Ar limpo, pulmões limpos
Um chamado à reflexão no “Agosto Branco” em meio à crise ambiental em Divinópolis.

Um chamado à reflexão no “Agosto Branco” em meio à crise ambiental em Divinópolis
O mês de agosto é marcado pela cor branca em alusão à conscientização sobre o câncer de pulmão, uma doença que impacta profundamente a saúde pública em todo o mundo. Tradicionalmente associado ao tabagismo, o câncer de pulmão hoje também revela novas ameaças que vão além do cigarro.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (SBOT), a poluição do ar e a exposição a agentes ambientais e ocupacionais cancerígenos já ocupam um espaço alarmante entre os fatores de risco. Estima-se que, somente em 2025, 8 mil brasileiros não fumantes receberão o diagnóstico da doença, um dado que reforça a urgência de ampliar o olhar para além do cigarro.
A oncologista Dra. Mônica Toledo, da DOM Oncologia, alerta que o tabagismo continua sendo o principal causador do câncer de pulmão, mas não pode mais ser o único foco da prevenção. “Precisamos falar também da poluição ambiental, responsável hoje por cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão, além de evidenciar que algumas atitudes podem contribuir para deixar o ar mais limpo, como por exemplo, reduzir as queimadas”, destaca em vídeo publicado no Instagram.
O caso de Divinópolis: fumaça constante na região próxima ao novo hospital regional de Divinópolis.
A reflexão proposta pelo Agosto Branco encontra eco direto em Divinópolis. Desde 19 de junho, moradores dos bairros Vivendas da Exposição, Jardim Alterosa, Itacolomi, Realengo além de moradores dos Condomínios Vésper e Ville Royalle convivem com a fumaça e mal cheiro provenientes de incêndios subterrâneos originados em áreas usadas ilegalmente para descarte de entulho.
Boletins do Corpo de Bombeiros registraram que o fogo começou após descarte de resíduos de fundição ainda quentes em caçambas, provocando combustão subterrânea de difícil controle. Em nova ocorrência, em 08/07, os bombeiros combateram focos em terrenos utilizados por empresas como Gregório Caçambas, Wantuka Caçambas, Cimentão e Tromaq, consumindo 23.500 litros de água sem conseguir extinguir os focos subterrâneos. O registro foi repassado à Prefeitura, à Polícia de Meio Ambiente e ao Ministério Público.
A Polícia Militar também lavrou boletim por crime ambiental, enquadrando a queima de resíduos em área não licenciada como infração grave.
Autoridades pressionadas
A crise mobilizou moradores, imprensa e autoridades. A deputada estadual Lohanna encaminhou ofícios ao Corpo de Bombeiros, à Prefeitura de Divinópolis e à SEMAD solicitando informações e ações urgentes para conter os incêndios e responsabilizar os envolvidos.

Em reunião na Prefeitura Minicipal de Divinópolis em 29/07, a vice-prefeita Janete Aparecida anunciou que, a partir de agosto, o município passará a contar com área licenciada para o descarte de resíduos de construção civil, com promessa de fiscalização rigorosa dos bota-foras clandestinos. Contudo, até a data de hoje, 25/08, moradores relatam à redação do Portal G37 que a fumaça continua constante e nenhuma medida efetiva para combate aos incêndios subterrâneos foram tomadas. O terreno onde o incêndio subterrâneo está incontrolado foi interditado, não tem mais operação de descarte de entulhos, mas permanece fumegando fumaça tóxica e mal cheiro há mais de dois meses.
Saúde pública em risco
A situação tem afetado diretamente a saúde da população. Relatos de moradores indicam agravamento de quadros respiratórios, noites sem sono e impacto severo em pessoas com doenças pulmonares pré-existentes.
Nesse cenário, o lema “Ar limpo, pulmões limpos” do Agosto Branco ganha ainda mais urgência em Divinópolis: respirar é um ato automático, mas garantir que o ar seja limpo depende de responsabilidade coletiva, ação firme do poder público e fiscalização contínua.





















