UFSJ apura suspeita de intoxicação após mais de 20 estudantes relatarem vômitos e diarreia em Divinópolis

A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) iniciou uma apuração após estudantes do Campus Centro-Oeste Dona Lindu, em Divinópolis, relatarem episódios de vômitos, diarreia e mal-estar nos últimos dias. Mais de 20 alunos afirmam ter apresentado sintomas gastrointestinais depois de utilizarem o Restaurante Universitário, que atende diariamente centenas de pessoas no campus. A instituição, porém, informa que ainda não há elementos técnicos que permitam confirmar intoxicação alimentar ou estabelecer que as refeições tenham provocado os sintomas.
Os primeiros relatos começaram a circular entre os estudantes após terça-feira, 1º de setembro. Alunos passaram a compartilhar experiências semelhantes em grupos e redes sociais, relatando principalmente diarreia, vômitos e indisposição. Alguns afirmam que precisaram procurar atendimento médico depois do agravamento dos sintomas, enquanto outros permaneceram em casa durante o período de recuperação.
Uma estudante relatou que procurou uma Unidade de Pronto Atendimento no dia seguinte ao início do quadro. Segundo ela, durante a consulta, recebeu a informação de que outros alunos da UFSJ haviam procurado atendimento apresentando sintomas semelhantes. Não há, entretanto, um levantamento oficial indicando quantas pessoas foram atendidas em unidades de saúde em decorrência desses episódios.
Com a concentração de casos relatados em um mesmo período, passou a ser discutida entre os alunos a possibilidade de uma contaminação relacionada à alimentação ou à água. Alguns estudantes afirmaram que exames médicos teriam apontado presença de bactéria, mas até o momento não existe resultado laboratorial divulgado que confirme uma origem comum para os casos ou relacione eventual bactéria ao Restaurante Universitário.
A hipótese envolvendo a água também começou a circular depois de um problema registrado no abastecimento do Centro Administrativo de Divinópolis no mesmo período. A situação ocorrida no prédio municipal, entretanto, é independente da UFSJ e, até agora, não foi demonstrada qualquer ligação entre os dois episódios.
A UFSJ afirma que ainda não dispõe de dados suficientes para concluir se houve um episódio de toxinfecção alimentar. Segundo a instituição, apenas uma das reclamações teria sido registrada formalmente pelo procedimento específico previsto para situações dessa natureza, enquanto outras manifestações foram encaminhadas por e-mail ou publicadas em redes sociais.
A formalização das ocorrências é considerada necessária para reunir dados como horário da refeição, alimentos consumidos, momento de aparecimento dos sintomas e evolução clínica de cada estudante. Essas informações permitem comparar os diferentes casos e verificar se existe algum elemento comum capaz de indicar a possível origem do problema.
Estudantes, por outro lado, afirmam que houve dificuldade para registrar as reclamações. Uma aluna relatou que um formulário chegou a ser disponibilizado para receber as manifestações, mas posteriormente os estudantes teriam sido informados de que aquele não seria o canal adequado. Com isso, algumas reclamações preenchidas inicialmente não teriam sido contabilizadas como registros formais.
Mesmo sem uma conclusão sobre a origem dos sintomas, a empresa responsável pelo Restaurante Universitário foi notificada para apresentar esclarecimentos sobre o episódio. O caso passou a ser acompanhado enquanto são reunidas informações sobre os estudantes que apresentaram sintomas e as refeições servidas no período.
O Restaurante Universitário do Campus Centro-Oeste Dona Lindu serve, em média, entre 500 e 600 refeições diariamente. O público atendido inclui estudantes, servidores, funcionários terceirizados e trabalhadores ligados às atividades desenvolvidas dentro da universidade.
Entre os procedimentos mantidos no restaurante está a coleta de amostras das refeições servidas. Esse material pode ser submetido a análises microbiológicas quando existe suspeita de problema relacionado à alimentação e pode contribuir para identificar ou descartar eventual contaminação.
As condições das refeições retiradas em marmitas também deverão ser consideradas na análise. Depois que o alimento deixa o restaurante, fatores como temperatura, tempo entre retirada e consumo, transporte e armazenamento podem interferir na conservação e precisam ser avaliados em uma investigação sobre possíveis casos de intoxicação alimentar.
Até esta quarta-feira (9), nenhum resultado de análise dos alimentos ou da água havia sido divulgado apontando contaminação no Restaurante Universitário. Também não havia confirmação de que todos os estudantes que apresentaram sintomas tenham consumido exatamente os mesmos alimentos ou realizado as refeições no mesmo horário.
A investigação deverá cruzar os relatos dos alunos com informações sobre o cardápio servido, horários de atendimento, procedimentos adotados na cozinha e eventuais exames médicos disponíveis. Somente após esses levantamentos será possível determinar se os casos possuem relação entre si e qual teria sido a origem dos sintomas.
Enquanto não houver resultado técnico conclusivo, permanece confirmado apenas que mais de 20 estudantes relatam episódios semelhantes de vômitos, diarreia e mal-estar após utilizarem o Restaurante Universitário. A causa dos sintomas ainda não foi determinada.








