Justiça adia audiência de motorista acusado de atropelar ciclista na MG-050

O processo que apura a morte do ciclista Leonardo Antônio Santos, de 29 anos, sofreu novo atraso e só deve avançar em 2026. A primeira audiência de instrução, realizada na quarta-feira (10/9), no Fórum de Divinópolis, foi interrompida e remarcada para fevereiro do próximo ano. A decisão decepcionou familiares, amigos e grupos de ciclistas que acompanharam a sessão em busca de respostas.
Segundo informações da acusação, o adiamento foi necessário porque duas testemunhas não foram localizadas a tempo. Uma delas estaria de férias e a outra teria se mudado para Varginha, o que dificultou a notificação. O juiz responsável pelo caso, Ivan Rodrigues, optou pela remarcação da audiência para garantir a ordem legal do processo, apesar da presença das testemunhas de defesa.
Durante a sessão, algumas testemunhas puderam ser ouvidas e seus relatos reforçaram a materialidade do crime. Uma delas, Ariedina Rodrigues, relatou que o motorista esteve em sua casa logo após o atropelamento e apresentava sinais evidentes de embriaguez. “Ele chegou alterado, contou uma versão diferente e dizia que tinha brigado no bairro. Estava trêbado, como costumava ficar”, disse.
No lado externo do fórum, familiares e ciclistas organizaram uma manifestação com cartazes e pedidos de justiça. A tia da vítima, Elza Rodrigues, emocionou-se ao recordar a paixão do sobrinho pelo pedal. “Ele ajudava a família, trabalhava muito e gostava de pedalar. No Dia dos Pais, saiu para uma volta e nunca mais voltou. Só queremos justiça”, afirmou.
O acidente ocorreu em 11 de agosto de 2024, no km 126 da MG-050. Leonardo, morador do bairro Tietê, pedalava no acostamento quando foi atingido por um Peugeot 308 prata. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o motorista tentava uma ultrapassagem pela direita, perdeu o controle, bateu na mureta de proteção e atingiu o ciclista. Ele deixou o local sem prestar socorro.
Leonardo chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Complexo de Saúde São João de Deus, mas não resistiu. O impacto foi tão forte que, segundo o laudo, o ciclista foi arremessado cerca de 46 metros. O motorista, de 39 anos, foi indiciado por homicídio doloso — quando há intenção ou assunção do risco de matar — e responde ao processo em liberdade.
Com a audiência remarcada, cresce a insatisfação de familiares e da comunidade ciclista, que cobram agilidade da Justiça para que a morte de Leonardo não permaneça sem responsabilização.









