Idoso fica 560 dias internado após alta por abandono familiar na Santa Casa de Belo Horizonte
Situações como essa, de familiares que abandonam idosos em unidades de saúde, são comuns; lei prevê pena maior para crime.

Um idoso segue internado há 560 dias na Santa Casa BH, mesmo após receber alta médica. O motivo não é clínico, mas social: a família dele desapareceu e ele não tem condições de viver sozinho. A situação se repete com outros 12 idosos da instituição, que também não têm para onde ir.
De acordo com a Santa Casa, atualmente 16 pacientes permanecem hospitalizados por motivos sociais, sendo 13 deles idosos. O tempo de internação indevida varia de 5 a 560 dias. “São pessoas que perderam vínculos familiares ou nunca os tiveram, e agora dependem de cuidados para atividades básicas do dia a dia”, explica a gerente de Suporte Clínico da unidade, Neila Chaves.
Esses idosos deveriam ser encaminhados para Instituições de Longa Permanência (ILPIs), mas a capital mineira enfrenta escassez de vagas nesses locais. Além disso, muitas instituições relatam falta de equipe para prestar os cuidados necessários, o que impede a acolhida, mesmo de idosos que não precisam de atenção médica contínua.
Antes do abandono, parte desses pacientes vivia sozinha em condições precárias. Outros ainda conseguiam alguma independência, mas, com o agravamento da saúde, passaram a necessitar de apoio constante para tarefas simples, como se alimentar, tomar banho ou cuidar de sondas e curativos.
O serviço social da Santa Casa atua junto à rede de apoio para viabilizar a institucionalização. Em alguns casos, o processo já foi judicializado, mas a sobrecarga das ILPIs dificulta a transferência. “Nosso time aciona a rede e acompanha de perto, mas muitas vezes esbarramos na falta de vagas. A consequência é que o hospital acaba funcionando como abrigo, quando deveria estar disponível para atender pacientes em tratamento”, destaca Neila.
A situação expõe um problema crescente no Brasil, marcado pelo envelhecimento da população e pela insuficiência de políticas públicas voltadas para o cuidado prolongado de idosos em situação de vulnerabilidade.










