Polícia

Excursão para a Canção Nova vira caso de polícia após fiéis denunciarem golpe em Divinópolis

Uma excursão organizada para levar fiéis de Divinópolis ao PHN 2026, tradicional evento religioso realizado na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, virou caso de polícia após participantes denunciarem que pagaram pela viagem, mas não embarcaram e não receberam imediatamente os valores de volta.

Cinco participantes procuraram as autoridades e registraram boletim de ocorrência, relatando terem sido vítimas de golpe. A viagem estava marcada para o dia 10 de julho, mas foi cancelada pouco antes do horário previsto para a saída do grupo de Divinópolis.

O pacote oferecido aos fiéis incluía transporte rodoviário, hospedagem e orientações relacionadas à participação no evento. Os pagamentos teriam sido realizados diretamente ao responsável pela organização da excursão, inclusive por meio de transferências via Pix e acordos de parcelamento.

Segundo os relatos apresentados à polícia, a excursão vinha sendo divulgada e organizada havia vários meses. Os participantes recebiam informações frequentes sobre datas de pagamento, horários, documentos necessários, pontos de embarque e estrutura preparada para a permanência em Cachoeira Paulista.

O destino da viagem seria o acampamento PHN, um dos principais encontros promovidos pela Canção Nova. O evento reúne especialmente o público jovem para celebrações religiosas, palestras, shows, momentos de oração e outras atividades ligadas à espiritualidade católica.

As conversas mantidas com os passageiros indicavam que a excursão estava confirmada. O organizador respondia dúvidas, repassava orientações e informava detalhes sobre a programação, levando o grupo a acreditar que o transporte e a hospedagem já estavam devidamente contratados.

Entre as informações encaminhadas aos participantes estavam recomendações sobre roupas adequadas para o frio, horários previstos para a saída, documentos que deveriam ser levados e cuidados necessários durante os dias de permanência no interior paulista.

O grupo também recebeu a indicação de dois pontos de embarque em Divinópolis. O responsável pela viagem afirmou que posteriormente enviaria a placa e outros dados de identificação do ônibus que seria utilizado no deslocamento.

Também foram compartilhadas informações sobre uma pousada onde os participantes supostamente ficariam hospedados. O local foi apresentado como próximo à sede da Canção Nova, o que facilitava o acesso dos fiéis às atividades previstas na programação do PHN.

Até poucos dias antes do embarque, os integrantes continuavam recebendo instruções normalmente. De acordo com os denunciantes, nenhuma informação indicava que existia risco de cancelamento ou que o transporte e a hospedagem ainda não estavam confirmados.

A mudança ocorreu às vésperas da viagem, quando o organizador comunicou que a excursão não poderia ser realizada. Inicialmente, ele teria alegado a ocorrência de um grave problema envolvendo um familiar como justificativa para a interrupção dos planos.

A informação foi recebida quando muitos passageiros já estavam com a viagem organizada, bagagens preparadas e compromissos pessoais ajustados. O cancelamento repentino provocou frustração e levou alguns integrantes a buscarem mais informações sobre os serviços anunciados.

Após o aviso, participantes entraram em contato diretamente com a empresa que teria sido indicada como responsável pelo ônibus. Conforme os relatos registrados pelas vítimas, a empresa informou que não existia contratação ou reserva confirmada para a excursão.

Os fiéis também procuraram a pousada mencionada nas conversas. Segundo as informações apresentadas à polícia, o estabelecimento teria informado que não havia hospedagem reservada para o grupo que sairia de Divinópolis.

As respostas aumentaram a desconfiança dos participantes, que acreditavam que os valores pagos estavam sendo utilizados para garantir a estrutura necessária para a excursão. A ausência das reservas motivou cobranças por explicações e pela devolução do dinheiro.

Depois de ser questionado pelo grupo, o organizador enviou uma nova mensagem aos participantes. Ele reconheceu que havia enfrentado outro problema, afirmou que não conseguiu prosseguir com a viagem e admitiu ter cometido um erro na condução da excursão.

Na mensagem, o responsável pediu desculpas aos passageiros e prometeu ressarcir os valores pagos. Ele solicitou prazo até o dia 20 de julho para realizar as devoluções individualmente.

O organizador também pediu compreensão aos envolvidos e solicitou que o caso não provocasse consequências para sua família. Apesar da promessa de pagamento, cinco participantes decidiram formalizar a denúncia diante da polícia.

Até o momento do registro da ocorrência, os denunciantes afirmaram que ainda aguardavam o reembolso. O valor total arrecadado para a excursão e a quantia individual paga por cada passageiro não foram oficialmente divulgados.

O responsável pela viagem reconheceu publicamente o erro, declarou estar arrependido e afirmou que procurou os participantes para se desculpar. Ele também declarou que está providenciando a restituição do dinheiro recebido.

O caso foi registrado como estelionato e deverá ser investigado pela Polícia Civil. O enquadramento policial permite que as autoridades apurem se os passageiros foram induzidos ao pagamento por meio de informações falsas e qual foi o destino dado aos valores arrecadados.

Embora os participantes afirmem terem sido vítimas de golpe, a responsabilidade criminal dependerá da investigação. O registro do boletim de ocorrência e a abertura dos procedimentos não representam uma condenação antecipada do organizador.

A apuração deverá reunir comprovantes de transferências, recibos, conversas de WhatsApp, mensagens de áudio e demais documentos relacionados à oferta da excursão. As informações fornecidas pela empresa de ônibus e pela pousada também poderão ser verificadas.

Os investigadores deverão ouvir os cinco denunciantes, o responsável pela organização e outras pessoas que compraram os pacotes. Também será necessário identificar quantos passageiros efetuaram pagamentos e qual é o prejuízo financeiro total relacionado ao cancelamento.

A Polícia Civil poderá analisar as movimentações das contas utilizadas para receber os valores. O objetivo será verificar se houve contratação parcial de algum serviço, para onde o dinheiro foi destinado e por qual motivo os pagamentos não foram devolvidos imediatamente.

Outro ponto a ser esclarecido é se mais pessoas participaram da excursão e ainda não registraram denúncia. A possibilidade de existirem outros passageiros prejudicados poderá ampliar a apuração e alterar o valor total investigado.

As identidades dos denunciantes foram preservadas. Os participantes relataram que se prepararam durante meses para acompanhar o evento e que organizaram compromissos, despesas e períodos de folga contando com a realização da viagem.

Além do prejuízo financeiro, os passageiros perderam a oportunidade de participar da programação religiosa. Como o cancelamento ocorreu próximo à data de saída, o grupo não conseguiu contratar outro transporte ou encontrar hospedagem em tempo hábil.

O episódio causou ainda mais revolta por envolver uma atividade religiosa e pessoas que mantinham uma relação de confiança com o responsável pela excursão. Os participantes afirmam que as informações detalhadas enviadas durante a organização fizeram com que não desconfiassem da viagem.

O caso também serve de alerta para pessoas interessadas em excursões organizadas informalmente. Antes do pagamento, é recomendável verificar diretamente com as empresas responsáveis pelo transporte e pela hospedagem se existem reservas em nome do grupo.

Também é importante solicitar contrato, recibo, identificação do responsável, dados completos das empresas envolvidas e informações sobre cancelamento e reembolso. Mensagens, comprovantes bancários e materiais de divulgação devem ser guardados para eventual necessidade de cobrança ou denúncia.

Os participantes aguardam o cumprimento da promessa de devolução até o prazo informado. O pagamento dos valores, contudo, não impede que as autoridades continuem apurando a forma como a excursão foi oferecida e as circunstâncias que levaram ao cancelamento.

A Polícia Civil deverá avaliar os elementos apresentados antes de definir as medidas seguintes. A conclusão dependerá dos depoimentos, da documentação reunida e da análise sobre a intenção do responsável no momento em que recebeu os pagamentos.

Até que a investigação seja finalizada, o caso permanece como uma denúncia de golpe feita pelos participantes. Os passageiros aguardam o ressarcimento do dinheiro e respostas sobre por que os serviços anunciados não estavam reservados quando a viagem deveria acontecer.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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