Minas Gerais

Casal tem prisão decretada por morte de criança de 9 anos em Belo Horizonte

A Justiça determinou a prisão temporária da mãe e do padrasto de um menino de 9 anos, morto em agosto deste ano no bairro Flávio Marques Lisboa, região do Barreiro, em Belo Horizonte. A decisão foi assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri Sumariante da Comarca da Capital.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) se manifestou favoravelmente à prisão do casal, destacando a gravidade do crime, as fundadas razões de autoria e a necessidade da medida para garantir o bom andamento das investigações. Segundo a magistrada, as versões apresentadas pelos dois variaram ao longo dos depoimentos, o que poderia interferir na colheita de provas.

De acordo com o boletim de ocorrência, o menino foi levado ao Hospital Júlia Kubitschek na manhã de 23 de agosto, apresentando dores na perna esquerda e sangramento nasal. Pouco depois, sofreu parada cardiorrespiratória e morreu no local. A mãe alegou que o filho havia caído na escola, mas o laudo médico constatou hematomas múltiplos, rigidez abdominal e sinais de morte violenta, incompatíveis com a versão apresentada.

Durante o interrogatório na Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a mãe admitiu ter agredido o filho com chineladas e tapas nas costas e no abdômen. Em depoimento, afirmou que “passou do ponto” e que estava sob o efeito de cocaína no momento das agressões. O padrasto também foi ouvido, mas apresentou versão divergente sobre o ocorrido.

Vizinhos e denúncias anônimas informaram que, na noite anterior à morte, foram ouvidos gritos de socorro da criança e que o casal agredia o menino com frequência. As informações reforçaram as suspeitas de violência doméstica recorrente.

Em sua decisão, a juíza ressaltou que a prisão temporária é imprescindível para assegurar a continuidade das investigações e preservar a integridade das provas. “As versões apresentadas pelos investigados comprometeram a credibilidade da apuração e evidenciaram risco de interferência na coleta de novos elementos”, afirmou.

A magistrada considerou ainda que, diante da extrema gravidade do crime — homicídio qualificado contra filho menor, em contexto de violência doméstica —, medidas cautelares alternativas à prisão se mostram inadequadas para garantir a ordem pública.

O caso segue sob apuração e tramita em segredo de Justiça.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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