Persistir na caminhada

Ômar Souki
Depois de duas semanas de férias—sem a disciplina diária do exercício físico—retornei para a academia e as tarefas do cotidiano. Os primeiros dias não são fáceis. O corpo acostuma-se com os horários flexíveis: levantar a qualquer hora, tomar um café da manhã prolongado e, só depois de algum tempo, sair para caminhar na beira da praia. Como é gostoso desfrutar do “dolce far niente” (agradável ociosidade). Mas, mesmo sendo legal “ficar de boa” à beira mar, depois de algum tempo nosso ser interior pede por algo a mais.
Hoje, ao inspirar-me para este artigo, o Espírito Santo me mostrou a seguinte passagem: “…Deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra em nós. Corramos com perseverança na corrida, mantendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé. Em troca da alegria que lhe era propícia, ele se submeteu à cruz, desprezando a vergonha, e se assentou à direita do trono de Deus. Para que vocês não se cansem e não percam o ânimo, pensem atentamente em Jesus, que suportou contra si tão grande hostilidade por parte dos pecadores” (Hebreus 12, 1-3).
Além do exemplo insuperável de Jesus, que nos é apresentado por São Paulo—para que não percamos o ânimo frente aos desafios da vida—temos também o próprio apóstolo que declarou: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele dia; e não somente para mim, mas para todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação” (II Timóteo 4, 7-8).
Paulo foi um evangelizador incansável: “Servi ao Senhor com toda humildade, com lágrimas, e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus. Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vocês, tanto publicamente, quanto indo de casa em casa. Com insistência, convidei judeus e gregos a se arrependerem diante de Deus e a acreditarem em Jesus, nosso Senhor. […] Mas de modo nenhum considero minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o serviço que recebi do Senhor Jesus, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus” (Atos 20, 18-21, 24).
Ao contemplarmos exemplos tão nobres como o de Jesus e de Paulo, nos sentimos consolados. Não só isso, mas estimulados a segui-los, pois apesar de viverem em tempos extremamente maus e de sofrerem com a incompreensão e com a perseguição, jamais esmoreceram. Pelo contrário, seguiram adiante com valentia. Vivemos em um contexto de decadência moral e de injustiças e corrupção das autoridades, o que pode nos causar frustração e desânimo. Mas, não é para procurarmos consolação aqui na Terra. Pelo contrário, o momento no Brasil e no exterior exige que cada um de nós cultive com ardor a fé e a esperança em um Reino que não é deste mundo.








