Em busca da alegria
Ômar Souki
“Este é o dia que o Senhor fez para nós. Alegremo-nos e nele exultemos! Dai graças ao Senhor porque ele é bom. Eterna é a sua misericórdia. A casa de Israel, agora, o diga: eterna é a sua misericórdia. A mão direita do Senhor fez maravilhas. A mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor” (Salmos 117). Alguém estava feliz—exultando de alegria—quando compôs esse cântico. E qual foi o motivo de tanta exaltação? O próprio salmo explica, logo adiante, de forma metafórica: “A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos” (Salmos 117, 22-23).
Cerca de mil anos depois, Jesus esclarece o enigma, afirmando que essas palavras se referiam a ele. Depois da parábola dos vinhateiros, ele se dirigiu aos fariseus e perguntou: “Vocês nunca leram na Escritura: ‘a pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos’?” (Mateus 21, 42). De fato, ele foi rejeitado por Israel, mas tornou-se a pedra fundamental de uma tradição religiosa que cultua a alegria. Isso é confirmado pelo apóstolo Pedro quando, cheio do Espírito Santo, disse: “Jesus é a pedra que vocês, pedreiros, rejeitaram, que se tornou a pedra angular. Não existe salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (Atos 4, 11-12).
Composto em 2 de julho de 1723, o décimo movimento da Cantata 147 de Johann Sebastian Bach—em homenagem à Visitação da Virgem Maria—se intitula: “Jesus, a alegria dos homens”. A letra, escrita por Martin Janus, diz o seguinte: “Jesus, a alegria dos desejos humanos. Santa sabedoria, o amor mais brilhante, projetado por ti. Nossas almas aspirantes, se alçam até a luz eterna. Palavra de Deus, em nossa carne se formou, com fogo de vida ardente”. Em tempos difíceis, onde, então buscar a alegria?
De acordo com Kay Warren, autora do livro Escolha a alegria (Editora Mundo Cristão): “Deus nos criou para sermos alegres. Não há qualquer dúvida a esse respeito. Porém, Deus deixou por nossa conta a decisão de acessar essa alegria. Você e eu temos de decidir se vamos escolher a alegria—criada por Deus, comprada e paga pela morte de Jesus, dada como presente pessoal do Espírito Santo—ou não. Ao pensar nisso dessa maneira, é difícil imaginar por que alguém recusaria a dádiva da alegria oferecida por Deus” (p. 22).
A alegria provoca em nós a ebulição dos hormônios da felicidade: dopamina, serotonina, endorfina e oxitocina. Mas, vai além, pois mesmo quando estamos atravessando o deserto, podemos seguir em frente, nos encharcando da força e da inspiração contida em Jesus—pois ele é, sem sombra de dúvidas, a nossa eterna alegria!









