Minas Gerais

O Reino de Deus

Ômar Souki

“Com que eu poderei comparar o Reino de Deus? Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentando” (Lucas 13, 20-21). “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou” (Mateus 11, 26-29). “O Reino de Deus está dentro de vocês” (Lucas 17, 21). “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês” (Mateus 6, 33).

É algo que cresce sem a gente perceber, como o fermento dentro da massa e a semente plantada na terra. Está dentro de nós e deve ser procurado em primeiro lugar, pois, ao buscá-lo, todas as nossas necessidades serão atendidas. Como fazer para encontrá-lo? Devemos entrar em nosso quarto interior, fechar a porta, e orar ao Pai em segredo. Pois, o Pai que vê o que está em segredo nos recompensará (Mateus 6, 6).  À medida que nos desligamos do mundo material vamos adentrando esse Reino que está nos Céus. “Não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no Céu, sabe que vocês precisam de tudo isso” (Mateus 6, 31-32).

A comunhão com o Criador—que tudo provê—é feita dentro e não fora de nós. Essa busca deve ser a nossa prioridade existencial. Para participarmos da felicidade do Céu, ainda na Terra, é importante darmos início a essa caminhada aqui, agora. Isso é dinamizado ao intensificarmos a nossa vida de oração. “O gosto da contemplação divina chama-se pão da vida porque com ele a vontade começa a sentir coisas da vida eterna, e chama-se pão do entendimento porque se começa a saber tudo o que se deve saber para se salvar” (Francisco de Osuna, Terceiro abecedário espiritual, 2022, p. 337).

A vivência diária do Reino começa para mim na missa das sete da manhã no Santuário de Santo Antônio em Divinópolis, Minas Gerais. De lá vou para a academia exercitar o meu corpo, templo do Espírito Santo. E, ao chegar em casa, entro em meu escritório, me assento confortavelmente, fecho os olhos, respiro fundo e me esvazio das preocupações materiais. Permaneço nesse estado durante uns vinte minutos e, com fé, peço a Jesus que plante em mim a semente do Reino, que é a graça de participar na vida de Deus, que é amor.

O desenvolvimento dessa semente não é algo que eu possa fazer. Posso apenas me disponibilizar para que Jesus realize esse milagre em mim. É algo que ele mesmo disse que cresce sem nos darmos conta de que está acontecendo. Depois de algum tempo, perseverando nessa busca, não só tenho sentido que a minha vida material se organiza melhor, mas que também, começo a saborear com mais intensidade a Presença desse Reino que sempre esteve dentro de mim.

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