos e tinha três filhas, atualmente com 13, 11 e 8 anos. Os levantamentos apontaram um histórico de comportamento violento atribuído ao investigado durante o relacionamento.

No dia anterior ao ataque, Juares e Lucélia teriam discutido. As investigações indicam que ele deixou a residência fazendo ameaças e retornou na manhã seguinte. Naquele momento, aproveitando-se da ausência momentânea de uma das filhas, teria iniciado as agressões contra a companheira. Lucélia foi atingida na cabeça com golpes de um banco de madeira dentro da residência.

Durante as agressões, a mulher pediu que a filha mais nova procurasse ajuda. A criança conseguiu chegar até vizinhos, que foram à residência e encontraram Lucélia caída na cozinha, com ferimentos na cabeça. O banco de madeira apontado como instrumento utilizado no ataque foi apreendido durante os trabalhos realizados no imóvel.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado e encontrou Lucélia inconsciente. Ela foi levada em estado grave para o Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis, onde permaneceu internada por 26 dias. A vítima morreu em 9 de setembro de 2025, em decorrência dos ferimentos provocados durante a agressão.

Após o crime, Juares deixou a região e passou a ser procurado. A Polícia Civil concluiu o inquérito e o indiciou por feminicídio consumado. A Justiça decretou a prisão preventiva, mas ele conseguiu permanecer escondido durante 363 dias, período no qual as forças de segurança receberam sucessivas informações sobre possíveis aparições em áreas rurais.

Outro ponto considerado durante a investigação é o histórico policial do suspeito. Juares possui registro relacionado a uma tentativa de homicídio contra uma ex-companheira. As informações sobre ocorrências anteriores também passaram a integrar os levantamentos realizados no caso envolvendo Lucélia.

A procura pelo investigado continuava ativa até os últimos dias antes da prisão. A situação chegou a ser discutida em reunião da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública, quando representantes policiais informaram que as buscas permaneciam em andamento na região de Ermida e comunidades próximas.

Com a prisão em Santo Antônio do Monte, uma nova etapa da investigação deverá se concentrar nas circunstâncias da fuga. A Polícia Civil pretende esclarecer onde Juares permaneceu durante os 363 dias, quais locais utilizou como esconderijo, como conseguia alimentação e outros recursos e se contou efetivamente com apoio de terceiros para evitar a prisão.

As pessoas que eventualmente tenham fornecido abrigo, alimentos, transporte ou outras formas de auxílio serão analisadas individualmente. A responsabilização dependerá da comprovação de que havia conhecimento sobre a condição de foragido e intenção de ajudá-lo a escapar da atuação das autoridades.

Juares permanecerá à disposição da Justiça após o cumprimento do mandado de prisão preventiva. Paralelamente ao processo relacionado ao feminicídio de Lucélia, a investigação sobre a fuga seguirá para determinar se outras pessoas participaram da manutenção do esconderijo ao longo dos quase 12 meses em que ele permaneceu procurado.

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